Os últimos dias de Veludo no Fluminense.

O antepenúltimo jogo: “Score Alarmante: Flamengo 6×1 Fluminense”

Jogo realizado no dia 18/12/1955. Reportagem do jornal Globo do dia 19/12/1955.

 

(…)

“Isso porque, se de um lado o Flamengo correspondia à sua condição de co-líder, à qual fora guindado na véspera, pelo empate do América com o Vasco, e conduzia-se de forma segura e destacada, de outro lado o Fluminense apresentava-se desarvorado, sem ataque e sem defesa, permitindo que o rubro-negro tomasse conta do terreno e marcasse uma ampla vitória.”

(…)

 

As falhas de Veludo

O Fluminense abriu o marcador aos 24 minutos do primeiro tempo através de Didi. O Flamengo empatou no primeiro ataque após a saída de bola:

 

“O Flamengo deu nova saída e logo no contra-ataque, Joel, correndo pela esquerda atirou de pé canhoto em “goal”. Com surprêsa geral a bola passou entre o poste à direita de Veludo e o arqueiro parecia atrapalhado pelo sol., E assim, aos 25 minutos ficou o jôgo empatado em 1×1.”

 

Dois minutos depois, três minutos após o gol do Fluminense, o Flamengo virou para 2×1.

 

No final do primeiro tempo, o terceiro gol:

 

“Nos últimos instantes do primeiro tempo, e para nós já nos 46 minutos de jôgo, o Flamengo marcou o seu terceiro “goal” por intermédio de Paulinho. Joel atirou forte de fora da área e Veludo defendeu mal, largando a bola, do que se aproveitou Paulinho para entrar e mandar o couro às redes.”

 

Comentário:

Da forma como se conta a história desse jogo, sempre tive a impressão de que o time teria jogado bem, mas teria sido afundado pela atuação de Veludo, que teria se vendido e jogado bêbado. Na verdade, todo o time jogou muito mal.

 

Joga-se a responsabilidade em Veludo, mas o time do Fluminense que perdeu para o Flamengo tinha nomes históricos que não são mencionados: Veludo; Bené, PINHEIRO e Bassu; Vítor e Clóvis; TELÊ, DIDI, VALDO, RÓBSON E ESCURINHO.

 

No dia 20/12/1955, foi noticiado pelo Globo que a Diretoria do Fluminense havia decidido punir seus jogadores. Veludo foi multado em 60% dos seus vencimentos. Os demais jogadores, com exceção de Róbson e Benê, foram multados em 20% dos vencimentos.

 

 

O penúltimo jogo: “Vitória difícil do Fluminense”, Canto do Rio 1×2 Fluminense

Jogo realizado no dia 08/01/1956. Reportagem do jornal Globo do dia 09/01/1956

 

Comentário:

No dia 08/01/1956, o Fluminense cruzou a Baía da Guanabara e enfrentou o Canto do Rio no Caio Martins. O time não fez uma grande apresentação, mas jogou o suficiente para derrotar a equipe de Niterói. Veludo foi o goleiro do Fluminense, mas não houve qualquer menção positiva ou negativa a sua atuação. Acredito que tenha sido aquele típico jogo em que o clube grande joga o suficiente para vencer o clube pequeno, que não oferece muita resistência.

 

 

O último jogo: “É a vitória da nova geração”, Fluminense 1×4 Bangu

Jogo realizado no dia 15/01/1956. Reportagem do jornal Globo do dia 16/01/1956.

 

“No Fluminense, Veludo frangueou decididamente no primeiro tento e depois fragueou mais clamorosamente em outra bola, no segundo tempo, que não resultou em “goal” todavia. O fato é que Veludo jogou-se ao chão para a defesa num chute de Mário aos 30 minutos, mas deixou a bola passar-lhe entre os braços. E o couro saiu a “corner”, rente ao poste esquerdo. Nos últimos dois “goals” do Bangu, o goleiro tricolor também não convenceu, parecendo indeciso na colocação. Cacá teve um trabalho duro com Décio, mas satisfez. Duque não chegou a comprometer, mas também não convenceu. Na intermediária, Vitor foi o que melhor apareceu, enquanto Clóvis e Baçú não passaram de regulares. E no ataque, somente Telê teve uma atuação destacada.”

 

 

O jornal Diário da Noite trouxe a seguinte manchete nessa data: “Os frangos perseguem o arqueiro Veludo”.

 

 

Depois do jogo do Bangu

Esta foi a sua última apresentação oficial. Na rodada seguinte, 21/01/1956, mostrando que o problema ia muito além de Veludo, o Fluminense perdeu para o America por 5×1 com direito a torcida queimar uma bandeira na arquibancada:

 

“O episódio ridículo da queima da bandeira por torcedores exultados e irresponsáveis.”

 

 

No jogo seguinte, 28/01/1956, vitória contra a Portuguesa por 1×0.

 

No dia 05/02/1956, o Fluminense teria o seu último compromisso pelo segundo turno do Carioca de 1955. O adversário era o Vasco, que precisava vencer o Fluminense para se classificar para a final. Um dia antes, 04/02/1956, o Globo, que não circulava aos domingos naquela época, trazia a seguinte informação:

 

“Os tricolores deverão retornar com Veludo na meta, já novamente em boas condições físicas, e os vascaínos ainda se apresentarão sem o concurso de Maneca, ocupando Alvinho a meia direita.”

 

 

O Fluminense venceu o Vasco por 3×1, mas Veludo acabou não participando da partida. No dia 06/02/1956, o Globo noticiava:

 

“A respeito de Veludo, tantas vezes anunciado como o homem da meta para esse jogo, Gradin esclareceu que o grande arqueiro só não atuou porque não quis.

 

– Ele me procurou há uns dias atrás, solicitando dispensa, se possível um pouco mais de repouso. Apresentou argumentos decisivos, perfeitamente compreensíveis. Talvez, se não tivesse sido jogador em meus tempos de moço, faria outra coisa. Exatamente por ter sido e pelo fato de já me ter encontrado nessa situação, foi que reconheci o direito do profissional.”

 

 

Róbson resumiu bem a atuação do Fluminense nessa partida: “Sobrou-nos, contra o Vasco, o que sempre nos faltou”. Ele se referia à calma.

 

Veludo não atuou em nenhum dos 5 jogos do Fluminense no terceiro turno, iniciado no dia 09/02/1956. Nesse mesmo dia, o Globo já trazia informações sobre a possível saída de Veludo, Didi e Castilho.

 

No dia 10/02/1956, o Globo trouxe uma notícia interessante:

 

“Quase todos os jornais desta manhã puseram em destaque, com grandes títulos, a notícia de que a diretoria do Fluminense irira abrir um inquérito para apurar denúncias de que integrantes da equipe titular haviam sido gratificados por elementos ligados ao Flamengo, como recompensa pela vitória de domingo último (Fluminense 3×1 Vasco). Outros, foram mais longe, destacando os nomes de Jairo, Pinheiro, Didi e Telê.

 

“Onda”

 

Falando a “O Globo”, o presidente Jorge Amaro de Freitas foi incisivo em suas declarações:

 

– Mentira! Tudo não passa de “onda”. Sabemos, naturalmente, do que se comenta, porque essas coisas sempre ganham a rua mais depressa do que se julga. Os indícios, porém, são falsos.

 

Por conseguinte, o Fluminense deixará de tomar conhecimentos desses boatos.”

 

No 15/02/1956, Didi, que vivia um péssimo momento com a diretoria do Clube e viajou para a Bahia com o terceiro turno em andamento, revelou que Veludo não teria jogado contra o Vasco por ter agredido um diretor do Fluminense:

 

“Mas a revelação sensacional do atacante, segundo declarou aos jornalistas baianos, é que Veludo deixou de enfrentar o Vasco por ter agredido um diretor do Fluminense.”

 

Com relação a Castilho, ele disse que o jogador queria muito ir para o Botafogo, mas que o Fluminense preferia trocá-lo por Nilton Santos.

 

No dia 16/02/1956, o Globo abordou a falta de entendimento sobre a renovação do contrato de Didi, sem fazer qualquer menção a Veludo e ao problema com o diretor. No dia 17/02/1956, a manchete era “Didi não vestirá mais a camisa do Fluminense”. Novamente, nenhuma palavra sobre Veludo. O clube não se pronunciou sobre desentendimento de Veludo com um diretor do clube que havia sido divulgado por Didi.

 

Didi foi embora para sempre. Em 1956, ele estreava no Carioca pelo Botafogo no Carioca, clube pelo qual ficou fortemente identificado, apesar de sua história no Fluminense ter sido muito maior (de 1949 a 1956). Já Castilho, ficou.

 

No dia 16/03/1956, foi noticiado que o Santos havia desistido da contratação de Veludo por empréstimo para disputar o Torneio Internacional que estava sendo realizado em São Paulo. Veludo pediu Cr$ 30.000,00, mas o Santos aceitava pagar Cr$ 18.000,00, mesmo valor que o Fluminense lhe pagava. Essa é a primeira informação sobre uma possível saída de Veludo, mesmo que temporária.

 

No dia 17/03/1956, o Fluminense encerrava sua participação no Carioca de 1955 sendo derrotado pelo America por 2×0. O time se recuperou no terceiro turno e quase se classificou para a final do Carioca de 1955 contra o Flamengo, vencedor do primeiro e do segundo turno. Isso teria acontecido se o Fluminense tivesse vencido o América.

 

Entre os Cariocas de 1955 e 1956, o Fluminense fez uma série de amistosos no Brasil e no exterior. Veludo participou de alguns desses jogos. Enquanto isso, seu destino era especulado no Rio de Janeiro. Depois do Santos, surgiu o Bangu como forte interessado em sua contratação, mas a negociação acabou não se concretizando. Posteriormente, surgiu o interesse do Canto do Rio, que além de Veludo, acabou aproveitando a barca tricolor Pós-Carioca de 1955 e também contratou Duque, Vitor e Lafaiete.

 

Enquanto seu destino não era definido e o Fluminense já tinha deixado claro que não contaria com ele para o Carioca de 1956, Veludo defendeu a Seleção Brasileira em três amistosos:

 

  • 12/06/1956, Brasil 2×0 Paraguai, Taça Oswaldo Cruz, jogo disputado em Assunção;
  • 17/06/1956, Brasil 5×2 Paraguai, Taça Oswaldo Cruz, jogo disputado em Assunção;
  • 24/06/1956, Brasil 2×0 Uruguai, Copa do Atlântico, jogo disputado no Rio de Janeiro.

 

 

Veludo se apresentou bem nos três jogos. Não deixa de ser irônico: o Fluminense não contava mais com Veludo, seu destino era uma incógnita, mas mesmo assim ele era convocado para a Seleção.

 

O jogo disputado contra o Uruguai foi o quarto depois da final da Copa de 1950. Com este resultado, o Brasil acumulava três vitórias e um empate desde a derrota na final.

 

No dia 22/07/1956, Veludo estreou oficialmente pelo Canto do Rio já na primeira rodada do Carioca de 1956. Neste jogo, a equipe niteroiense foi derrotada pelo America por 4×0. Com relação a atuação de Veludo, ela não foi boa:

 

“No jôgo de ontem, os pecados dos niteroienses forem acrescidos pela insegurança do arqueiro Veludo, que falhou lamentavelmente nos dois primeiros “goals”. O segundo, então, conquistado por Canário, foi um autêntico “frango”.

 

 

Depois do Canto Rio, Veludo passou por Santos e Atlético-MG, onde foi campeão Mineiro de 1958. Uma das clássicas fotos de Veludo, onde ele está se esticando para defender uma bola no canto direito do gol, é pelo Atlético-MG, e não pelo Fluminense. É possível encontrar na internet menções ao problema de Veludo com a bebida nesses dois clubes, o que teria feito com que ele não se firmasse em nenhum deles. Agora, saber o que é fato ou lenda nas passagens de Veludo nesses dois clubes é outra história. Depois do Atlético-MG, Veludo passou pelo Madureira e encerrou a carreira em 1963 no Renascença de Belo Horizonte, clube extinto em 1967.

 

Consta na Wikipedia que Veludo faleceu aos 40 anos no dia 26/10/1969.

 

 

Comentário:

Na primeira vez que eu escutei falar de Veludo, meu pai me disse que ele havia jogado bêbado. Ocorre que meu pai não foi nesse jogo, pois ele ainda não morava no Rio. Ele escutou isso de alguém. Não existe um único registro de que Veludo, que tinha sérios problemas com a bebida, tenha de fato jogado bêbado nesse jogo. Isso me parece uma lenda que surgiu para justificar o placar do Fla x Flu e que ganhou força com o tempo.

 

Existe uma versão que chega ao ponto de dizer que ele havia enganado seus companheiros, a comissão técnica e a diretoria para entrar em campo contra o Flamengo, como se todos eles fossem uns idiotas incapazes de perceber quando alguém estivesse bêbado. Pior. Quando se aventa essa possibilidade, além de se levantar sérias questões sobre o profissionalismo de Veludo, se levanta dúvidas sobre o profissionalismo de todo o grupo. Você realmente acha que se alguém tivesse percebido que Veludo estava bêbado, não ia tomar uma ação tendo um Fla x Flu a ser disputado em poucas horas?

 

Caso se levante a possibilidade de que isso não teria sido noticiado, fiz questão de transcrever a reportagem do Globo do dia 10/02/1956 que mencionava a possível abertura de um inquérito no clube para investigar se alguns jogadores receberam dinheiro do Flamengo para vencer o Vasco. Se Veludo tivesse jogado bêbado, acredito fortemente que isso teria sido noticiado e virado um escândalo.

 

Há alguns anos, eu li um texto sobre Veludo escrito por um sujeito, que não torce para o Fluminense, publicado numa página do Facebook com um bom alcance. Esse sujeito, que torce para um clube cuja torcida é muito criativa com a interpretação da história, muitas vezes utilizando conceitos bem elásticos e sempre com o apoio de uma maioria da imprensa esportiva preguiçosa e imbecilizada, dizia que Veludo era reserva por ser negro e que Castilho era titular por ser branco. Simples assim. Essa teoria absurda encontra respaldo no livro de Mário Filho, O Negro no Futebol Brasileiro. Mário Filho é um escritor cujos textos têm que lidos com muito cuidado, pois ele cria narrativas. Ele se equivocou completamente quando escreveu que o Fluminense não apoiou Veludo e o dispensou por ser negro, forçando uma versão que não existiu, que acaba sendo repetida por gente que deveria se dar ao trabalho de pesquisar para não passar vergonha. Na verdade, o Fluminense sempre esteve ao lado de Veludo. No clube, todos sabiam do seu problema com a bebida, ao mesmo tempo em que se sabia que ele era um goleiro brilhante. Tão brilhante que só Veludo, mesmo sendo reserva no Fluminense, foi o segundo goleiro da Seleção Brasileiro na Copa do Mundo de 1954. O primeiro foi Castilho. Provavelmente, esse caso é único na história de todas as Copas, da mesma forma que, muito provavelmente, isso nunca mais se repetirá. Por isso que a tolerância com Veludo foi enorme: todos sabiam do seu brilhantismo, mas ficavam desconfortáveis com o seu problema com a bebida. Um jogador de linha pode falhar. Um goleiro, não.

 

Ao contrário do que se diz, a carreira de Veludo não acabou no Fla x Flu. Foi por isso que fiz questão de mostrar que depois deste jogo, ele ainda jogou contra Canto do Rio e Bangu. Depois de mais uma atuação ruim contra o Bangu, entendo que o clube, possivelmente liderado pelo técnico Gradin, e Veludo resolveram dar um tempo para que o goleiro colocasse a cabeça em ordem antes de retornar ao gol, tanto que ele contava com o goleiro para o jogo contra o Vasco. Ou seja, Veludo não estava descartado pelo clube, que ficou ao seu lado e o apoiou, diga-se de passagem, como sempre.

 

O que aconteceu antes do jogo contra o Vasco é um enigma, que, acredito, não será mais esclarecido pois todos os envolvidos já morreram. Quando se reconstrói a história dos últimos dias de Veludo no Fluminense, e se percebe que o clube contava com ele, apesar da fase terrível evidenciada pelas falhas no Fla x Flu e no jogo contra o Bangu, chega-se à conclusão de que alguma coisa séria aconteceu. E isso pode ter sido justamente o que Didi relatou na Bahia e foi publicado pelo Globo no dia 15/02/1956: antes do jogo contra o Vasco, pela última rodada da primeira fase, Veludo teria se desentendido com um diretor do clube e chegado às vias de fato. Depois dessa curta reportagem, não se tocou mais no assunto, nem mesmo para desmenti-lo.

 

Depois do jogo contra o Vasco, Veludo não foi mais considerado para atuar oficialmente pelo Fluminense. Contava-se com ele, e de repente, passou-se a não contar mais. Foi aí que sua carreira no clube efetivamente acabou, e não no Fla x Flu.

 

Eu nunca vi imagens do 6×1, nem mesmo do Canal 100. Se elas tivessem sobrevivido, acredito que elas já teriam aparecido. Nessas horas, é melhor assistir e tirar as suas conclusões. Tenho para mim que esse foi aquele jogo onde tudo deu muito certo para o adversário, enquanto tudo deu muito errado para o Fluminense. É importante lembrar que o Fluminense enfrentou o Flamengo três vezes nesse campeonato: no primeiro turno, no dia 11/09/1955, o Fluminense venceu por 2×1 com Veludo no gol. No terceiro turno, no dia 29/02/1956, o Fluminense venceu por 3×2, já com Jairo. Três confrontos, duas vitórias e uma derrota.

 

Da mesma forma que Veludo, um jogador espetacular dessa época teve sérios problemas com a bebida: Garrincha. O livro Estrela Solitária, escrito por Ruy Castro, é muito feliz em expor o uso da bebida pelos jogadores da época, em alguns casos, de forma descontrolada. Garrincha chegava a beber pinga na concentração em um copo de água. Segundo o livro, chegou a jogar de ressaca, das brabas, mas não bêbado. O cara era tão espetacular que mesmo assim entrava em campo e resolvia. Em compensação, sua carreira foi curta, de 1957 a 1962, da mesma forma que a carreira de Veludo. Depois de 1962, Garrincha foi apenas uma sombra do que havia sido.

 

Temos até mesmo casos recentes, envolvendo o próprio Fluminense. Há alguns anos o Fluminense tomou alguns gols num clássico em que perdeu feio de um jogador que horas antes estava em coma alcoólico e que só entrou em campo com doses cavalares de glicose. Recentemente, tivemos o caso de um jogador, já no final de sua carreira que teve alguns anos espetaculares, que ia treinar virado, da mesma forma que Veludo, com os olhos vermelhos e muitos copos de café.

 

Na FluFest de 2017, quem esteve nas Laranjeiras foi o goleiro Adalberto, Campeão Carioca de 1957 pelo Botafogo, justamente contra o Fluminense (o Botafogo venceu por 6×2 na última rodada dos pontos corridos com Castilho no gol). Fortemente associado ao alvi-negro, ele foi o terceiro goleiro do Fluminense na época de Castilho e Veludo. Adalberto ficou extremamente feliz com o convite e foi muito simpático com todos. Quando eu o encontrei, eu tinha vários temas para conversar: Veludo, Veludo e Veludo. Segundo Adalberto, Veludo foi treinar muitas vezes virado da noitada. E mesmo assim treinava bem. O problema é que ao mesmo tempo, seu concorrente para defender o gol do Fluminense era um caxias, que se cuidava e treinava mais duro ainda, pois sabia que seu reserva era melhor que ele. Castilho inspirava confiança. Foi por isso que foi titular e escreveu seu nome na história. Por mais brilhante que fosse, a bebida prejudicou muito Veludo.

 

Adalberto me contou que a última vez que viu Veludo foi próximo ao Maracanã no final da década de 1960. Estava chovendo, Veludo vinha caminhando, muito magro e segurando um guarda-chuva. Adalberto mal o reconheceu. Conversaram rapidamente, se despediram e seguiram seus caminhos. Não sabiam, mas se despediam para sempre.

 

Eu tinha muita vontade de gravar uma entrevista com o Adalberto sobre Castilho e Veludo. Hoje eu tenho condições de fazer isso com qualidade, mas o problema é que Adalberto foi embora em Abril de 2019, aos 87 anos (não aparentava). Com ele, também se foram todas as histórias que ele sabia sobre Veludo e que não foram registradas.

 

 

Links:

Campeonato Carioca de 1955 (link);

Campeonato Carioca de 1956 (link).

 

Agradecimentos: João Cláudio Boltshauser.

 

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.

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