Aos 21 de maio de 1905, na sede do Clube de Natação e Regatas houve uma reunião de representantes de clubes de futebol existentes no Rio de Janeiro para tratar da fundação de uma liga de football.

A sessão teve início às 13h30 horas com a presença dos seguintes representantes: Botafogo Football Club, Ismael Maia e Miguel Galvão Júnior; Fluminense Football Club, Victor Etchegaray e Oscar A. Cox; Bangu Athletic Club, José Villas Boas e John Stark; Sport Club Petrópolis, Adhemar de Faria e Edgar Andrade Siqueira e Football Athletic Club, Bernardo Moreira de Carvalho e Arnaldo Cerqueira. Assumiu a presidência o senhor Bernardo Moreira de Carvalho que disse dos fins da reunião e a indicação de um presidente para os trabalhos, sendo escolhido do senhor José Villas Boas por indicação do Sr. Victor Etchegaray, por sua vez escolhido secretário.

Essa sessão teve caráter preparatório para fundação de uma Liga de Football. O Sr. Arnaldo Cerqueira acentua a importância da reunião, propõe a designação de uma comissão para tratar da organização da futura liga afim de que, em nova reunião, os representantes dos clubes tenham plenos poderes para decidir, o que é aprovado. A comissão ficou composta dos Srs. José Villas Boas, Arnaldo Cerqueira e Oscar A. Cox com um prazo de 25 dias para apresentar o projeto.

Durante a reunião usaram da palavra o senhor Bernardo Moreira de Carvalho, Arnaldo Cerqueira, Victor Etchegaray, José Villas Boas e Oscar A. Cox. O tempo gasto na sessão foi apenas 25 minutos, encerrada que foi às 13h:35.

A sessão de fundação foi realizada na sede do Fluminense Football Club às 20h30 horas do dia 8 de junho de 1905 com a presença dos seguintes representante: América Football Club, Romeu Maina e O. Mohrstedt; Bangu Athletic Club, José Villas Boas e John Stark; Botafogo Football Club, Joaquim Antônio de Souza Ribeiro e Antonio Pinto; Fluminense Football Club, Oscar A. Cox e Victor Etchegaray; Football Athletic Club, Arnaldo Cerqueira e José de Rocha Gomes. O senhor José Villas Boas assume a presidência por aclamação escolhendo para o secretário o Sr. Oscar A. Cox. O Sr. Villas Boas propõs que a Liga seja considerada como fundada pelos presentes, o que é aprovado. Em seguida, o Sr. Oscar Cox lê o projeto de estatuto da Liga já com o nome da Metropolitana de Football. O projeto é discutido e aprovado, artigo por artigo, sendo então eleita a seguinte diretoria: Presidente, José Villas Boas, Vice-Presidente, Victor Etchegaray, Secretário José da Rocha Gomes, e Tesoureiro Antonio Pinto.

Oscar Cox, Antonio Pinto e Arnaldo Cerqueira foram os autores do regulamento de disputa do Campeonato baseado nas regras da Liga Inglesa.

Em dezembro de 1905 aderiram a entidade o Rio Cricket e o Paysandu.

E 18 fevereiro de 1907 era modificada a denominação da dirigente de futebol para Liga Metropolitana de Sports Athléticos.

Em outubro daquele ano surge a primeira desavença com o empate entre Botafogo e Fluminense, ambos no primeiro posto e a Liga é dissolvida para voltar a ser fundada em fevereiro de 1908 com mesmo nome da primeira.

Em 1909, o Bangu retirou-se dos jogos do returno e o Mangueira deixou de disputar o final do campeonato.

Anos depois, em nova reforma estatutária, teve seu nome modificado para Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Em fins de 1923 houve uma cisão no futebol paulista encabeçada pelo Club Athlético Paulistano, da Associação Paulista de Esportes Athléticos (APEA). Contrariando disposições regulamentares o Clube de Regatas do Flamengo desobedeceu à Liga Metropolitana apoiando decisiva e praticamente aquele clube.

A Diretoria da Metropolitana puniu o Flamengo pelo voto de desempate do presidente com a agravante de ter se abstido de votar um dos Vice-Presidente, declarando-se suspeito por ser exatamente o presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Esse é o verdadeiro germe da cisão que resultou na fundação da Associação Metropolitana de Esportes Athléticos, o que se deu no escritório Dr. Arnaldo Guinle, patrono do Fluminense Football Club, sito à Avenida Rio Branco, 109, 2º andar, em 28 de fevereiro de 1924, embora outros tenham ocorrido e consolidaram esse movimento.

O advento do profissionalismo, em 1933 provocou nova sessão, aqui no Rio, o Fluminense, o Vasco, o Bangu, o América, o Bonsucesso e o Flamengo, fundaram a Liga Carioca de Football profissional, enquanto o Botafogo, não aceitando o profissionalismo permaneceu na AMEA, que era entidade oficial por força da sua filiação a CBD. Posteriormente, em 1935, outra crise surgiu, dentro da Liga Carioca de Football, e o Vasco, o Bangu e o São Cristóvão deixaram a mesma e voltaram a se unir ao Botafogo, que nessa altura já admitia o profissionalismo, nascendo assim uma outra entidade: a Federação Metropolitana de Desportos. E assim no ano de 1937 duas entidades controlavam o football carioca: a L.F.C. reunindo ainda Fluminense, Flamengo, America, Bonsucesso, Portuguesa e outros menores, e a F.M.D. com Vasco, Botafogo, Madureira, Bangu, São Cristóvão, o Carioca, o Andaraí, etc. Mas apenas o campeonato desta estava em andamento, com São Cristóvão encerrando o turno na liderança invicta.

A Liga de Football do Rio de Janeiro teve seu aparecimento na sede da Associação dos Empregados no Comércio, em consequência da pacificação do futebol carioca 29 de julho de 1937, quando por uma feliz iniciativa dos presidentes do Vasco da Gama, Pedro Morais e do América, Pedro Magalhães Corrêa, esqueceram-se, definitivamente, as lutas apaixonadas dos dois grupos que se digladiavam desde 1933, ano em que foi implantado o profissionalismo no futebol brasileiro, desaparecendo, assim, pela fusão a Federação Metropolitana de Desportos, e Liga Carioca de Football.

E 29 de abril de 1941, face a determinação do Decreto-Lei 3199, que criou o Conselho Nacional de Desportos, a Liga de Football do Rio de Janeiro, passou a denominar-se Federação Metropolitana de Football, em vista da uniformização dos nomes das entidades.

Com a recente criação do Estado da Guanabara, mais uma vez, a entidade carioca sofreu uma alteração em sua denominação passando a ser Federação Carioca de Futebol [1], de acordo com resolução de sua Assembléia Geral realizada em 25 de abril de 1960.

Desde a organização do futebol carioca até o presente momento, muita coisa de importância ocorreu, mas a sua descrição seria longa e este trabalho não comporta, mas a síntese da evolução por que passou nosso futebol do começo de sua vida organizada até agora é a que se contém linhas acima.

 

Os presidentes das entidades cariocas no período 1937 1960

O primeiro presidente da pacificação foi o senhor Antonio Avelar, do America, que mais tarde, voltou a exercer outro período presidencial. A relação completa dos presidentes que passaram pela entidade metropolitana, desde Avelar em 37 até Antonio Passos nos dias de hoje, é esta:

 

Antonio Avelar, de 30/07/1937 a 29/09/1937;

Mário Newton Figueiredo, de 06/10/1937 a 30/12/1938;

Noel de Carvalho, de 31/12/1938 a 15/07/1939;

Oswaldo Palhares, de 15/07/1939 a 04/08/1939;

Noel de Carvalho, de 05/08/1939 a 30/12/1939;

Joaquim Guimarães, de 30/12/1939 a 29/01/1941;

Gastão Soares Moura Filho, de 30/01/1941 a 04/02/1942;

Manoel Vargas Neto, de 05/02/1942 a 24/04/1950;

Antônio Avelar, de 02/05/1950 a 26/12/1950;

Alberto Alborgeth, de 31/01/1951 a 03/09/1951;

I. Pereira, de 04/09/1951 a 08/10/1952;

Abelard França, de 15/10/1952 a 22/10/1955;

Geraldo Starling Soares, de 05/11/1955 a 03/06/1956;

Antônio do Passo, a partir de 03/06/1956 até o presente[2]

 

[1] As organizações dirigentes do futebol no Rio de Janeiro foram:

Liga Metropolitana de Football do Rio de Janeiro, 1905 – 1907;
Liga Metropolitana de Sports Athléticos, 1908 – 1916;
Associação de Football do Rio de Janeiro, 1912;
Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, 1917 – 1924;
Associação Metropolitana de Esportes Athléticos, 1924 – 1934;
Federação Metropolitana de Desportos, 1935 – 1937;
Liga Carioca de Football, 1933 – 1937;
Liga de Football do Rio de Janeiro, 1937 – 1940;
Federação Metropolitana de Football, 1941 – 1959;
Federação Carioca de Futebol, de 1960 a 1975;
Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, de 1976 em diante.

 

[2] Quando esse texto foi produzido, Antônio do Passo era o presidente da Federação Carioca de Futebol, cargo que ele exerceu até 1967. Depois dele, o futebol do Rio de Janeiro teve apenas 3 presidentes:

Octávio Pinto Guimarães, de 1967 a 1985;
Eduardo Augusto Viana da Silva, de 1985 a 2004;
Rubens Lopes da Costa Filho, de 2004 até o presente momento.

 

 

Texto de Adolpho Scherman publicado originalmente em História do Futebol Carioca, 1905 – 1960, edição de “Os Desportos em Todo Mundo”, 1960. Acervo Flu-Memória.

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.