Villa Nova-MG, 1971 – O Primeiro Campeão Brasileiro da Série B

Quando a CBD anunciou a realização do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, o 9º lugar obtido no Campeonato Mineiro de 1971 não credenciava o Villa a sonhar alto. O pior é que antes de alcançar a etapa nacional da competição, o Leão tinha de passar por Uberlândia e Tupi no Torneio Seletivo de Minas Gerais. Foi uma luta acirrada pela única vaga disponível. Poucos acreditavam que o maior título da história do clube pudesse ser conquistado no final do ano.

Antes de alcançar a etapa nacional da competição, o Villa teve de passar por Uberlândia e Tupi no Torneio Seletivo de Minas. Foi uma luta acirrada pela única vaga disponível.

 

 

Torneio Seletivo de Minas Gerais

 

Participantes

Villa Nova Atlético Clube (Nova Lima)
Uberlândia Esporte Clube (Uberlândia)
Tupi Foot-Ball Club (Juiz de Fora)

 

Fórmula de disputa: turno e returno, com pontos corridos.

 

25/7/1971 – domingo
Tupi 1×1 Villa Nova
Gols – Manuel (39’ do 2º) (T) – Corgozinho (22’ do 2º) (V)
Público – 923
Renda – Cr$3.869,00
Local – Estádio Salles de Oliveira (Juiz de Fora-MG)
Árbitro – Juan de La Pasión Artéz (MG)
Assistente 1 – Sílvio Gonçalves David (MG)
Assistente 2 – José Alberto Teixeira dos Santos (MG)
Cartão Vermelho – Edinho (T) – Mozart (V)
Tupi – Waldir; Heleno (Manuel), Murilo, Jair e Álvaro; Divino e Zé Adir; Edinho, Turcão, Guará e César (Roberto)
Técnico – Rui Alves de Souza
Villa Nova – Nonô; Cassetete, Rodolfo, Bráulio e Mozart; Corgozinho e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Raimundo e Dias (Fred)
Técnico – Gérson dos Santos

 

1º/8/1971 – domingo
Villa Nova 1×0 Uberlândia
Gols – Miro (contra) (9’ do 1º)
Público – 302
Renda – Cr$1.510,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Afonso Ricaldoni (MG)
Assistente 1 – Aluísio Gonzaga (MG)
Assistente 2 – Vicente de Paula Seixas (MG)
Villa Nova – Nonô; Cassetete, Rodolfo, Bráulio e Fred; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Raimundo e Dias
Técnico – Gérson dos Santos
Uberlândia – Helinho (Crésio); Santana, Miro, Edmar e Gílson; Jorge e Hamilton; Gil, Amoroso, Aguinaldo (Luís Carlos) e Toninho
Técnico – Danilo Alvim

 

8/8/1971 – domingo
Uberlândia 1×1 Tupi
Gols – Toninho (14’ do 2º) (U) – Guará (10’ do 1º) (T)
Público – 1.988
Renda – Cr$8.350,00
Árbitro – Juan de La Pasión Artéz (MG)
Local – Estádio Juca Ribeiro (Uberlândia-MG)
Uberlândia – Helinho; Santana, Miro, Edmar e Gílson; Jorge e Hamilton; Gil, Amoroso, Aguinaldo (Ferreira) e Toninho
Técnico – Danilo Alvim
Tupi – Manga; Heleno, Murilo, Jair e Álvaro; Zé Adir e Divino; Edinho, Turcão, Guará e César (Robertinho)
Técnico – Rui Alves de Souza

 

14/8/1971 – sábado
Villa Nova 2×1 Tupi
Gols – Paulinho Cai-Cai (28’ do 1º), Raimundo (pênalti) (10’ do 2º) (V) – Osvaldo (pênalti) (30’ do 2º) (T)
Público – 130
Renda – Cr$650,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Etelvino Rodrigues (MG)
Assistente 1 – José Felipe (MG)
Assistente 2 – João Luiz de Freitas (MG)
Villa Nova – Nonô; Cassetete, Rodolfo, Bráulio e Fred (Nélson); Corgozinho e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Raimundo e Dias (Galã)
Técnico – Gérson dos Santos
Tupi – Manga; Heleno, Murilo, Jair e Álvaro; Divino (Paulo Hespanha) e Zé Adir (Altair); Edinho, Turcão, Guará e Osvaldo
Técnico – Rui Alves de Souza

 

22/8/1971 – domingo
Uberlândia 1×0 Villa Nova
Gol – Fazendeiro (17’ do 1º)
Público – 1.243
Renda – Cr$5.200,00
Local – Estádio Juca Ribeiro (Uberlândia-MG)
Árbitro – Ênio Lino Amorim (MG)
Assistente 1 – Fernando Benedetti (MG)
Assistente 2 – Jorge Augusto Ferreira (MG)
Cartão Vermelho – Nonô (V)
Uberlândia – Helinho; Paulo, Miro, Edmar e Carlinhos; Robertinho e Didi; Gil, Fazendeiro, Ferreira e Toninho
Técnico – Danilo Alvim
Villa Nova – Nonô; Cassetete, Rodolfo, Bráulio e Mozart; Daniel e Piorra; Jésum, Nelson, Raimundo (Ernane) e Dias
Técnico – Gérson dos Santos

 

29/8/1971 – domingo
Tupi 1×1 Uberlândia
Gols – Roberto (30’ do 1º) (T) – Paulo Espanha (contra) (35’ do 1º) (U)
Público – 776
Renda – Cr$3.245,00
Local – Estádio Salles de Oliveira (Juiz de Fora-MG)
Árbitro – Joaquim Gonçalves (MG)
Assistente 1 – Wilson Viveiros (MG)
Assistente 2 – Paulo Sanches (MG)
Tupi – Manga; Heleno, Murilo (Manuel), Paulo Espanha e Álvaro; Divino e Zé Adir; Luís Augusto, Roberto, Altair (Aílton) e César
Técnico – Rui Alves de Souza
Uberlândia – Helinho; Paulo, Miro, Edmar e Carlinhos; Robertinho e Didi; Gil (Gílson), Luís Carlos (Carlos Alberto), Ferreira e Toninho
Técnico – Danilo Alvim

Curiosidade: Mesmo sem entrar em campo o Villa Nova se classificou para a etapa nacional do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Se o Uberlândia vencesse o já desclassificado Tupi por dois gols de diferença, ficaria com a vaga.

 

Classificação do Torneio Seletivo

1º – Villa Nova 5 pontos, 2V, 1E, 1D, 4GP, 3GC
2º – Uberlândia, 4 pontos, 1V, 2E, 1D, 3GP, 3GC     
3º – Tupi, 3 pontos, 0V, 3E, 1D, 4GP, 5GC     

OBS. 1 – O Villa Nova classificou-se para a etapa nacional do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão.

OBS. 2 – Até 1994 eram atribuídos apenas dois pontos por vitória e um por empate.

 

 

Etapa Nacional

Regulamento

Primeira Fase

O Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971 contou com a participação de 23 equipes. Dessas 23, quatro só entraram a partir da Segunda Fase: Villa Nova-MG, Central-RJ, Mixto-MT e Rodoviária-AM. As 19 restantes foram divididas em cinco grupos, sendo dois formados por quatro clubes, dois por três e um grupo com cinco equipes. Passaram para a próxima fase os campeões de cada grupo. Os jogos ocorreram dentro dos grupos, sempre em ida e volta.

 

Critérios de desempate:

a) Maior número de vitórias;
b) Maior saldo de gols;
c) Maior número de gols pró;
d) Confronto direto;
e) Sorteio.

 

Grupo A, Ceará – Paraíba – Pernambuco – Rio Grande do Norte

12/9/71 – Ferroviário-CE 1×1 Ferroviário-PE, em Fortaleza (CE)
12/9/71 – Campinense-PB 1×0 ABC-RN, em Campina Grande (PB)
26/9/71 – ABC-RN 0x1 Ferroviário-CE, em Natal (RN)
6/10/71 – Ferroviário-CE 5×3 ABC-RN, em Fortaleza (CE)
10/10/71 – Ferroviário-PE 3×3 ABC-RN, em Recife (PE)
17/10/71 – Campinense-PB 2×1 Ferroviário-CE, em Campina Grande (PB)
20/10/71 – Ferroviário-CE 2×0 Campinense-PB, em Fortaleza (CE)
24/10/71 – Campinense-PB 2×0 Ferroviário-PE, em Campina Grande (PB)
27/10/71 – Ferroviário-PE 1×2 Ferroviário-CE, em Recife (PE)
27/10/71 – ABC-RN 2×0 Campinense-PB, em Natal (RN)
31/10/71 – Ferroviário-PE x Campinense-PB*, em Recife (PE)
3/11/71 – ABC-RN x Ferroviário-PE*, em Natal (RN)

OBS. –  Os jogos entre Ferroviário-PE e Campinense-PB e ABC-RN e Ferroviário-PE não foram disputados, já que não afetavam mais a classificação final do grupo.

 

Classificação final

1º Ferroviário-CE, 9 pontos, 6J, 4V, 1E, 1D, 12GP, 7GC, 5SG;
2º Campinense-PB, 6 pontos, 5J, 3V, 0E, 2D, 5GP, 5GC, 0SG;
3º ABC-RN, 3 pontos, 5J, 1V, 1E, 3D, 8GP, 10GC, -2SG;
4º Ferroviário-PE, 2 pontos, 4J, 0V, 2E, 2D, 5GP, 8GC, -3SG;

 

Grupo B, Alagoas – Pernambuco – Sergipe

12/9/71 – CRB-AL 6×1 Náutico-PE, em Maceió (AL)
19/9/71 – Itabaiana-SE 3×0 CRB-AL, em Itabaiana (SE)
26/9/71 – Náutico-PE 0x1 Itabaiana-SE, em Recife (PE)
3/10/71 – Itabaiana-SE 2×2 Náutico-PE, em Itabaiana (SE)
10/10/71 – CRB-AL 3×1 Itabaiana-SE, em Maceió (AL)
16/10/71 – Náutico-PE 2×0 CRB-AL, em Recife (PE)

 

Classificação final

1º Itabaiana-SE, 5 pontos, 4J, 2V, 1E, 1D, 7GP, 6=5GC, 2 SG;
2º CRB-AL, 4 pontos, 4J, 2V, 0E, 2D, 9GP, 7GC, 2SG;
3º Náutico-PE, 4J, 1V, 1E, 2D, 5GP, 9GC, -4SG;

 

Grupo C, Ceará – Maranhão – Piauí

29/8/71 – Maranhão-MA 0x2 Sampaio Corrêa-MA, em São Luís (MA)
29/8/71 – Ríver-PI 3×2 Flamengo-PI, em Teresina (PI)
5/9/71 – Sampaio Corrêa-MA 2×1 Ríver-PI, em São Luís (MA)
5/9/71 – Flamengo-PI 2×2 Guarany-CE, em Teresina (PI)
8/9/71 – Maranhão-MA 2×3 Guarany-CE, em São Luís (MA)
8/9/71 – Flamengo-PI 1×0 Sampaio Corrêa-MA, em Teresina (PI)
12/9/71 – Maranhão-MA 0x1 Flamengo-PI, em São Luís (MA)
12/9/71 – Ríver-PI 1×0 Guarany-CE, em Teresina (PI)
19/9/71 – Guarany-CE 3×2 Sampaio Corrêa-MA, em Sobral (CE)
19/9/71 – Ríver-PI 1×0 Maranhão-MA, em Teresina (PI)
26/9/71 – Sampaio Corrêa-MA 5×0 Maranhão-MA, em São Luís (MA)
26/9/71 – Flamengo-PI 1×0 Ríver-PI, em Teresina (PI)
3/10/71 – Guarany-CE 0x1 Flamengo-PI, em Sobral (CE)
3/10/71 – Maranhão-MA 0x1 Ríver-PI, em São Luís (MA)
6/10/71 – Flamengo-PI 3×1 Maranhão-MA, em Teresina (PI)
6/10/71 – Sampaio Corrêa-MA 1×0 Guarany-CE, em São Luís (MA)
10/10/71 – Ríver-PI 2×3 Sampaio Corrêa-MA, em Teresina (PI)
10/10/71 – Guarany-CE 0x0 Maranhão-MA, em Sobral (CE)
17/10/71 – Sampaio Corrêa-MA 1×1 Flamengo-PI, em São Luís (MA)
17/10/71 – Guarany-CE 0x3 Ríver-PI, em Sobral (CE)

 

Classificação final

1º Flamengo-PI, 12 pontos, 8J, 5V, 2E, 1D, 12Gp, 7GC, 5SG;
2º Sampaio Corrêa-MA, 11 pontos, 8J, 5V, 1E, 2D, 16GP, 8GC, 8SG;
3º Ríver-PI, 10 pontos, 8J, 5V, 0E, 3D, 12GP, 8GC, 4SG;
4º Guarany-CE, 6 pontos, 8J, 2V, 2E, 4D, 8GP, 12GC, -4SG;
5º Maranhão, 1 ponto, 8J, 0V, 1E, 7D, 3GP, 16GC, -13SG;

 

Grupo D, Pará

17/10/71 – Paysandu 0x1 Sport Belém, em Belém (PA)
17/10/71 – Remo 0x0 Tuna Luso, em Belém (PA)
24/10/71 – Tuna Luso 3×0 Sport Belém, em Belém (PA)
24/10/71 – Paysandu 1×0 Remo, em Belém (PA)
27/10/71 – Tuna Luso 1×1 Paysandu, em Belém (PA)
27/10/71 – Sport Belém 0x4 Remo, em Belém (PA)
31/10/71 – Remo 1×0 Sport Belém, em Belém (PA)
3/11/71 – Paysandu 0x0 Tuna Luso, em Belém (PA)
7/11/71 – Sport Belém 0x1 Tuna Luso, em Belém (PA)
10/11/71 – Sport Belém 1×1 Paysandu, em Belém (PA)
14/11/71 – Tuna Luso 0x0 Remo, em Belém (PA)
17/11/71 – Remo 2×0 Paysandu, em Belém (PA)

 

Classificação final

1º Remo, 8 pontos, 6J, 3V, 2E, 1D, 7GP, 1GC, 6SG;
2º Tuna Luso, 8 pontos, 6J, 2V, 4E, 0D, 5GP, 1GC, 4SG;
3º Paysandy, 5 pontos, 6J, 1V, 3E, 2D, 3GP, 5GC, -2SG;
4º Sport Belém, 3 pontos, 6J, 1V, 1E, 4D, 2GP, 10GC, -8SG;

 

Grupo E

Paraná – Santa Catarina – São Paulo

24/10/71 – Ponte Preta-SP 4×0 Londrina-PR, em Campinas (SP)
27/10/71 – América-SC 0x0 Ponte Preta-SP, em Joinville (SC)
30/10/71 – Londrina-PR 1×1 América-SC, em Londrina (PR)
7/11/71 – América-SC 2×1 Londrina-PR, em Joinville (SC)
10/11/71 – Ponte Preta-SP 1×0 América-SC, em Campinas (SP)
14/11/71 – Londrina-PR 1×1 Ponte Preta-SP, em Londrina (PR)

 

Classificação final

1º Ponte Preta, 6 pontos, 4J, 2V, 2E, 0D, 6GP, 1GC, 5SG;
2º América-SC, 4 pontos, 4J, 1V, 2E, 1D, 3GP, 3GC, 0SG;
3º 2 pontos, 4 J, 0V, 2E, 2D, 3GP, 8GC, -5SG;

 

Segunda Fase

Foram nove equipes divididas em quatro grupos. Em cada um dos Grupos 1, 2 e 3 ficaram dois clubes, que jogaram partidas de ida e volta, classificando-se os vencedores dos confrontos para a fase seguinte. No Grupo 4, estiveram três clubes, que jogaram entre si, em ida e volta, passando para as semifinais apenas o campeão da chave.

Após ganhar, com muita dificuldade, a vaga de Minas Gerais no Torneio Seletivo para o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, o Villa Nova resolveu apostar alto na conquista do título e trouxe um velho conhecido para dirigir o time: Martim Francisco Ribeiro de Andrada, vinte anos após vencer brilhantemente o Campeonato Mineiro e implantar o esquema tático 4-2-4, estava de volta ao Leão. O extinto jornal Diário de Minas registra a contratação do treinador na sua edição do dia 1º de outubro de 1971, na página 14:

 

“O Villa Nova já está de técnico novo desde ontem, quando Martim Francisco acertou tudo com os diretores. Ele vai receber Cr$2 mil mensais, sem luvas, até 31 de janeiro de 1972, quando termina o mandato da atual diretoria. Hoje, às 8h, Martim Francisco será apresentado pelo vice-presidente José de Lima Mattos, que aproveitará para apresentar também, oficialmente, o novo diretor de futebol, Benedito Alves Nazaré, o Pica-Fumo, que já está trabalhando há algum tempo.”

 

Zona Centro-Sul

Grupo 1

21/11/71 – Mixto-MT 0x2 Ponte Preta-SP, em Cuiabá (MT)
28/11/71 – Ponte Preta-SP 3×0 Mixto-MT, em Campinas (SP)

Ponte Preta classificada para as semifinais.

 

Grupo 2

Jogo de Ida – 21/11/1971 – domingo – 16h
Central-RJ 2×2 Villa Nova
Gols – Dira (9’ do 1º), Paulista (4’ do 2º) (C) – Jésum (5’ do 1º), Wilson (14’ do 2º) (V)
Público – 2.001
Renda – Cr$10.005,00
Local – Estádio Paulo Fernandes – Colina (Barra do Piraí-RJ)
Árbitro – Valquir Pimentel (GB)
Assistente 1 – Reinaldo Faria Santos (RJ)
Assistente 2 – Rui da Conceição (RJ)
Central – Nilson; Miranda, Osni, Cunha e Ademir; Mizuca e Nenê; Ramos, Paulista, Dira e Vermute
Técnico – Antônio Dênis
Villa Nova – Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Wilson (Nélson) e Dias
Técnico – Martim Francisco

 

Curiosidade: O Central Sport Club, time vermelho e branco do Município de Barra do Piraí, era o bicampeão do antigo Estado do Rio de Janeiro. Esta partida integrou o teste 68 da Loteria Esportiva. Foi o jogo 12, e deu coluna do meio. A partida foi realizada no Estádio Paulo Fernandes, chamado de o Estádio da Colina, de propriedade do Royal Sport Club, arqui-rival do Central. Isso porque o campo do adversário do Villa Nova,  o Estádio Mário Tamborindeguy, não reunia as condições exigidas pela CBD para a disputa do Campeonato Brasileiro.

O Estádio do Royal, clube tricolor como o Fluminense, fica às margens do Rio Paraíba do Sul e tem capacidade para oito mil torcedores. Os dois assistentes, naquele tempo chamados de bandeirinhas, eram do Estado do Rio de Janeiro e tiveram uma atuação desastrosa, o que provocou a ira do presidente villa-novense, Fernando Marques. Num determinado momento, o dirigente chegou a pensar em invadir o campo para reclamar da marcação absurda de dois impedimentos do ataque do Leão.

A boa atuação do árbitro Valquir Pimentel, que contrabalançou as estripulias dos dois auxiliares, demoveu o presidente da idéia. Pimentel pertencia ao quadro de arbitragem do antigo Estado da Guanabara, cuja sigla era GB. O ponta-direita Jésum entrou para a história do Villa Nova ao marcar o primeiro gol do clube na história do Campeonato Brasileiro.

 

Jogo de Volta – 28/11/1971 – domingo – 15h30
Villa Nova 1×0 Central-RJ
Gol – Paulinho Cai-Cai (18’ do 2º)
Público – 1.303
Renda – Cr$6.515,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Rubens de Souza Carvalho (RJ)
Assistente 1 – Juan de La Pasión Artez (MG)
Assistente 2 – José Alberto Teixeira dos Santos (MG)
Villa Nova – Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Wilson (Perrela) e Dias
Técnico – Martim Francisco
Central – Nílson; Miranda, Mizuca, Cunha e Ademir; Bufica e Carlinhos; Nenê, Dira, Tininho (Paulista) e Vermute
Técnico – Antônio Dênis
OBS. – Com esses resultados, o Villa Nova classificou-se para a próxima fase do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971.

 

Curiosidade: Esse confronto fez parte do teste 69 da loteria Esportiva. Deu coluna 1 no jogo 11, Leão na cabeça! O Central levou tão a sério essa verdadeira decisão que trouxe até o prefeito de Barra do Piraí, Roberto Bichara, juntamente com a sua delegação.

Depois da suada classificação villa-novense, o zagueiro Zé Borges foi vítima de um trote: o técnico Martim Francisco recebeu uma ligação telefônica em que alguém afirmava que o pai do jogador havia morrido. De pronto, após receber o recado, Zé Borges rumou para Patos de Minas, sua cidade natal, localizada no Alto Paranaíba, a 400 quilômetros de Belo Horizonte. Chegando lá, Zé Borges constatou que o seu pai gozava de boa saúde e que tudo não passava de alguma armação. Inconformado com o fato, o presidente Fernando Marques apresentou queixa à polícia, e um inquérito foi aberto para tentar se descobrir o autor da mentira, mas a tentativa não logrou êxito.

 

Zona Norte-Nordeste

Grupo 3

25/11/71 – Remo-PA 1×0 Rodoviária-AM, em Belém (PA)
28/11/71 – Rodoviária-AM 2×4 Remo-PA, em Manaus (AM)

Remo classificado para as semifinais.

 

Grupo 4

7/11/71 – Ferroviário-CE 1×1 Itabaiana-SE, em Fortaleza (CE)
10/11/71 – Flamengo-PI 2×0 Itabaiana-SE, em Teresina (PI)
14/11/71 – Flamengo-PI 0x0 Ferroviário-CE, em Teresina (PI)
21/11/71 – Itabaiana-SE 5×1 Flamengo-PI, em Itabaiana (SE)
24/11/71 – Itabaiana-SE 1×0 Ferroviário-CE, em Itabaiana (SE)
28/11/71 – Ferroviário-CE 2×1 Flamengo-PI, em Fortaleza (CE)

 

Classificação Final

1º Itabaiana-SE, 5 pontos, 4J, 2V, 1E, 1D, 7GP, 4GC, 3SG;
2º Ferroviário-CE, 4 pontos, 4J, 1V, 2E, 1D, 3GP, 3GC, 0SG;
3º Flamengo-PI, 3 pontos, 4J, 1V, 1E, 2D, 4GP, 7GC, -3SG;

 

Semifinais

As quatro equipes formaram dois grupos, com dois clubes cada um. Jogaram em ida e volta, classificando-se os vencedores para a grande final. Em caso de igualdade no número de pontos após as duas partidas, estava prevista a realização de um jogo extra, com prorrogação e pênaltis no caso de a igualdade permanecer durante os 90 minutos.

 

Zona Centro-Sul

Grupo 5

1º Jogo – 5/12/1971 – domingo – 15h30
Ponte Preta-SP 1×0 Villa Nova
Gol – Manfrini (44’ do 1º)
Público – 2.235
Renda – Cr$20.193,00
Local – Estádio Moisés Lucarelli (Campinas-SP)
Árbitro – José Mário Vinhas (GO)
Assistente 1 – Nilson Bilha (SP)
Assistente 2 – Almir Laguna (SP)
Ponte Preta – Wilson; Marinho, Dagoberto, Valdir Vicente e Santos; Mosca (Ferreirinha) e Serginho; Ditinho, Pedro Paulo (Paulinho), Manfrini e Adílson
Técnico – Cilinho
Villa Nova – Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum (Nélson), Paulinho Cai-Cai, Wilson (Eduardo Perrela) e Dias
Técnico – Martim Francisco

 

Curiosidade: A classificação obtida diante do Central amoleceu o coração da diretoria do Villa Nova, que estipulou um bicho (gratificação) pela vitória sobre a Ponte Preta em Cr$200. A delegação alvirrubra viajou de ônibus para Campinas pela Viação Transbarreira, acompanhada pela tradicional charanga, e ficou concentrada no Hotel Imperial. Nas partidas que o Villa Nova realizou em Belo Horizonte pelo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, a concentração acontecia no alojamento do Mineirão.

 

2º Jogo – 8/12/1971 – quarta-feira – 15h30
Villa Nova 1×0 Ponte Preta-SP
Gol – Paulinho Cai-Cai (5’ do 2º)
Público – 1.062
Renda – Cr$5.310,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Carlos Floriano Vidal (GB)
Assistente 1 – Juan de La Pasión Artéz (MG)
Assistente 2 – José Alberto Teixeira dos Santos (MG)
Villa Nova – Arésio, Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho, Eduardo Perrela e Dias
Técnico – Martim Francisco
Ponte Preta – Wilson; Marinho, Dagoberto, Valdir Vicente e Santos; Mosca e Serginho; Ditinho, Pedro Paulo (Paulo Jorge), Manfrini e Adílson
Técnico – Cilinho

 

Curiosidade: O goleiro Waldir Peres fazia parte do elenco da Ponte Preta, equipe que defendeu até 1973. Nesse ano foi para o São Paulo e fez sucesso no Morumbi, chegando a ser titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982.

Outro jogador da Macaca que se consagrou foi o atacante Manfrini, que em 1972 transferiu-se para o Palmeiras e depois foi para o Rio de Janeiro defender Fluminense e Botafogo.

A Ponte Preta tinha um time respeitável e foi vice-campeã paulista em 1970, além de se tornar o primeiro clube do interior a disputar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa nesse mesmo ano. Apelidado carinhosamente de Robertão pelos torcedores e pela crônica esportiva, a competição seria o embrião do verdadeiro Campeonato Brasileiro, finalmente implantado pela antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em 1971.

Já o assistente José Alberto Teixeira dos Santos ficou famoso em Minas Gerais por ter dado início a uma determinada partida, em que atuava como árbitro, sem a bola. Esse lapso foi repetido em 2007 pelo árbitro paulista Paulo Roberto Ferreira, na partida entre Rio Claro e Grêmio Barueri, pelo Campeonato Paulista da Série A1.

 

Jogo Extra – 11/12/1971 – sábado – 15h30
Villa Nova 0x0 Ponte Preta-SP
Público – 1.920
Renda – Cr$9.600,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Bartolomeu Vaz Lordelo (BA)
Assistente 1 – Sílvio Gonçalves David (MG)
Assistente 2 – Jarbas de Castro Pedra (MG)
Villa Nova – Arésio, Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Eduardo Perrela (Nélson) e Dias
Técnico – Martim Francisco
Ponte Preta – Wilson; Marinho, Dagoberto, Valdir Vicente e Santos; Mosca (Paulinho) e Ferreirinha; Ditinho, Serginho, Manfrini e Adílson (Tuta)
Técnico – Cilinho

 

Na prorrogação:

Villa Nova 1×1 Ponte Preta
Gols – Paulinho Cai-Cai (1’ do 2º) (V) – Paulinho (6’ do 2º) (P)

 

Nos pênaltis:

Villa Nova 6×5 Ponte Preta

 

Na primeira série de cinco pênaltis, Manfrini e Mário Lourenço converteram todas as cobranças. Na primeira cobrança alternada, Manfrini cobrou, e o goleiro Arésio conseguiu tocar levemente na bola, que bateu na trave  direita; Mário Lourenço também errou, com a defesa de Wilson. Na segunda cobrança alternada, defendida por Arésio, Manfrini desperdiçou novamente. Mário Lourenço não vacilou e decretou a vitória villa-novense por 6×5 com um petardo no centro do gol. O ponte-pretano havia ganhado o sorteio e sempre bateu primeiro as penalidades.

OBS. – Com estes resultados, o Villa Nova classificou-se para a Final do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971.

 

Curiosidade: Naquela época, as decisões por pênaltis eram diferentes das que acontecem nos dias atuais. Apenas um jogador de cada time executava as cobranças, que não eram intercaladas. Primeiramente, o jogador de uma equipe batia cinco pênaltis consecutivos. Depois, o adversário fazia as cinco cobranças. Nessa dramática decisão contra a Ponte, coube ao lateral-esquerdo Mário Lourenço a responsabilidade de fazer as cobranças e garantir o Leão do Bonfim na Final. Pela equipe campineira, o encarregado foi Manfrini, conforme relato anterior.

Inconformada com a derrota, a Ponte Preta entrou com recurso no STJD tentando impugnar a validade da partida, alegando uma irregularidade na cobrança de pênaltis. A Justiça Desportiva, no entanto, não aceitou a argumentação da Macaca e confirmou o Villa Nova na grande decisão do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971 contra o Clube do Remo, de Belém do Pará. O time nova-limense foi representado pelo advogado Antônio Nicolau Wardi, diretor do clube.

O atacante Paulinho, que marcou o gol do clube campineiro na prorrogação, era o mesmo que havia atuado no Araxá e que estava no Botafogo de Ribeirão Preto antes de defender a Ponte Preta.

 

Zona Norte-Nordeste

Grupo 6

5/12/71 – Itabaiana-SE 0x2 Remo-PA, em Itabaiana (SE)
8/12/71 – Remo-PA 2×0 Itabaiana-SE, em Belém (PA)

Remo classificado para a final.

 

Final

As duas equipes jogaram em ida e volta para decidir o título do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971. Em caso de igualdade no número de pontos após as duas partidas, a exemplo do que estava previsto para as semifinais, seria realizado um jogo extra, com prorrogação e pênaltis no caso de a igualdade persistir.

 

1º Jogo – 15/12/1971 – quarta – 21h
Remo-PA 1×0 Villa Nova
Gol – Bráulio (contra) (2’ do 2º)
Público – 13.000
Renda – Cr$65.000,00
Local – Estádio Evandro Almeida – Baenão (Belém-PA)
Árbitro – Armindo Tavares (PE)
Assistente 1 – Jaime Batista (PA)
Assistente 2 – Paulo Bezerra (PA)
Remo – Dico; Mendonça, Mesquita, Valdemar e Edílson; Tito e Carlitinho; Ernani, Rubilota, Alcino e Neves
Técnico – François Thyn
Villa Nova – Arésio; Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Eduardo Perrela e Dias
Técnico – Martim Francisco

 

Curiosidade: O atacante Alcino era o grande ídolo da torcida do Remo no começo dos anos 1970. Alto – com quase dois metros de altura – e magro, tinha o estilo rompedor que caracterizava muitos artilheiros daqueles tempos.

Alcino viveria um drama pessoal em outubro de 1973, quando foi condenado a cinco anos e quatro meses de prisão por um juiz do então Estado da Guanabara. O motivo da condenação foi um assalto praticado pelo jogador no dia 4 de outubro de 1970. Alcino e o comparsa Damião Oliveira do Nascimento usaram uma arma de brinquedo e assaltaram o motorista de táxi Alfredo Cardoso no Rio de Janeiro, subtraindo-lhe Cr$328,00.

Presos logo depois, os dois confessaram o crime e foram liberados para aguardar o julgamento em liberdade. Damião desapareceu e Alcino foi jogar futebol em Belém. O processo foi julgado à revelia, e o goleador remista teve a sentença proferida no dia 9 de setembro de 1973. Em 5 de outubro do mesmo ano foi expedido o mandado de prisão, e a diretoria do Remo contratou um advogado às pressas para obter um habeas-corpus para o atleta e depois reformar a sentença nas instâncias superiores da Justiça.

 

2º Jogo – 19/12/1971 – domingo – 15h
Villa Nova 3×0 Remo-PA
Gols –- Dias (5’ do 1º), Jésum (22’ do 1º), Paulinho Cai-Cai (1’do 2º)
Público – 2.001
Renda – Cr$10.005,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Oscar Scolfaro (SP)
Assistente 1 – Sílvio Gonçalves David (MG)
Assistente 2 – Jarbas de Castro Pedra (MG)
Cartão Vermelho – Jésum (40’ do 2º) (V) – Mendonça (40’ do 2º) (R)
Villa Nova – Arésio, Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Jésum, Paulinho Cai-Cai, Eduardo Perrela (Nélson) e Dias
Técnico – Martim Francisco
Remo – Dico; Mendonça, Mesquita, Valdemar e Edílson; Tito e Carlitinho; Ernani (Edair), Rubilota, Alcino (Jeremias) e Neves
Técnico – François Thyn

 

Curiosidade: Na manhã desse jogo caiu uma chuva fortíssima em Belo Horizonte, e o gramado do Independência ficou muito pesado. Os paraenses sentiram mais do que os villa-novenses, que venceram com facilidade. A sempre presente charanga do Leão do Bonfim, sob a batuta do maestro Fuzil, começou a tocar a música Adeus, Belém do Pará a partir dos 35 minutos do segundo tempo.

No começo da noite desse mesmo domingo, sob o comando do inesquecível Telê Santana, o Clube Atlético Mineiro vencia o Botafogo por 1×0 no Maracanã, com um gol de Dario, e conquistava o primeiro Campeonato Brasileiro da história, que levava o nome oficial de Campeonato Brasileiro da Divisão Extra. Espertamente, a diretoria do Villa Nova colocou um anúncio nos principais jornais de Belo Horizonte parabenizando o Galo pelo título e pedindo o apoio da massa atleticana para o terceiro e decisivo jogo contra o Remo, que seria realizado na quarta-feira: “O Villa Nova saúda o Atlético e a torcida campeã do Brasil e espera o seu total apoio na decisão de quarta-feira, às 21h, no Independência. Minas precisa ser campeã total.” (Estado de Minas, edição do dia 21/12/1971)

 

Jogo Extra – 22/12/1971 – quarta – 21h
Villa Nova 2×1 Remo-PA
Gols – Mário Lourenço (pênalti) (4’ do 2º), Mário Lourenço (pênalti) (33’ do 2º) (V) – Cabecinha (9’ do 1º) (R)
Público – 5.025
Renda – Cr$25.105,00
Local – Estádio Independência (Belo Horizonte-MG)
Árbitro – Oscar Scolfaro (SP)
Assistente 1 – Silvio Gonçalves David (MG)
Assistente 2 – Jarbas de Castro Pedra (MG)
Cartão Vermelho – Eduardo Perrela (43’ do 2º) (V) – Ernani (43’ do 2º) (R)
Villa Nova – Arésio, Cassetete, Zé Borges, Bráulio e Mário Lourenço; Daniel e Piorra; Nélson, Paulinho Cai-Cai, Eduardo Perrela e Dias
Técnico – Martim Francisco
Remo – Dico; Chico, Edair, Valdemar e Edílson; Tito e Carlitinho; Ernani, Cabecinha, Jeremias (Rubilota) e Neves
Técnico – François Thyn
Suplentes do Villa Nova: Nonô, Rodolfo, Paulo Roberto, Wilson e Ernani Garzon
Suplentes do Remo: Jorge, Elias, Juci, Rubilota e Gavetinha

 

OBS. 1 – Naquela época, apenas cinco jogadores ficavam no banco de reservas e somente duas substituições podiam ser feitas no decorrer do jogo. O banco de reservas do Villa Nova no transcorrer da disputa ficou basicamente constituído assim: Nonô, Paulo Roberto, Rodolfo, Nélson, Wilson/Ernani Garzon. Na primeira partida contra o Central, o goleiro reserva foi Nem, em lugar de Nonô, que estava suspenso.

OBS. 2 – Com esse resultado, o Villa Nova sagrou-se campeão do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971.

OBS. 3 – Os mandos de campo para se determinar qual clube jogaria a segunda partida e a terceira em casa a partir da segunda fase do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão de 1971 eram definidos por sorteio na sede da CBD, no Rio de Janeiro. E a sorte bafejou o Leão do Bonfim em todas as etapas do certame, já que o time teve a vantagem de decidir sempre em Belo Horizonte contra Central, Ponte Preta e Remo.

 

Curiosidade: O vice-presidente do Remo, Manoel Gonçalves, que era o chefe da delegação, tentou nos bastidores levar o Jogo Extra para o Mineirão, porém, a direção do Villa Nova não permitiu que a manobra se efetivasse. Durante a partida, muito mais difícil do que a anterior, caiu uma chuva torrencial em Belo Horizonte, a exemplo do que havia acontecido na decisão do Campeonato Mineiro de 1951.

Numa feliz coincidência, o Leão do Bonfim se adaptou melhor à cancha encharcada e faturou o título. O Remo teve de trazer às pressas de Belém os laterais Chico e Lúcio Oliveira. O primeiro jogou como titular e o segundo nem foi relacionado.

O técnico François Thyn, que foi goleiro do time paraense até o começo de 1971, dispôs-se a ficar no banco de reservas como atleta caso o Remo não conseguisse reunir cinco jogadores para a suplência, sacrifício que não foi necessário.

A partida final foi transmitida para Belém, via Embratel, pela TV Itacolomi, atual TV Alterosa, afiliada ao SBT. Às 23h10, foi veiculado o videoteipe completo para Minas Gerais. Mais uma vez o lateral-esquerdo Mário Lourenço demonstrou eficiência e converteu para o Villa Nova as duas penalidades, marcadas no decorrer do segundo tempo, garantindo a heróica conquista do primeiro Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, a atual Série B. Assim, Minas Gerais ficava com os títulos das primeiras edições das duas divisões do Campeonato Brasileiro.

A convocação feita pela diretoria do Villa Nova às torcidas dos times de Belo Horizonte surtiu efeito, pois foi registrado o maior público do alvirrubro na competição. Muitos torcedores compareceram com camisas e bandeiras de Atlético, Cruzeiro e América para engrossar a animada torcida villa-novense nessa noite célebre.

O técnico Martim Francisco não pôde comandar o time no banco de reservas, pois se sentiu mal momentos antes do início da partida. Coube ao preparador físico Benecy Queiroz a responsabilidade de orientar o time na decisão. Martim acompanhou o jogo pelas janelas dos vestiários do Estádio Independência, que permitem a visão do gramado por estarem construídos ao mesmo nível, e conseguiu ler com perfeição a partida.

No intervalo ele pediu a Benecy que fosse feita uma marcação individual em Carlitinho, que jogava com o número 6 às costas, mas era o principal articulador das jogadas ofensivas do Remo. No segundo tempo, Daniel não desgrudou do remista e anulou completamente a criatividade do adversário. Com a perspicácia de Martim Francisco, o Villa Nova conseguiu virar o placar no segundo tempo. Benecy Queiroz trabalhou no Leão do Bonfim de 1968 a 1972. Bacharel em Educação Física e Direito, nascido no Município de Peixe (GO), Benecy foi trabalhar no Cruzeiro em 1973 e lá permanece até hoje como diretor técnico.

 

Resumo da Campanha do Villa Nova da conquista do Campeonato Brasileiro

Jogos disputados: 8
Vitórias: 4
Empates: 2
Derrotas: 2
Gols-Pró: 10
Gols Contra: 6

Artilheiros:
Paulinho Cai-Cai – 4 gols
Jésum – 2 gols
Mário Lourenço – 2
Dias – 1
Wilson – 1

 

Participação de cada jogador na campanha

O técnico Martim Francisco teve muita tranqüilidade para escalar o Villa Nova durante a vitoriosa trajetória no Campeonato Brasileiro de 1971. Dos 11 titulares, nove participaram de todos os jogos: Arésio, Cassetete, Zé Borges, Bráulio, Mário Lourenço, Daniel, Piorra, Paulinho Cai-Cai e Dias. Jésum – que ficou de fora do último jogo contra o Remo porque havia sido expulso – e Eduardo Perrela, que somente não participou da estréia diante do Central, em Barra do Piraí, por opção de Martim Francisco – fizeram sete partidas. Nélson, com cinco jogos, e Wilson, com três, foram os demais integrantes do elenco villa-novense que tomaram parte na campanha que culminou na conquista do título.

 

Jogadores inscritos pelo Villa Nova para a disputa do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão – 1971

No dia 11 de novembro de 1971, o presidente do Villa Nova encaminhou o ofício nº 241/71 à Federação Mineira de Futebol com a relação dos atletas do clube que deveriam ser inscritos para a disputa doCampeonato Brasileiro da Primeira Divisão. A lista é a que segue, lembrando que os números não têm relação com as camisas usadas pelos jogadores em campo:

 

 1- Antônio Bosco de Souza
 2- Bráulio Antônio Soares – Bráulio
 3- Carlos Alberto Goulart
 4- Carlos Geraldo Martins
 5- Eduardo Luiz – Eduardo Perrela
 6- Francisco de Assis Mendonça – Piorra
 7- Jésum Gabriel – Jésum
 8- Carlos Martins da Silva
 9- José Álvares Gomes – Paulinho Cai-Cai
10- Daniel Cosme da Cruz – Daniel
11- Osmar Augusto de Carvalho
12- Mozart Antônio de Assis
13- Franklin Silvestre Dias – Dias
14- José Cassemiro da Silva – Cassetete
15- Rodolfo Maia Gomury – Rodolfo
16- Vanil José de Almeida – Índio
17- Nelson Severino Dias Filho – Nelson
18- Wilson Araújo – Wilson
19- Francisco Araújo
20- Arésio José Pereira – Arésio
21- José Borges de Souza – Zé Borges
22- Mário Lourenço de Oliveira – Mário Lourenço
23- Paulo Roberto Figueiredo – Paulo Roberto
24- Paulo Antônio da Silva
25- Ernani Garzon Gomes – Ernani Garzon
26- Hamilton Braga
27- Ademir Valentim

 

 

Wágner Augusto Álvares de Freitas é jornalista, torcedor e historiador do Villa Nova.

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