O Campeonato Mineiro de 1951 passou por uma alteração significativa. A tradicional fórmula dos pontos corridos foi abolida nesse certame, cujo regulamento previa a decisão numa melhor de três entre os campeões de cada turno. Numa reunião do Conselho Divisional (assembleia dos clubes), realizada em 7 de junho de 1951, foi aceita a inclusão do Meridional, de Conselheiro Lafaiete, na competição.

Foi a primeira edição do Mineiro tendo o Estádio Independência, inaugurado no ano anterior para a Copa do Mundo do Brasil, como palco dos grandes jogos. Mas isso não evitou a bagunça no calendário. A decisão do título entre o Villa Nova (campeão do turno) e o Atlético (campeão do returno) ocorreu somente em janeiro de 1952. Por ter decisão direta entre os campeões de turno, a competição ganhou da imprensa e dos torcedores o epíteto de Supercampeonato Mineiro.

 

Participantes:

Villa Nova Atlético Clube (Nova Lima)
Cruzeiro Esporte Clube (Belo Horizonte)
América Futebol Clube (Belo Horizonte)
Clube Atlético Mineiro (Belo Horizonte)
Sete de Setembro Futebol Clube (Belo Horizonte)
Esporte Clube Siderúrgica (Sabará)
Metalusina Sport Club (Barão de Cocais)
Meridional Esporte Clube (Conselheiro Lafaiete)

 

Primeiro Turno

1ª Rodada – 22/7/1951 – domingo
Villa Nova 4×0 Sete de Setembro
Gols – Escurinho (3’ do 1º), Vaduca (7’ do 1º), Rodolfo (12’ do 2º), Tobias (20’ do 2º)
Renda – Cr$1.295,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Alcebíades Dias Magalhães (MG)
Assistente 1 – Valter Haddad (MG)
Assistente 2 – João Freitas Júnior (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco
Sete de Setembro – Braga, Gener e Luiz; Escurinho, Luizão e Volante; Zezinho, Pitão, Fogosa (Toledão), Colen e Toledinho
Técnico – João Bala

Curiosidade: Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 5×1 Sete de Setembro.

 

2ª Rodada – 29/7/1951 – domingo
Atlético 2×3 Villa Nova
Gols – Ismael (10’ do 2º), Lucas Miranda (35’ do 2º) (A) – Rodolfo (45’ do 1º), Escurinho (6’ do 2º), Escurinho (17’ do 2º) (V)
Renda – Cr$125.700,00
Local – Estádio Presidente Antônio Carlos (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Geraldo Fernandes (MG)
Atlético – Sinval, Juca e Oswaldo; Geraldino, Zé do Monte e Haroldo; Lucas Miranda, Mauro Patrus, Ubaldo, Ismael e Vavá
Técnico – Campeão
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco

 

3ª Rodada – 5/8/1951 – domingo
Villa Nova 3×0 Metalusina
Gols – Vaduca (9’ do 1º), Rodolfo (36’ do 1º), Rodolfo (22’ do 1º)
Renda – Cr$5.695,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Geraldo Fernandes (MG)
Assistente 1 – Guido Delacqua (MG)
Assistente 2 – João Félix Júnior (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco
Metalusina – Morgan, Furtado e Furtadinho; Agenor, Vicente Perez e Orlando;  Modesto, Tulica, Wilson, Russo e Tão
Técnico – Airton Moreira

 

4ª Rodada – 12/8/1951 – domingo
Siderúrgica 1×3 Villa Nova
Gols – Ventania (43’ do 1º) (S) – Rodolfo (27’ do 1º), Vaduca (29’ do 1º), Vaduca (segundo tempo) (V)
Renda – Cr$8.700,00
Local – Estádio da Praia do Ó (Sabará-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – João Félix Júnior (MG)
Assistente 2 – Navarro Lins (MG)
Siderúrgica – Marcos, Lilito e Raul; Procópio, Coelho e Hélio; Mingueirinha, Celso, Aguinaldo, Barros e Ventania
Técnico – Rômulo Januzzi
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco

Curiosidade: Esse foi o jogo que decidiu o Primeiro Turno, pois a diferença na classificação final desta etapa foi de apenas um ponto. Caso o Leão do Bonfim tivesse cedido o empate, adeus Campeonato Mineiro de 1951.

 

5ª Rodada – 16/8/1951 – quinta-feira
Cruzeiro 2×1 Villa Nova
Gols – Guerino (12’ do 2º), Abelardo (22’ do 2º) (C) – Vaduca (24’ do 1º) (V)
Renda – Cr$48.034,00
Local – Estádio JK – Barro Preto (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – Ademar Russo (MG)
Assistente 2 – Navarro Lins (MG)
Cruzeiro – Geraldo II, Duque e Bené; Adelino, Lazzarotti, e Paulo Florêncio; Chiquinho, Áureo, Abelardo, Guerino e Expedicionário
Técnico – Juvenal Pereira
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco

 

8ª Rodada – 9/9/1951 – domingo
Villa Nova 1×0 Meridional
Gols – Foguete (20’ do 1º)
Renda – Cr$4.190,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – Ademar Russo (MG)
Assistente 2 – Guido Delacqua (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Paulinho, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco
Meridional – Baiano, Babão e Rupiado, Dico, Reis e Ruiz, Baeta, Caburé, Gaúcho, Darci e André
Técnico – Alfredo Bernardino

Curiosidade: Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 3×1 Fluminense-MG.

 

9ª Rodada – 23/9/1951 – domingo
Villa Nova 1×1 América
Gols – Rodolfo (7’ do 2º) (V) – Harvey (32’ do 1º) (A)
Renda – Cr$12.470,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Geraldo Fernandes (MG)
Assistente 1 – Navarro Lins (MG)
Assistente 2 – Aloísio Rodrigues (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo e Escurinho
Técnico – Martim Francisco
América – Aldo, Gaia e Pedrinho, Celinho, Édson e Wilson; Rui, Harvey, Petrônio, Jair e Osvaldo
Técnico – Tiago

Curiosidade: Com o empate no clássico, o Leão do Bonfim sagrou-se campeão do Primeiro Turno. Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 3×2 América.

 

 

Classificação final do Primeiro Turno

1º   Villa Nova, 11 pontos, 5V, 1E, 1D, 16GP, 06GC
2º    Siderúrgica, 10 pontos, 4V, 2E, 1D, 19GP, 13GC
3º    Cruzeiro, 9 pontos, 4V, 1E, 2D, 15GP, 11GC
4º    Atlético, 8 pontos, 3V, 2E, 2D, 23GP, 12GC
5º    Metalusina, 6 pontos, 3V, 0E, 4D, 7GP, 15GC
6º    América, 4 pontos, 1V, 2E, 4D, 8GP, 12GC
7º    Meridional, 4 pontos, 2V, 0E, 5D, 6GP, 11GC
8º    Sete de Setembro, 3 pontos, 1V, 1E, 5D, 6GP, 22GC

 

 

Segundo Turno

1ª Rodada – 14/10/1951 – domingo
Meridional 0x2 Villa Nova
Gols – Tão (10’ do 1º), Osório (25’ do 1º)
Renda – Cr$7.150,00
Local – Estádio (Conselheiro Lafaiete-MG)
Árbitro – Geraldo Fernandes (MG)
Assistente 1 – Guido Delacqua (MG)
Assistente 2 – Navarro Lins (MG)
Meridional – Baiano, Babão e Rupiado; Dico, Reis e Ruiz; Crispim, Caburé, Darci, Bimbinha e André
Técnico – Alfredo Bernardino
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Tobias, Foguete e Escurinho
Técnico – Martim Francisco

 

2ª Rodada – 28/10/1951 – domingo
América 4×0 Villa Nova
Gols – Petrônio (5’ do 1º), Osvaldo (32’ do 1º), Petrônio (34’ do 1º), Petrônio (29’ do 2º)
Renda – Cr$25.500,00
Local – Estádio Otacílio Negrão de Lima – Alameda (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Geraldo Toledo (MG)
Auxiliar 1 – João Felix Junior (MG)
Auxiliar 2 – Guido Delacqua  (MG)
Cartão Vermelho – Osório (V)
América – Aldo, Gaia e Pedrinho; Celinho, Jair e Wilson; Wilson II, Nandinho, Harvey, Petrônio e Osvaldo
Técnico – Tiago
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Rodolfo, Foguete e Tobias
Técnico – Martim Francisco

Curiosidade: Após a goleada no clássico, o genial e complicado técnico Martim Francisco deixou o Villa Nova. O motivo foram as desavenças com a diretoria e os problemas familiares que o acompanhariam por toda a vida. De qualquer forma, estavam lançadas e germinadas as sementes do esquadrão alvirrubro que conquistaria o título um mês depois.

Depois dessa partida, o Villa Nova começou a se preparar para o Torneio Intermunicipal de Salvador. O presidente Cecil Jones indicou Prão, ex-goleador da década de 1930, para substituir Martim Francisco.

 

7ª Rodada – 25/11/1951 – domingo
Villa Nova 2×1 Cruzeiro
Gols – Tobias (2’ do 1º), Escurinho (2’ do 2º) (V) – Abelardo (44’ do 2º) (C)
Renda – Cr$7.956,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Tobias, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Prão
Cruzeiro – Geraldo II, Duque e Bené; Adelino, Lazzarotti e Paulo Florêncio; Oiti, Áureo, Abelardo, Guerino e Sabu
Técnico – Juvenal Pereira

Curiosidade: Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 1×4 Cruzeiro.

 

8ª Rodada – 1º/12/1951 – sábado
Sete de Setembro 1×0 Villa Nova
Gols – Alberto (21’ do 2º)
Renda – Cr$13.671,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Sete – Mão de Onça, Fernando e Marcílio; Luiz, Teles e Edílson; Toledinho, Ceci, Alberto, Toledo e Caldeirão
Técnico – Maurício Januzzi
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Tobias, Foguete e Escurinho
Técnico – Prão

Curiosidade: Na preliminar de aspirantes: Sete de Setembro 3×2 Villa Nova.

 

10ª Rodada – 16/12/1951 – domingo
Villa Nova 0x1 Atlético
Gol – Ubaldo (13’ do 1º)
Renda – Cr$37.745,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – João Félix Júnior (MG)
Assistente 2 – Aloísio Rodrigues (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Tobias, Rodolfo, Foguete e Escurinho
Técnico – Prão
Atlético – Sinval, Juca e Oswaldo; Geraldino, Zé do Monte e Haroldo; Lucas Miranda, Antoninho, Ubaldo, Mauro Patrus e Vavá
Técnico – Iustrich

Curiosidade: Ao retornar do intervalo do primeiro para o segundo tempo, o árbitro foi atingido por uma garrafa atirada pelo torcedor José de Paula Júnior. Atendido pelo departamento médico do Villa Nova, o juiz retornou a campo com a camisa ensangüentada e apitou até o final. O torcedor foi preso. Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 3×0.

 

11ª Rodada – 23/12/1951 – domingo
Metalusina 1×2 Villa Nova
Gols – Canhotinho (contra) (15’ do 1º) (M) – Vaduca (17’ do 1º), Vaduca (22’ do 1º) (V)
Renda – Cr$80,00
Local – Estádio Alencar Peixoto (Barão de Cocais-MG)
Árbitro – Alcebíades Dias Magalhães (MG)
Auxiliar 1 – José Maria Gomes (MG)
Auxiliar 2 – Aloísio Rodrigues (MG)
Metalusina – Morgan, Furtadinho e Vicente Perez, Agenor, Orlando e Furtado, Tulica, Dedeco, Aires, Russinho e Tiãozinho
Técnico – Airton Moreira
Villa Nova – Galastro, 50 e Jair; Pichara, Fuinha e Canhotinho; Rebolo, Vaduca, Rodolfo, Chumbinho e Fradeco
Técnico – Prão

Curiosidade: Sem chances matemáticas de vencer o Segundo Turno e já garantido na decisão, o Villa Nova mandou a campo o seu time de aspirantes, reforçado por Vaduca e Rodolfo.

 

12ª Rodada – 30/12/1951 – domingo
Villa Nova 3×2 Siderúrgica
Gols – Fradeco (17’ do 1º), Vaduca (24’ do 1º), Vaduca (3’ do 2º) (V) – Barros (30’ do 1º), Michel (12’ do 2º) (S)
Renda – Cr$1.635,00
Local – Estádio Castor Cifuentes (Nova Lima-MG)
Árbitro – Geraldo Fernandes (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Jair; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Édson, Chumbinho e Fradeco
Técnico – Prão
Siderúrgica – Marcos, Lilito e Raul; Paulo, Coelho e Hélio; Mingueirinha, Celso, Michel, Omar e Barros
Técnico – Rômulo Januzzi

Curiosidade: Na preliminar de aspirantes: Villa Nova 3×2 Siderúrgica.

 

 

Classificação final do Segundo Turno

1º   Atlético, 12 pontos, 6V, 0E, 1D, 21GP, 6GC
2º    Cruzeiro, 8 pontos, 3V, 2E, 2D, 11GP, 10GC
3º   Villa Nova, 8 pontos, 4V, 0E, 3D, 9GP, 9GC
4º    América, 7 pontos, 3V, 1E, 3D, 16GP, 10GC
5º    Siderúrgica, 7 pontos, 2V, 3E, 2D, 13GP, 12GC
6º    Sete de Setembro, 7 pontos, 3V, 1E, 3D, 8GP, 14GC
7º    Metalusina, 5 pontos, 2V, 1E, 4D, 12GP, 12GC
8º    Meridional, 2 pontos, 1V, 0E, 6D, 5GP, 21GC

 

 

A Final – Melhor-de-Três

Os dois tradicionais rivais se encontram novamente para decidir o título do Campeonato Mineiro de 1951. O Atlético carregava o trauma de jamais haver conquistado um tricampeonato, proeza que Villa Nova, Palestra Itália/Cruzeiro e América (considerando o decacampeonato obtido ainda na era do amadorismo) já tinham realizado.

O alvinegro perdera a oportunidade de levar o tri em várias ocasiões: 1928, 1933, 1940, 1943 e 1948. Nesse ano, foi derrotado pelo América por 3×1 numa partida conturbada, em que o árbitro inglês Cyril John Barrick, o famoso mister Barrick, teria validado um gol irregular do Coelho. Tal como na final de 1934, o Atlético reclamou da ilegalidade no lance, afirmando que a bola tinha batido no muro do Estádio Otacílio Negrão de Lima, voltado e entrado no gol pelo lado externo das redes.

Portanto, a decisão de 1951 – que na verdade foi disputada em janeiro de 1952 e marcou as primeiras transmissões esportivas da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte – representava mais uma chance para o Atlético quebrar o tabu referente ao tricampeonato estadual. Mas, do outro lado, estava o esquadrão do Villa Nova, montado por Martim Francisco ao longo da temporada de 1951,  recheado de craques que imortalizaram essa conquista do time alvirrubro. Foram necessários três jogos para se conhecer o grande campeão.

O torneio de 1951 recebeu o nome de Supercampeonato, devido ao equilíbrio e à força dos dois poderosos rivais e à decisão direta disputada entre Villa Nova e Atlético.

 

1° Jogo – 13/1/1952 – domingo – 16h
Villa Nova 1×1 Atlético
Gols – Tão (pênalti) (34’ do 2°) (V) – Alvinho (19’do 2°) (A)
Público – 10.000
Renda – Cr$146.000,00
Local – Estádio Otacílio Negrão de Lima – Alameda (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – Geraldo Fernandes (MG)
Assistente 2 – Willer Costa (MG)
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vanduca, Tobias, Foguete e Fradeco
Técnico – Prão
Atlético – Sinval, Juca e Osvaldo; Geraldino, Zé do Monte e Afonso; Lucas Miranda, Antoninho, Mauro Patrus, Alvinho e Vavá
Técnico – Iustrich

Curiosidade: Aos 31 minutos do segundo tempo, o árbitro marcou pênalti para o Atlético. Madeira segurou Alvinho dentro da área. O ponta-direita Lucas Miranda chutou para fora. Impedido de jogar no Castor Cifuentes por causa das acanhadas condições do Alçapão do Bonfim, o Villa Nova mandou a partida no campo do América.

 

2° Jogo – 24/1/1952 – quinta-feira – 19h
Atlético 2×2 Villa Nova
Gols – Mauro Patrus (8’do 1°), Lucas Miranda (39’ do 1°) (Atlético) –  Osório (31’ do 1°), Escurinho (33’ do 1°) (Villa)
Público – 11.123 (Total de público presente: 40.000)
Renda – Cr$164.000,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Francisco Trindade (MG)
Assistente 1 – Geraldo Fernandes (MG)
Assistente 2 – Willer Costa (MG)
Atlético – Sinval, Juca e Osvaldo; Geraldino, Zé do Monte e Haroldo; Lucas Miranda, Mauro Patrus, Vavá, Alvinho e Zeca
Técnico – Iustrich
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vaduca, Chumbinho, Foguete e Escurinho
Técnico – Prão

Curiosidade: O governador Juscelino Kubitschek deu o pontapé inicial da partida. Esse segundo jogo da melhor-de-três deveria ter sido disputado no dia 20 de janeiro, às 16 horas, mas foi adiado pelo árbitro da partida, Francisco Trindade. O gramado não tinha condições devido a uma forte chuva que caiu ao final da decisão do Campeonato de Aspirantes entre Paissandu e Siderúrgica, preliminar de Villa Nova x Atlético. O campo apresentava várias poças d`água,  principalmente em frente aos gols.

Como 11.123 ingressos haviam sido vendidos, a Federação remarcou o jogo para a quinta-feira, 24/1, com portões abertos. Com isso, estima-se que um público de 40.000 pessoas compareceu ao Independência, recorde absoluto na história do estádio. Em 1997, o Leão do Bonfim foi novamente protagonista de outro recorde de público, desta vez no Mineirão. O Villa Nova, portanto, pode se orgulhar de ter estado em campo no dia em que o maior número de torcedores compareceu aos dois maiores estádios de Belo Horizonte.

Na preliminar da categoria Petiz: Atlético 1×3 Cruzeiro.

 

3° Jogo – 27/1/1952 – domingo – 16h
Atlético 0x1 Villa Nova
Gols – Vaduca (5’ do 2°)
Público – 20.000
Renda – Cr$211.300,00
Local – Estádio Independência ((Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Geraldo Toledo (MG)
Assistente 1 – Alcebíades Dias Magalhães (MG)
Assistente 2 – Willer Costa (MG)
Atlético – Sinval, Juca e Osvaldo; Geraldino, Zé do Monte e Haroldo; Lucas Miranda, Antoninho, Mauro Patrus, Alvinho e Vavá
Técnico – Iustrich
Villa Nova – Arizona, Madeira e Anísio; Vicente, Lito e Tão; Osório, Vanduca, Chumbinho, Foguete e Escurinho
Técnico – Prão

Curiosidade: O Villa Nova exigiu uma arbitragem carioca, e os nomes de Mário Vianna, Gama Malcher e Tijolo estavam na lista para apitar a partida. O Atlético por sua vez queria um juiz mineiro. A Federação não conseguiu um árbitro carioca, e o juiz da partida só foi ser conhecido depois de um sorteio realizado no Independência,  40 minutos após o horário marcado para o início da partida. Geraldo Toledo, Alcebíades Dias Magalhães, o folclórico Cidinho Bola-Nossa – um notório atleticano – e Willer Costa eram os nomes incluídos no sorteio.

O zagueiro Juca, do Galo, é irmão dos villa-novenses Osório e Vaduca.

 

 

Classificação Final do Campeonato Mineiro – 1951

1º   Villa Nova, 23 pontos, 10V, 3E, 4D, 29GP, 18GC
2º    Atlético, 22 pontos, 9V, 4E, 4D, 47GP, 22GC
3º    Cruzeiro, 17 pontos, 7V, 3E, 4D, 26GP, 21GC
4º    Siderúrgica, 17 pontos, 6V, 5E, 3D, 32GP, 25GC
5º    América, 11 pontos, 4V, 3E, 7D, 24GP, 22GC
Metalusina, 11 pontos, 5V, 1E, 8D, 19GP, 27GC
7º    Sete de Setembro, 10 pontos, 4V, 2E, 8D, 14GP, 36GC
8º    Meridional, 6 pontos, 3V, 0E, 11D, 11GP, 32GC

OBS. – O artilheiro do certame foi Lucas Miranda (Atlético), com 15 gols.

 

 

Os campeões mineiros de 1951

Elenco
Arizona – Antônio Batista do Nascimento (Passos-MG – 17/3/1930)
Madeira – José Pereira Soares (Salvador-BA – 21/4/1921)
Anísio – Anísio Clemente (Nova Lima-MG – 13/6/1927)
Vicente – José Vicente de Paula (Passagem de Mariana-MG – 23/7/1923)
Lito – Carlos de Mello Taveira (Nova Lima-MG – 25/2/1933)
Tão – Sebastião Silvestre (Itabira-MG – 31/12/1925)
Osório – Osório Liberato (Nova Lima-MG – 23/3/1927)
Vaduca – Osvaldo Liberato (Nova Lima-MG – 16/8/1929)
Rodolfo – Rodolfo B. Faustino (Nova Era-MG – 11/6/1930)
Foguete – Geraldo Marques (Nova Lima-MG – 11/2/1923)
Escurinho – Benedito Custódio Ferreira (Nova Lima-MG – 3/9/1930)
Tobias – José Tobias (Nova Lima-MG – 12/2/1928)
Chumbinho – Luiz Gonzaga Costa (Nova Lima-MG – 28/2/1923)
Fradeco – Valdir Inácio Marques (Nova Lima-MG – 16/10/1927)
Galastro – Antônio Galastro (Belo Horizonte-MG – 29/12/1929)
Jair – Jair Marcondes de Oliveira (Nova Lima-MG – 8/12/1929)
Pichara – Rômulo Pichara (Aimorés-MG – 7/2/1927)

 

Comissão Técnica
Técnico – José Henrique Custódio – Prão (Nova Lima-MG – 13/9/1914)
Roupeiro e Zelador – José Liberato – Te-Zê, pai dos jogadores Vaduca, Osório, Juca e Doca. Trabalhou no Villa Nova desde a década de 1910.
Massagista – João Havassi – Marrapé (nascido na Hungria – 17/9/1896). Desde 1930 exerceu a função no clube.

 

Diretoria
Presidente – Cecil Jones
Presidente de Honra – Mr. G. P. Wigle
Vice-Presidente – Acácio Paulino de Paiva
Superintendente – José Pereira Couto
Diretor do Departamento de Comunicações – Robspierre Magalhães
Secretário – Geraldo Pinto Coelho
Diretor do Departamento de Finanças – Henrique Pereira Martins
Tesoureiro – José Nunes Siqueira Campos e Inácio Otaviano Guimarães
Diretor do Departamento Médico – Dr. Antônio Fonseca
Diretor do Departamento de Publicidade – José de Mattos Coelho
Diretor de Patrimônio – José Íris Gonçalves
Diretor do Departamento de Futebol – Dr. Adair de Menezes
Diretor de Futebol – Paulo Dornelas Pereira
Diretor de Festas – Américo de Souza
Departamento Jurídico – Dr. Valdívio Figueiredo, Dr. José Ribeiro da Fonseca e Dr. Wilson Carneiro Vidigal
Presidente do Conselho Deliberativo – Dr. Saad Bedran
Representante em Belo Horizonte – Ignácio Ballesteros
Representante em São Paulo – Gustavo Pfeiffer
Representante no Rio de Janeiro – Osório Dias (Osorinho)

 

Vaduca: o herói do título imortal

Osvaldo Liberato, o Vaduca, nasceu dentro do Estádio Castor Cifuentes, no dia 16 de agosto de 1929. Literalmente. Nenhuma família de Nova Lima tem tanta proximidade com o Villa Nova quanto os Liberato. José Liberato, o pai de Vaduca, era o zelador do estádio, e a mãe, Maria Joana Liberato, a cozinheira e lavadeira do clube. A família morava num barracão construído dentro do próprio Castor Cifuentes para facilitar o trabalho diário de cada um. Essa vizinhança inusitada na história do futebol brasileiro e mundial rendeu quatro jogadores para o Leão do Bonfim. Além de Vaduca, Osório, Juca e Doca vestiram o manto sagrado villa-novense.

Desde criança Vaduca se dedicava ao Villa Nova, mesmo em tarefas hoje inimagináveis. Nos dias de treinos e jogos, a diretoria do Leão pagava cinco mil réis ao lépido menino para pegar as bolas que caíam dentro do Ribeirão dos Cristais, cujas águas correm bem atrás do gol que fica à esquerda das cabines de rádio. Hoje, canalizado, o ribeirão está sob a Avenida José Bernardo de Barros. Além de exercer essa função parecida com a de gandula, Vaduca era incumbido pelo pai de, às vésperas das partidas, pegar algumas galhas de um pé de cipreste que existia nas proximidades e varrer os degraus da arquibancada de alvenaria do Alçapão do Bonfim. Felizmente para o menino, a maioria da arquibancada existente era de madeira e não havia os setores localizados atrás dos gols, como na atualidade.

Outra missão de que Vaduca não escapava era a de ir até um barranco perto do caminho que conduz ao Morro do Mingu e recolher uma substância chamada tabatinga para demarcar o gramado do Castor Cifuentes. A cal não existia para essa finalidade naqueles tempos difíceis, e as marcações do campo de jogo eram feitas com essa argila sedimentar, untuosa, dotada de variadas cores.

A carreira de atleta começou, como não poderia deixar de ser, na base do Villa Nova, bem ali ao lado do terreiro de sua casa. Em 1950, Vaduca já estava no time profissional, defendendo o Leão até 1955. No ano seguinte, foi para o Atlético e marcou o gol que garantiu o pentacampeonato para o alvinegro. De 1958 a 1962, jogou no Valeriodoce, de Itabira, seu último clube.

O momento de êxtase da trajetória de Vaduca nos gramados aconteceu, no entanto, na tarde-noite chuvosa do dia 27 de janeiro de 1952, no Estádio Independência: o Villa Nova decidia o título do Campeonato Mineiro de 1951 com o Atlético na terceira e derradeira partida, após os dois primeiros jogos da melhor-de-três terem terminado empatados em 1×1 e 2×2. O empate por 0x0 insistia em permanecer no placar até que, aos cinco minutos do segundo tempo, houve uma falta favorável ao Leão, pelo lado direito de seu ataque. Lito, o talentoso meio-campista, que sabia bater na bola com maestria, cruzou a bola na área e Vaduca, com oportunismo completou para as redes atleticanas. Era o gol do título, assinalado na trave localizada à direita das cabines de rádio do Independência, em frente aos vestiários, na parte aberta da ferradura da arquibancada.

Após o término da decisão, de volta a Nova Lima, Vaduca foi direto para casa visitar seu pai que estava adoentado. Viveu – então – o fato mais marcante daquele dia memorável: incontáveis torcedores villa-novenses carregaram o herói nas costas do Estádio Castor Cifuentes até à sede do clube. Essa cena permanece gravada na retina e na lembrança de Vaduca, apesar de decorridos 56 anos do fato.

Outro detalhe que não sai da cabeça do artilheiro é a educação e a fineza do técnico Martim Francisco, o grande mentor da equipe campeã de 1951. De acordo com Vaduca, o treinador era tão polido que se recusava a chamá-lo pelo apelido e se dirigia a ele nos seguintes termos: “Por favor, senhor Osvaldo, recue um pouco mais para ajudar na marcação no meio-campo”.

Quando foi para o Valeriodoce, Vaduca incluiu no contrato uma cláusula que seria, na prática, a garantia de um futuro tranqüilo para si e para a família: ele exigiu que depois que parasse de jogar futebol, fosse admitido pela Companhia Vale do Rio Doce, então estatal, que era a mantenedora do clube itabirano. Com essa perspicácia, conseguiu a estabilidade no emprego que, até a implantação do Fundo de Garantia Sobre Tempo de Serviço, FGTS, pela ditadura militar, em meados dos anos 1960, era obtido depois de 10 anos de serviço numa mesma empresa. Assim, Vaduca pôde ter o sossego de uma boa aposentadoria em 1981, com apenas 52 anos de idade.

Logo depois, em 1982, o eterno goleador do Villa Nova começou a trabalhar nas categorias de base do América, onde permanece até hoje, exercendo agora a função de administrador do Centro de Treinamentos Lanna Drummond, localizado no Bairro Serrano, em Contagem, bem na divisa com Belo Horizonte.

Vaduca é casado com a senhora Olívia Faria Liberato, com quem teve duas filhas: Viviane Faria Liberato – que é psicóloga – e Tânia Mara Liberato, graduada em Belas Artes. Morador do tranqüilo e valorizado Bairro Cidade Nova, na Capital mineira, Vaduca continua a trabalhar prazerosamente no meio futebolístico e curte o privilégio de ser o autor de gols inesquecíveis,que garantiram títulos estaduais para o Villa Nova e para o Atlético, em 1956. Sim, Vaduca se redimiu perante os atleticanos e marcou o gol que garantiu o pentacampeonato mineiro para o Galo, numa decisão com Cruzeiro: fato único na história do futebol de Minas, que só as entranhas do Castor Cifuentes poderiam gestar.

 

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Vaduca, Campeão Mineiro de 1951 pelo Villa Nova

 

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Vaduca e Wágner

 

 

Wágner Augusto Álvares de Freitas é jornalista, torcedor e historiador do Villa Nova.