Este artigo é composto pelos textos do livro “O caminho da bola” de Rubens Ribeiro, publicado em 2000 pela Federação Paulista de Futebol, que explicam em detalhes as três cisões do campeonato paulista de futebol: 1913, 1914, 1915 e 1916; 1926, 1927, 1928 e 1929, e 1935 e 1936.

 

A primeira cisão: 1913, 1914, 1915 e 1916

Cisão no futebol paulista (1913)

O prestígio do paulistano dentro da liga era um fato incontestável. A denúncia do falso amadorismo, provocado com a vinda dos irmãos A. e J. Bertone para o Americano, mero pretexto. Mas houve uma crise no futebol paulista que poderia ter sido facilmente superada se tivesse havido tato por parte das pessoas que nela se envolveram. Ela começou com um conflito de opiniões (argumento) e se consolidou por interesses financeiros (fato).

Ocorreu primeiro uma divergência entre os membros da Liga, que resultou na formação de dois grupos antagônicos; um deles exigia que o futebol continuasse sendo esporte de elite, permitindo apenas para jogadores “delicados e distintos” (conforme a expressão da época), enquanto outro lutava contra o exclusivismo sob o argumento de que “tanto o rico, quanto o pobre têm o mesmo direito de praticar o futebol”.

A seleção de jogadores parecia uma imposição absurda, uma vez que muitos operários possuíam também boa formação moral, sabendo se portar como rapazes da elite. Mas, o grupo que defendia o elitismo rebatia a ideia com a afirmativa de que “maus elementos existem em todas as classes, mas é inegável que o proletariado possui em maior número”.

A semente da discórdia, que geraria a cisão, estava lançada. Faltava agora o motivo maior para que ela acontecesse. E o motivo foi puramente financeiro.

Um dos artigos do estatuto da Liga Paulista de Futebol dava-lhe o direito de definir o campo oficial da entidade para jogos em que não houvesse comum acordo entre os clubes para escolha do local da disputa. Em 1913, o Paulistano estipulou a taxa de 200 mil réis de aluguel por jogo a ser disputado no Velódromo. A Liga protestou contra o valor, mas João Didier, tesoureiro do Paulistano, não recuou, acreditando no prestígio do clube.

O silêncio da Liga, que se seguiu a tal imposição, foi interpretado pelos demais filiados como um fim em questão. Acreditavam que a entidade havia cedido as pretensões do clube do Jardim América. O que poucos sabiam é que a Liga já tinha tomado outras providências.

Nessa época, tal como ocorria no interior com a chegada dos circos, os melhores jogos eram anunciadas através de cartazes pregados em postes e muros, já que a imprensa dava pequenas notas. Por ocasião da partida Paulistano x Americano, os clubes já tinham providenciado a costumeira publicidade, fixando os cartazes nos bondes, muros, etc, confirmando o local do encontro: Velódromo.

Foi quando surgiu um imprevisto.

Quatro ou cinco dias antes da partida, diretores do Americano oficiaram ao Paulistano de que seu clube não iria atuar naquele estádio e que só participaria do jogo se fosse realizado no Parque Antárctica, Estádio do Germânia. O Paulistano não aceitou a mudança e confirmou: “nossas equipes não jogarão em outro estádio que não seja o Velódromo”.

Como os dois clubes não abriram mão daquilo que haviam decidido, aconteceu que o Paulistano ficou aguardando seu adversário no Velódromo e o Americano no Parque Antárctica. Como o jogo não se realizou, a Liga teria de penalizar uma das equipes por não comparecimento, e o Paulistano foi considerado o perdedor.

Posteriormente, ficou-se sabendo que o Americano seguiu instruções da própria Liga, que acertou o contrato com Germânia, através do qual o Parque Antárctica havia sido alugado por 200 mil réis mensais.

A economia que este contrato trouxe para os clubes não possibilitava nenhuma contra argumentação. Porém, quando essa trama ficou bem clara, o Paulistano se sentiu traído e oficiou à Liga que, a partir daquele momento, não mais se considerava parte da entidade.

Para evitar a dissolução da sua equipe, o Paulistano passou a aliciar outros clubes com fito de fundar um novo órgão que viesse a dirigir o futebol de São Paulo. Ausente do campeonato desde 1911, A.A. das Palmeiras foi a primeira a aderir ao movimento através do seu diretor Edgard Nobre, no que foi acompanhado por João Bierrembach e Aristides Machado, sócios do Mackenzie, que também estavam desgostosos com as últimas decisões da liga.

Após uma série de reuniões, estes homens decidiram pela fundação da Associação Paulista de Esportes Atléticos, ato que foi precedido de uma reunião em 2 de abril de 1913 no escritório de Aimoré Pereira Lima, localizado na travessa do Comércio. Nessa reunião, além dos já citados, compareceram Antônio Lelchert Neto, Augusto Brant de Carvalho, Rubens Salles, Pedro Arrizabalaga, João da Cunha Bueno, Raul Guimarães, Carlos Whatelly e Gordinho Cerqueira. A reunião foi presidida por Brant de Carvalho e, aprovada a sua exposição, João Didier sugeriu aquele nome à nova entidade. Em seguida foi nomeada uma comissão para elaborar os estatutos e convocada assembléia inaugural para dois dias depois.

Foi assim que naquele mesmo local da reunião surgiu no dia 24 de abril de 1913 a APEA, constituindo-se na oportunidade a diretoria com Antonio Prado Júnior (presidente), Rufus H. Lane (vice), Edgard Nobre de Campos (primeiro secretário), Aristides Bastos de Machado (segundo secretário), A. Aymoré Pereira Lima (primeiro tesoureiro) e Raul Guimarães (segundo tesoureiro).

A fundação da APEA na verdade mexeu com o futebol, quebrando o rotineiro desempenho da Liga. Agora as duas entidades passariam a se esforçar na intenção de fazer o melhor em favor de seus filiados, promovendo a vinda de equipes estrangeiras e permitindo a excursão de equipes paulistas ao exterior.

Coube ao S. C. Americano efetuar o primeiro jogo fora do Brasil, ao aceitar o convite para uma curta temporada em Buenos Aires e Montevidéu, para a qual conseguiu um reforço de uma dupla terrível na época, Freidenreich e Formiga, este último ainda um garoto que começara a ganhar destaque no C.A. Ipiranga. No primeiro jogo disputado em Buenos Aires, o Americano surpreendeu a todos como a vitória sobre um combinado argentino, perdendo as demais partidas, uma em Buenos aires e duas em Montevidéu. Apesar dessas derrotas, a vitória do jogo de estréia teve enorme repercussão.

Em São Paulo iniciaram-se os jogos internacionais de 1913 no dia 24 de julho, com a participação de um combinado português formado por jogadores do Benfica, Lisboa, Tiro e Sporting. Mas a presença mais importante foi a do Corinthians Casuals que, voltando a São Paulo, constatou o fato de que aquele futebol incipiente que aqui encontrara em 1910 já não existia. Conseguiu duas vitórias, uma fácil e outra difícil, mas teve de aceitar um empate por 1×1 contra o Palmeiras, que jogou reforçado por Rubens Salles. Este foi o jogador brasileiro que mais impressionou os ingleses.

Desse contato com futebol inglês, iniciado em 1910, dois excelentes jogadores e transferiram para o Brasil em 1913, Welfare, que foi para o Fluminense do Rio, onde encerrou sua carreira, e Mac Lean, que ingressou no Americano. Ambos marcaram indelevelmente suas passagens pelo futebol brasileiro, principalmente Mac Lean, considerado um verdadeiro estilista da bola e que teve mais projeção do que o Welfare. Ao lado do seu patrício Hopkins, ele formou uma das melhores alas da seleção paulista durante os anos em que se seguiram, mantendo-se como titulares até 1916.

Após rápida passagem pelo Wanderers, Mac Lea se transferiu para o São Bento, onde encerrou sua carreira em 1920.

 

Dois campeonatos

A cisão provocou a formação de dois grupos de clubes que se filiaram separadamente às duas entidades. Consequentemente, aconteceu em 1913 dois campeonatos: um organizado pela Liga Paulista de Futebol e outro pela Associação Paulista de Esportes Atléticos. O campo oficial da Liga ficou sendo o Parque Antárctica, e o da APEA, o Velódromo.

O Paulistano era o clube que sustentava o prestígio da APEA, o mesmo ocorrendo com Americano em relação à Liga.

Ultimada a preparação dos dois certames, cada entidade passou a lutar pelo maior prestígio. A primeira iniciativa nessa competição foi atrair para o seu seio o recém-fundado Santos F.C..

Os problemas que se seguiram à cisão foram compensados por algumas vantagens para o futebol paulista, como o incremento do intercâmbio internacional, pois no afã de ganhar a hegemonia do futebol, as duas entidades não mediram esforços para oferecer o melhor espetáculo ao seu público.

A vantagem maior foi a quebra de uma tradição com a abertura que se deu àqueles clubes de menor expressão que lutavam há muito tempo por uma vaga no campeonato principal da cidade.

Com a criação da APEA, todos os clubes viam facilitadas sua inscrições na Liga que deixara de lado a imposição de que o futebol era um esporte de elite, que só poderia ser praticado por rapazes distintos, de fino ambiente familiar, etc. Esse preconceito já havia sido rompido em 1910 pelo C.A. Ipiranga clube que formou sua equipe com “rapazes do comércio”. As equipes de moços acadêmicos já iam se tornando coisas do passado.

A APEA bem que tentou evitar essa miscigenação. Pagou seu preço por isso pois seu campeonato foi iniciado com apenas três clubes, Mackenzie, Paulistano e Palmeiras. Este último sagrou-se campeão e conquistou a Taça Jockey Clube pela categoria principal, enquanto o Mackenzie foi proclamado campeão pelo Segundo Quadro.

Depois de iniciado esse certame, ao se dar conta do seu isolamento, a APEA deixou de lado a ideia do elitismo e aceitou a inscrição de dois novos clubes no decorrer do campeonato, o Ipiranga e o Scotch Wanderers, este último fundado por antigos jogadores do São Paulo Athletic.

 

A fusão Liga e APEA (1917)

A convite da APEA, esteve em São Paulo a equipe uruguaia do Dublin F.C., para uma série de jogos amistosos disputados no início de 1917.

Antes da viagem de retorno ao seu país, os dirigentes desse clube, interessados em mediar a pacificação entre a Liga Paulista e a APEA, se propuseram a colaborar nesse sentido. Juan Barbat e Geraldo Sienra, respectivamente presidente e secretário do Dublin, reforçados pelo apoio do jornalista Cásper Líbero e pelo então prefeito Washigton Luiz, conseguiram reunir os homens das entidades litigantes. Compareceram à reunião Oscar Porto (presidente), Mário Cardim (vice) e Juvenal A. de Carvalho (secretário-geral) pela Liga, e Benedicto Montenegro (presidente), Edgard Nobre de Campos (primeiro secretário), Antônio Pedroso de Carvalho (segundo secretário) e Manuel Marques (tesoureiro) pela APEA.

O histórico encontro ocorreu no dia 13 de janeiro de 1917 e nele ficou decidido que o futebol paulista passaria a ser dirigido pela APEA, que concordava em aceitar Corinthians e Internacional na primeira divisão do seu campeonato, além de se comprometer em reunir os demais clubes da Liga em outras divisões. Dessa forma, o S.C. Alumny, União Lapa F.C., Paysandu F.C., A.A. Campos Elíseos, G.A. Vincentino, S.C. Americano, Ítalo F.C. e o Minas Gerais F.C., formaram a Segunda Divisão. Para terceira divisão foram levados S.C. Luzitano, Ruggerone F.C., Antárctica F.C., Athético Brasil F.C., Itália F.C., Japão F.C., União Brasil F.C. e Fluminense F.C..

O acordo foi ratificado em Assembléia Geral realizada no dia 18 do mesmo mês e segundo suas cláusulas, os jogadores que estavam inscritos na Liga ganharam a liberdade para escolher um novo clube, se assim desejassem.

Disso se aproveitou o Palestra Itália que foi buscar os reforços que necessitava, trazendo para sua equipe Ministro, Picagle, Caetano, Pedretti, Martinelli (do Ruggerone), Bertolini (de Jundiaí), Fabbi (de Piracicaba), Grimaldi, Severino (do Campos Elísios) e Fiore (do lusitano). Esses atletas se juntaram num time que já contava com o garoto Ettore, que mais tarde seria o famoso artilheiro Heitor.

Finalmente se alcançara a paz no futebol paulista.

Tomada pelo clima de euforia que se seguiu ao acordo, a APEA distribuiu relatórios aos clubes para lembrar a importância do restabelecimento das relações internacionais do futebol brasileiro e a necessidade do reconhecimento da Federação Brasileira de Futebol pela Confederação Sul-Americana de Futebol.

 

Os campeões pela APEA foram Paulistano (1913), São Bento (1914), A.A. das Palmeiras (1915) e Paulistano (1916). Já pela Liga Paulista de Futebol, os campeões foram Americano (1913), Corinthians (1914), Germânia (1915) e Cortinthians (1916).

Os campeonatos desse período foram todos disputados por pontos corridos. Com raras exceções, esse foi o sistema de disputa adotado pelo futebol paulista até 1972. Em 1914, o campeonato da APEA teve um confronto direto em sua última rodada, 01/11/1914, que decidiu o título: o São Bento, 13 pontos, venceu o Paulistano, 14 pontos, por 2×1 e se sagrou campeão paulista.

 

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1913.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1914.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1915.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1916.htm

 

 

A segunda cisão: 1926, 1927, 1928 e 1929

APEA fica sem três. Surge a LAF (1925)

A Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) ficou mais fraca a partir de 1925, com a desfilização de três de seus mais tradicionais clubes: Paulistano, Palmeiras e Germânia.

Devido à excursão do Paulistano à Europa, o campeonato desse ano foi disputado em um único turno e só não fracassou porque o desligamento desses clubes (com exceção do Palmeiras) aconteceu depois do seu encerramento.

O Palmeiras pediu desfiliação logo no início da temporada, sob a alegação de que “conveniências particulares aconselhavam o clube a abandonar o futebol”.

Por ter sido um dos fundadores da APEA, esperava-se algum movimento visando convencer os palmeiristas a reconsiderarem aquela decisão. A APEA não esboçou nenhum gesto para manter seu filiado na ativa e, como ninguém se manifestou, o pedido foi votado e encaminhado à APEA, que o acolheu e concordou com a desfiliação.

Enquanto a saída do Palmeiras foi cercada de indiferença, a do Paulistano resultara de conflito entre o clube e a APEA. Entendiam os diretores do Paulistano que, desde a sua exigência pela reformulação do código disciplinar, iniciara-se uma guerra surda entre a entidade e seu filiado, e que as alfinetadas que o Paulistano recebia constantemente nada mais eram do que testes de força.

Ocorrências de menor importância se verificaram entre o clube e a APEA, até que no dia 15 de outubro, o Paulistano foi surpreendido com a negativa de registro do goleiro Nestor de Almeida. A APEA justificou que o atleta não havia cumprido o prazo de dois anos entre um contrato e outro, conforme estabelecia o antigo estatuto, enquanto o clube insistia na transferência com base no novo estatuto, que lhe dava esse direito.

Começou aí um novo e sério desentendimento, principalmente porque os dirigentes do Paulistano desconfiaram de que a APEA etava sendo manipulada por diretores de outros clubes, como o Palestra, que conseguiu a liberação de Amílcar após cumprir o prazo de um ano desde que deixou o Corinthians.

Finalmente, problemas de arbitragens completaram a série de insatisfações (o último e decisivo jogo do Paulistano contra o São Bento não chegou ao seu final), o que levou o clube a se reunir e decidir pelo seu afastamento da APEA. No dia 9 de novembro, o Paulistano enviou o ofício assinado pelo seu presidente, Antônio Prado Júnior, pedindo o seu desligamento, no que foi atendido.

Seguindo esse exemplo, Max Engelhardt, então presidente do S.C. Germânia, fez o mesmo. Como justificativa, alegava a falta de ética com que o clube fora tratado após recurso que encaminhara contra resultados dos jogos disputados nos dias 7 e 28 de julho. O ofício dizia que o Germânia havia sido prejudicado pela arbitragem e, além disso, punido com a perda de pontos e suspensão de 30 dias.

Após receber o ofício, a APEA, de forma um tanto esquisita, como se pretendesse ganhar as simpatias do clube, resolveu reconsiderar suas decisões e devolveu os pontos ao Germânia. Mas fez isso somente em outubro, quando em nada alteraria a classificação dos principais interessados no campeonato.

E foi assim que, liderados pelo Paulistano, os três clubes fundariam logo a seguir a Liga de Amadores de Futebol (LAF), que promoveria, a partir do ano seguinte, um campeonato paralelo ao da APEA.

Fundada no dia 3 de dezembro, a Liga teve sua sede instalada à Rua João Brícola nº 12. Nessa mesma data, foi eleita por aclamação a diretoria que iria dirigi-la durante o período 1925 – 1930: Antônio Padro Júnior (presidente); Raphael Sampaio, Gastão Rachou e G. Machado Kawall (vices); Mario Sergio Cardim (secretario geral); F. Gama Júnior e Arthur Ravache (1º e 2º secretários), Manoel Augusto Marques e A. Holland (1º e 2º tesoureiros).

 

Os estertores da LAF (1929)

Em 1929, a LAF já estava com seus dias contados. A supremacia da APEA era inconteste, o que foi provado com a grande promoção de jogos internacionais que a obrigou a interromper seu campeonato do dia 16 de junho a 15 de agosto, período em que promoveu amistosos com grandes equipes como Rampla Júnior, Ferencvaros (Hungria), Chelsea (Inglaterra), Bologna (Itália) e Vitoria de Portugal. Não bastassem esses espetáculos, coube ao selecionado da APEA representar São Paulo no Campeonato Brasileiro. Para não ter seu campeonato totalmente esvaziado, a LAF promoveu um amistoso entre seu relacionamento e o da Associação Metropolitana de Esportes Athléticos do Rio de Janeiro (AMEA), o que não foi suficiente para o brilho de suas promoções.

Essa situação de desprestígio refletiu nos seus filiados, que já começavam a tratar de se mudar, caso da A.A. das Palmeiras que, a fim de garantir uma vaga no próximo campeonato da APEA, pediu desfiliação. A decisão tomada pelo Palmeiras, num momento em que disputava o campeonato da LAF, tinha justificativa. A APEA já havia anunciado que o seu certame seria disputado com o máximo de dez clubes e o Palmeiras tratou de garantir a sua vaga. No dia 17 de novembro, a APEA distribuiu comunicado informando que após reunião extraordinária realizada no dia anterior, decidiu aceitar a volta do Palmeiras por considerar esse clube um dos fundadores da entidade.

Antes mesmo da série de jogos internacionais programada pela APEA, a pacificação no futebol paulista já era esperada a qualquer momento. Em 18 de maio, Gastão Rachou, Francisco de Vivo, Guilherme Machado Kawall e Afrânio Lessa, ligados à LAF, publicaram uma declaração nos jornais dando como certa a fusão entre as duas entidades. Nessa publicação, fizeram duas propostas iniciais: a de se criar a Federação Paulista de Futebol com as cores da bandeiras paulista e de se disputar o campeonato com doze clubes, sendo seis da LAF e seis da APEA.

Finalmente, com a ingerência do jornalista Cásper Líbero, o futebol paulista deu o passo definitivo da pacificação alguns dias antes do Natal de 1929. Houve importante reunião no prédio do Jornal “A Gazeta”, onde se decidiu praticamente tudo. Após essa reunião, o São Bento, Internacional e o C.A. Santista seguiram os passos da A.A. das Palmeiras e pediram filiação à APEA.

 

 

Morre a LAF e nasce o São Paulo (1930)

Finalmente, depois de quatro anos de desentendimentos, o futebol paulista conseguiu superar cisão e encontrar a paz. Guilherme Machado Kawal e Manuel Augusto Marques, representando a Liga de Amadores de Futebol, comandaram a Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 8 de janeiro de 1930. Estiveram presentes representantes do Paulistano, Ponte Preta, Germânia, Britânia, independência, Antárctica, Paulista, Hespanha e das demais divisões da LAF. Por maioria de votos, foi decidida a dissolução da Liga.

A Ponte Preta foi o clube que mais sentiu os efeitos dessa decisão. Com a extinção da LAF, ficou desamparada porque essa diretoria não conseguiu filiação junto a APEA. E, para aumentar ainda mais o impacto negativo que se seguiu àquela assembléia, seu eterno rival, Guarani F.C., mantinha-se como integrante da APEA, garantindo sua presença no campeonato que estava prestes a ser iniciado.

Marcada a assembléia para o dia 18 de janeiro, foi discutido a possibilidade de se dissolver o clube, chegando mesmo a diretoria a se demitir coletivamente. O clube só não acabou porque a imprensa entrou firme na questão e incentivou a inscrever a “Veterana” em qualquer divisão da APEA. O importante era não deixar o clube morrer. E isso, felizmente, foi conseguido.

O outro clube que sofreu imediata consequências da dissolução da LAF foi o C.A. Paulistano. Este, ao contrário da Ponte Preta, tinha infra-estrutura para se manter e não dependia mais do futebol. Foi para aquela assembléia com decisões definidas. Como seu ponto de vista foi vencido, cumpriu o que eu já estava estabelecido: extinguiu o seu departamento de futebol, ao mesmo tempo em que liberava seus jogadores para ingressarem no clube desejassem.

A liberação foi aproveitada de outra forma, por aqueles que não concordavam com a extinção do futebol do Paulistano. Lideraram movimentos em favor da fundação de um novo clube que viesse a substituir o “Glorioso”. Eles se uniram aos da A.A. das Palmeiras (também em vias de extinção), aos do Clube Rubens Salles e alguns do São Bento e decidiram fundar o São Paulo Futebol Clube, no dia 27 janeiro de 1930, em reunião efetuada na Praça da República nº 28, sob a presidência de João de Oliveira Barros. Decidiram ainda que o campo da antiga Chácara da Floresta (usado pelo Palmeiras), passaria para o São Paulo, sobre a condição de que se procedesse melhorias no local. Na escolha das cores do novo clube, valeu também a fusão do Paulistano (branco e vermelho) e Palmeiras (preta e branca). Foi pura coincidência, mas muita gente pensa, até hoje, que o São Paulo adotou as cores da bandeira paulista, o que não é verdade.

A primeira diretoria do São Paulo Futebol Clube foi esta: Edgard de Sousa (presidente), Alberto Caldas (1º vice), Gastão Rachou (2º vice), Benedicto Montenegro (3º vice), Lauro Gomes (secretário-geral), Luiz de Barros (1º secretário), José Martins Costa (2º secretário), João da Cunha Bueno (1º tesoureiro) e Caio Luiz Pereira de Sousa (2º tesoureiro).

No primeiro treino, realizado no dia três fevereiro, os jogadores do novo clube se utilizaram de camisas do Paulistano e do Palmeiras. Em menos de um mês, o São Paulo fez as benfeitorias exigidas no Campo da Floresta e foi além. No dia 13 de março, iniciou um sistema de iluminação que iria permitir jogos noturnos. Esse sistema foi inaugurado no dia 3 de junho, com o amistoso Palestra Itália x Ex-alunos do Mackenzie.

A inovação trazida pelo São Paulo F.C. foi aproveitada pelo Santos, que mandou iluminar seu estádio, em novembro deste ano. Nesse mesmo mês de janeiro, em que nasceu o São Paulo forte de Nestor, Clodô, Freidereinch, Mario Andrada e outros do Paulistano, o futebol de Piracicaba se enriquecia com a criação da Liga Esportiva Piracicabana, antigo anseio do E.C. XV de novembro, que contou com importante apoio do “Jornal de Piracicaba” e dos clubes A.A. Luiz de Queiroz, São José E.C., 28 de setembro F.C., Ipiranga, Fluminense e F.C. Avenida F.C., Independente F.C., Sorocabana F.C., Monte Alegre F.C.,  União Porto F.C. e Sociedade dos Motoristas. Seu primeiro presidente foi Guilherme Ribeiro.

 

Os campeões pela APEA foram Palestra Itália (1926 e 1927) e Corinthians (1928 e 1929). Já pela LAF, os campeões foram Paulistano (1926, 1927 e 1929) e Internacional (1928).

Em 1927, o campeonato paulista da APEA foi o primeiro a ser decidido em um quadrangular final devidamente previsto no regulamento. Esse tipo de decisão somente voltaria a ser utilizada em 1969 e 1997.

Em 1928, o campeonato da LAF foi o sexto campeonato paulista a ser decidido por um jogo-extra, depois que Internacional e Paulistano terminaram o campeonato empatados com 33 pontos. No dia 30/12/1928, o Internacional venceu o Paulistano por 2×0 e se sagrou campeão paulista.

O Paulistano, clube que extinguiu seu departamento de futebol em 1929, segue como o quinto maior campeão paulista de todos os tempos, com 11 títulos. Curiosamente, o Paulistano foi derrotado em todas as partidas extras que disputou para definição do campeão: 1902, 1903, 1904, 1909, 1920 e 1928 (LAF). Ele também foi derrotado nas duas decisões que disputou dentro do sistema de pontos corridos: 1914 (APEA) e 1925.

 

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1926.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1927.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1928.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1929.htm

 

 

A Terceira Cisão: 1935 e 1936

Palestra funda a Liga (1935)

Pressentindo o risco que corria com a concorrência que a Federação Brasileira de Futebol lhe movia, a CBD decidiu-se por uma firme campanha de aliciamento de grandes clubes do futebol brasileiro. Para isso, utilizou-se do forte argumento de que somente ela estava autorizada a promover jogos internacionais no Brasil.

De início, conseguiu as adesões do Vasco da Gama, São Cristóvão e Bangu e, através do primeiro que exercia forte influência no futebol paulista, arrastou o Palestra e o Corinthians.

Isso aconteceu quando em São Paulo se disputava o “Torneio dos Cinco Clubes”, acenando aos dois clubes da Capital a possibilidade de participarem de confrontos internacionais, promoção para a qual a FBF estava despreparada. Aos se desligarem da APEA, Palestra e Corinthians se recusaram a jogar contra Santos e Portuguesa por aquele torneio e deixaram claro que só voltariam a disputar o campeonato paulista se a APEA de filiasse novamente a CBD. No dia 11 de dezembro de 1934, o Palestra Itália fez publicar na imprensa um comunicado, no qual anunciava ter-se desfiliado da APEA, juntamente com o Corinthians, e que fundava, sob o reconhecimento da CBD, a Liga Bandeirantes de Futebol. O comunicado continha texto não muito claro que justificasse a atitude assumida, dando a impressão de que seu autor se preocupou mais em rebuscar palavras de pouco uso do que, na verdade, explicar o real motivo que levou o clube a fundar aquela Liga.

Deixa entrever uma represália à suspensão que a APEA pretendia aplicar a Dante Delmanto, ex-presidente do Palestra, e é mais claro quando diz que a APEA pretendeu “apequenar-lhe o quadro social, com a ilegal cobrança de ingressos aos sócios, como se fez e consumou-se neste torneio extra”.

Mais adiante faz uma ressalva, que não pretendeu erguer-se contra os clubes da APEA ou da Liga Carioca de Futebol mas que, “como não conseguiu a pacificação geral como era seu primeiro e melhor escopo, o Palestra Itália viu-se forçado a desistir, por reconhecer que contra as suas intenções se erguia uma trama apenas de interesse, que negavam a necessidade de uma pacificação. Por isso, nada mais restava ao Palestra Itália a não ser desligar-se e fundar a nova Liga”.

E concluiu o comunicado:

 

“Isto se fez, afinal. O Palestra, agora mais reconhecido pelo reconhecimento internacional, propõe-se a lançar-se aos seus intransferíveis e grandiosos empreendimentos. Viva o Palestra. Viva São Paulo.

São Paulo, 10 de dezembro de 1934″.

 

Essas constantes lutas políticas, gerando seguidas cisões nas quais despontava a intransigência de uns e a vaidade de outros, formou os maiores e mais funestos entraves para o desenvolvimento do futebol até aquela data. A balbúrdia estava formada nos dois maiores centros do País, com duas entidades paralelas promovendo campeonatos, cada uma delas querendo manter os melhores clubes como filiados: em São Paulo, a APEA e a Liga Bandeirante de Futebol; no Rio, a AMEA e LCF.

A Liga Bandeirante, que teve como primeiro presidente o palestrino Pedro Baldassari, alterou sua denominação no dia 11 de fevereiro de 1935 para Liga Paulista de Futebol, nome que manteve até 1938, quando ao fazer fusão com a APEA, passou a se chamar Liga de Futebol do Estado de São Paulo.

Na Liga filiaram-se de imediato o Juventus, São Paulo Railway (SPR), Hespanha, Santos, Portuguesa Santista e, por fim, o São Paulo F.C.. Depois, ela incentivou seus filiados a tirar os melhores jogadores de clubes não ligados à entidade. O Palestra tomou da Portuguesa de Esportes os jogadores Batataes, Machado e Nico, e o exemplo foi seguido pelo Corinthians, que ficou com Brandão.

Cumprindo o que prometera, a CBD promoveu uma temporada internacional, altamente dispendiosa aos seus filiados, trazendo de Buenos Aires as equipes do River Plate e do Boca Juniors. Foi uma despropósito para a época pois cada jogo custou a entidade cerca de 40 contos de réis.

O São Paulo, depois de alguma indecisão, aderiu e tomou parte da temporada, o que lhe custou muito caro. A decisão tomada pela diretoria gerou tremendo caos dentro da coletividade tricolor onde uma ala permanecera contrária à adesão à CBD.

 

Decadência da APEA (1937)

A arregimentação dos clubes que disputaram o campeonato de 1936 da APEA, foi uma demonstração do esvaziamento que grassava a entidade. Excetuando-se Portuguesa e Ipiranga, as demais equipes, além de pouco conhecimento, haviam apresentado baixo nível técnico.

Já seria, pois, de esperar pelo fim da tradicional associação, o que viria a acontecer em 1938. Antes que isso acontecesse, em 1937, voltou a reinar a paz no futebol de São Paulo, com os tradicionais clubes cingindo-se em torno da Liga Paulista de Futebol. Depois de três anos de divergências por causa do profissionalismo, os dirigentes entraram em acordo e São Paulo voltou a contar com um único campeonato a partir deste ano.

Porém, para a Portuguesa e para o Ipiranga, a pacificação teve um alto custo.

Enquanto os demais clubes, pressentindo o esvaziamento gradativo da APEA, trataram de se filiar à Liga Paulista de Futebol, a Lusa e o “Vovô da Colina Histórica” insistiram em manter sua fidelidade à associação. Logo depois de ter iniciado o campeonato da Liga, e como a APEA não programou o seu, esses dois clubes tiveram de amargar toda a temporada de 1937 sem atividade oficial, sendo admitidos no campeonato da Liga somente no ano seguinte.

Mesmo com a APEA à beira da extinção, foi com muita relutância que a Portuguesa se filiou à Liga Paulista. Seu desligamento da antiga entidade só aconteceu no dia 16 de agosto, durante importante reunião do Conselho Deliberativo, onde 138 associados votaram pela sua filiação à Liga, contra 23.

Foi a partir destes últimos anos que o futebol paulista passou a merecer especial atenção das autoridades públicas e, com isso, iniciar a caminhada a passos largos para uma nova fase.

Acompanhando sua evolução, a Prefeitura de São Paulo iniciou a construção do mais moderno estádio de futebol do país, o Pacaembú. Em fins de 1937, as obras desse estádio já estavam bem adiantadas. As fotos publicadas na imprensa mostram que as arquibancadas descobertas já estavam completas e que a curva, onde se situariam os portões de entrada, estava em fase bem avançada.

 

Fim da Última Cisão (1938)

Ao se iniciar o ano de 1938, havia uma preocupação para que o futebol brasileiro entrasse em completa harmonia. Era o ano em que seria disputado o terceiro campeonato mundial, programado para a França, e a CBD pretendia evitar o risco do fracasso verificado na copa anterior. [1]

São Paulo contribuiu com a sua parte, ao encerrar o litígio que havia entre os clubes que defendiam o profissionalismo e o amadorismo. Os dirigentes se entenderam e efetuaram a fusão da Associação Paulista de Esportes Atléticos com a Liga Paulista de Futebol, da qual surgiu uma terceira entidade, a Liga de Futebol do Estados de São Paulo. Esta seria a patrocinadora do campeonato até 1941, quando então, por força de Lei Federal, surgiria a Federação Paulista de Futebol.

Por causa do campeonato mundial, a Liga programou para 1938 apenas um turno para o campeonato paulista.

Neste ano, aconteceu outra importante fusão, a do São Paulo F.C. com o C.A. Estudantes Paulista, antiga pretensão dos dois clubes. Assim, de um momento para o outro, reforçado por excelentes jogadores, o São Paulo se via transformado num dos mais fortes times do campeonato.

Por causa dessa fusão, o Estudante Paulista disputou um único jogo nesse certame.

No entanto, aos mesmo tempo em que reforçava seu elenco, o São Paulo foi surpreendido pelo arqueiro King que inexplicavelmente se deixou aliciar por emissários dos Flamengo do Rio de Janeiro. Estes, para justificar a transferência do jogador, apresentaram-no ao clube carioca como amador, livre de compromisso com o São Paulo, o que não era verdade, pois King já havia até recebido parte das luvas para renovar seu contrato com o Tricolor.

Este caso ficou muito complicado, a ponto do jogador só retornar ao time do São Paulo num torneio amistoso disputado em julho.

Outros jogadores que estiveram na mira do mesmo emissário foram Araken do Estudante Paulista e o goleiro Rato da Portuguesa de Santos.

Nesta ano, o Campeonato Paulista ganhou um novo estádio, o do São Paulo Railway (SPR), localizado na Rua Comedador Cantinho, como era chamada a hoje Rua Comendador Souza.

Para evitar contestações de arbitragens, a Liga determinou uma nova forma para escolha do apitador. Deixou o trio de arbitragem escalado antecipadamente, mandando-o para cada estádio e nesse local efetuava o sorteio para saber quem comandaria o jogo.

O novo esquema começou com o jogo Portuguesa Santista x SPR. No centro do gramado do Ulrico Mursa, em Santos, se apresentaram Edgard da Silva Marques, Heitor Marcelino Domingues e Arthur Cidrin, sendo este último sorteado para dirigir a partida, ficando os demais como seus auxiliares.

A inovação, pelo menos temporariamente, fez calar a boca daqueles dirigentes que responsabilizavam os árbitros e a Liga pelos fracassos dos seus clubes.

O calendário paulista foi muito prejudicado em 1938, com várias interrupções. Campeonato Brasileiro, Copa Carioca, Copa do Mundo, etc, forçaram a realização de costumeiros festivais e jogos amistosos, além de alguns confrontos internacionais. Por isso, depois de iniciado em março, o campeonato teve um jogo em abril e depois parou, para ser reiniciado somente em setembro. Só terminou em 1939.

Reforçado com os melhores jogadores do Estudantes (Agostinho, Iracino, Fiorotti, Turillo, Mendes, Armandinho e Araken), o São Paulo esteve bem próximo do título, estando um ponto atrás do Corinthians quando disputou sua última partida do campeonato, justamente contra o clube do Parque São Jorge. Se o São Paulo vencesse, seria campeão.

No dia 23 de abril de 1939, data desse jogo, caiu um violento temporal. O São Paulo vencia por 1×0, gol marcado por Mendes aos dois minutos de jogo. A chuva, que já caía antes do início do prélio, engrossou a tal ponto que tornou o campo do Parque São Jorge impraticável para o futebol. O árbitro Thomas Cardoso teve que arregaçar suas calças para poder atuar. Ele bem que insistiu em prosseguir com o jogo mas, aos 22 minutos do primeiro tempo, chegou à conclusão que não dava mais e o interrompeu. Foi marcado o seu prosseguimento para terça-feira, dia 25, com os portões franqueados ao público, e o Corinthians, que precisava apenas do empate, obteve seu gol através de Carlito. Este gol ficou célebre na época, sendo chamado de “gol de mão”.

Os tricolores reclamaram, mas o árbitro validou a marcação, e o Corinthians foi o campeão invicto da temporada. [2]

 

Os campeões pela Liga foram Santos (1935) e Palestra Itália (1936). Já pela APEA, a Portuguesa foi bicampeã em 1935 e 1936.

Em 1935, Portuguesa e Ypiranga terminaram a fase de pontos corridos empatados com 22 pontos. A decisão do campeonato ocorreu em dois jogos extras. No primeiro, 05/01/1936, empate em 2×2. No segundo, 12/01/1936, vitória da Portuguesa por 5×2. Em 1936, os dois clubes voltaram a decidir o campeonato, dessa vez pela última rodada dos pontos corridos. No dia 13/12/1936, a Portuguesa e Ypiranga, ambos com 19 pontos, se enfrentaram pela última rodada com a vitória da Lusa por 6×1.

O campeonato da APEA de 1936 foi o primeiro em toda a história do futebol paulista a prever uma final em seu regulamento. O Palestra Itália, campeão do returno, venceu a final contra o Corinthians, campeão do turno: 1×0, 0x0 e 2×1.

 

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1935.htm

http://www.rsssfbrasil.com/tablessz/sp1936.htm

 

 

[1] A Copa de 1934 foi extremamente interessante. Com 16 seleções, ela foi disputada a partir das oitavas-de-final, sem qualquer tipo de fase classificatória. É por essa razão que a Seleção Brasileira teve apenas um único jogo, onde foi derrotada pela Espanha por 3×1 (27/05/1934) e deu adeus ao Mundial. Particularmente, eu nunca tive a sorte de ver alguém da imprensa explicando que a Seleção Brasileira teve apenas um jogo na Copa de 1934 por causa da forma como o Mundial havia sido organizado.

[2] É impressionante como a final do Campeonato Paulista de 1938 é ignorada pela imprensa por total falta de conhecimento. Todos os anos, a imprensa adora fazer notícias sobre todas as finais disputadas pelos dois clubes que disputarão o título. Em 2019, com a final Corinthians x São Paulo, eu não vi uma única menção ao ano de 1938. Tenho para mim que grande parte da imprensa simplesmente não tem ideia que os campeonatos de São Paulo, com raras exceções, foram disputados por pontos corridos de 1902 a 1972, e que esse sistema permitia dois tipos de final: confronto direto nas duas últimas rodadas ou jogos-extras. Uma pena.

 

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense, gosta de história e é admirador de Rubens Ribeiro, com quem já teve a honra de conversar.