O Texto “Origem da Federação Paulista de Futebol” foi extraído do livro “O caminho da bola” de Rubens Ribeiro, publicado em 2000 pela Federação Paulista de Futebol. Particularmente, considero esse livro a bíblia do campeonato paulista de futebol.

 

Em 1894, o paulista Charles Miller trouxe duas bolas da Inglaterra e assim começou o futebol no Brasil. O primeiro campeonato foi disputado em 1902, movimentando 5 clubes, C.A. Paulistano, São Paulo A.C., A.A. do Mackenzie College, S.G. Germânia e S.C. Internacional, e 3 campos, Parque da Antarctica Paulista, Velódromo e o gramado da Rua da Consolação, pertencente ao São Paulo.

Fundada em 1901, a Liga Paulista de Football comandou o certame até 1912, mas não evitou a cisão que ocorreria no ano seguinte.

Havia dois partidos entre seus dirigentes: um era favorável à seleção rigorosa de clubes e o outro achava que tanto o rico quanto o pobre tinham direito de praticar o futebol. Para fomentar ainda mais a cisão, ocorreu uma desinteligência entre a Liga e o Paulistano motivada por interesses econômicos: para o jogo Paulistano x Americano, a entidade proclamou o Parque Antarctica como seu campo oficial, com a discordância do Paulistano, que alegava já ter sido escolhido o Velódromo como local da partida. No domingo do jogo, o Paulistano ficou no Velódromo enquanto o Americano foi para o Parque Antarctica. O jogo acabou não sendo realizado e na semana seguinte a Liga julgou o caso e deu os dois pontos para o Americano. O Paulistano, incontinenti, saiu da Liga e convidou a A.A. das Palmeiras para fundar uma nova entidade, a Associação Paulista de Sports Athléticos.

Dessa forma, de 1913 a 1916 foram disputados dois campeonatos paralelos em São Paulo, um organizado pela Liga e o outro pela APEA, como ficou conhecida a nova associação.

Finalmente, em 1917, após várias tentativas de pacificação, o dissídio Liga x APEA chegou ao fim. Com a admissão de oito clubes da extinta Liga, a APEA passou a contar com 18 agremiações que foram separadas em duas divisões.

A situação continuou com relativa calmaria até 1926, quando o Paulistano resolveu se desligar da APEA, visando uma renovação de homens e costumes que estavam ditando as normas ao futebol. Imperava a indisciplina, a “politicalha” dos clubes e o falso amadorismo. Este último fato levou o Paulistano a propor a fundação da Liga dos Amadores de Football, que ficou conhecida como LAF.

O futebol paulista voltava a ter dois campeonatos simultâneos: um organizado pela APEA e o outro pela LAF. Durou quatro anos essa luta LAF x APEA (1926, 1927, 1928 e 1929), terminando somente em 1930, com a atuação decisiva do jornalista Cásper Líbaro. Tão logo isso aconteceu, alguns clubes da LAF (A.A. das Palmeiras, São Bento, S.C. Internacional e São Paulo A.C.) pediram filiação à APEA que concordou com o retorno dessas agremiações. Eram as primeiras e foram logo seguidas pelas demais da LAF.

O Paulistano, todavia fiel aos seus princípios, deixou o futebol, extinguindo também a entidade que havia fundado. Em 1933, as entidades paulista (APEA) e carioca (Liga Carioca de Futebol – LCF) aderiram ao profissionalismo, acabando de vez com o falso amadorismo, com o que não concordava a Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Esse fato provocou novos conflitos no seio futebolístico, agora no âmbito nacional.

A polêmica APEA-LCF x CBD estava no seu auge, quando este entidade pôs em jogo seus recursos. Arrancou primeiro da LCF o Vasco e depois o São Cristóvão e o Bangu. O Vasco acabou arrastando atrás de si o Palestra Itália e o Corinthians. Os clubes paulistas aceitaram porque, entre outras vantagens, a CBD prometia jogos internacionais, poder que não tinha a Federação Brasileira de Futebol (FBF), recém-fundada em São Paulo, com o intuito de representar o futebol brasileiro na FIFA.

A FBF  estava convicta de poder ganhar esse comando por se basear em artigo da FIFA, que só admitia filiação às entidades voltadas exclusivamente ao futebol, o que não ocorria com a CBD, que congregava todos os esportes.

Mas a cisão que havia no futebol paulista levou, incompreensivelmente, seus dirigentes a não darem o devido apoio à FBF, e a CBD se aproveitou do fato para aliciar o maior número possível de clubes, com os quais esperava ganhar o prestígio que vinha buscando. Foi por causa daquele artigo que a CBD, muitos anos depois, mudou sua estrutura e passou a se chamar Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Até essa mudança, ela pôde representar o Brasil em campeonatos do mundo, sul-americanos, etc, com registro provisório na FIFA.

Pretendendo usufruir das vantagens que a CBD oferecia, o Palestra Itália e o Corinthians resolveram sair da APEA e fundaram a Liga Bandeirante de Futebol, com a adesão de outros clubes paulistas como C.A. Juventus, São Paulo Railway A.C. (SPR), Hespanha F.C., Santos F.C., A.A. Portuguesa e, por fim, o São Paulo F.C.. Posteriormente, a Liga Bandeirante mudou seu nome para, novamente, Liga Paulista de Futebol, e patrocinou outro campeonato paralelo ao da APEA. Finalmente, em 1937, a LPF ficou sendo a única entidade, desaparecendo melancolicamente a APEA, que já não tinha mais forças para subsistir. Em 1938, a LPF passou a se denominar Liga de Futebol do Estado de São Paulo. Com o advento do Estádio Municipal do Pacaembú, em 1940, o futebol paulista tomou impulso extraordinário. Sua inauguração se deu no dia 28 de abril com o jogo Palestra Itália 6×2 Coritiba, seguido de Corinthians 4×2 Atlético-MG, sendo esta data um verdadeiro marco para o nosso futebol.

A esse impulso somou-se outro fato importante.

Em 1941, aconteceu um novo e decisivo capítulo na história do futebol brasileiro com a oficialização federal através do Decreto nº 3.199, que criou o Conselho Nacional de Desportos, o CND.

Com a oficialização, os nomes das entidades passaram a ser estandirzados. Foi assim que, em São Paulo, o organismo que iria superintender o futebol passou a se chamar Federação Paulista de Futebol, como a conhecemos até hoje. Devido às inúmeras normas exigidas pelo CND, as dependências da FPF ficaram acanhadas para abrigar os vários departamentos a serem criados. Por isso, enquanto continuava instalada em prédio alugado, seus dirigentes passaram a procurar um imóvel onde pudessem erguer sua sede própria. A escolha recaiu sobre um terreno que havia na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, no Centro. Durante a gestão do presidente Antonio Ezequiel Feliciano da Silva, o terreno foi adquirido no dia 28 de outubro de 1946.

Seguiu-se, então, a fase do projeto e da construção de um prédio de 11 andares, que recebeu o número 917 da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A sede própria da FPF foi inaugurada em 27 de dezembro de 1950, pelo então presidente Roberto Gomes Pedroza, cujo nome foi dado ao edifício.

 

International Board

Para aprimorar as regras do futebol e fazer com que fossem respeitadas, os ingleses fundaram em 1892 o International Board, órgão que continua até os nossos dias mundialmente reconhecido como autoridade máxima para alterar as regras do jogo e para instruir os árbitros.

 

As origens do futebol

Desse retrospecto deduz-se que “Soule” foi o pai do futebol. No entanto, durante muitos anos a origem do “esporte das multidões” foi tema de muita indagação. Além dos registros do “Kemari”, “Epyskiros” e do próprio “Soule”, na Inglaterra contava-se uma velha história da disputa de uma partida, cuja bola teria sido o crânio de um soldado romano morto em combate. Se ela for verdadeira, os ingleses terão superado o “Calcio” dos italianos de Florença.

Concluindo este capítulo, não devemos nos esquecer de registros obtidos na América, onde os antigos habitantes (Maias, Astecas, Zapotecas, etc) também praticavam certo tipo de jogo de bola, o mesmo acontecendo com os colonizadores do Novo Mundo.

 

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense, gosta de história e é admirador de Rubens Ribeiro, com quem já teve a honra de conversar.