História do Campeonato Brasileiro – A Fase da Bagunça, de 1988 a 2002

A história do campeonato brasileiro tem fases muito distintas. O período que vai de 1988 a 2002 será chamado por mim como a Fase da Bagunça. Esse período é caracterizado, principalmente, pelas confusões relacionadas ao rebaixamento, finalmente implementado pela CBF em 1988, e por algumas bizarrices previstas no regulamento:

 

As confusões com o rebaixamento: com o rebaixamento finalmente implementado em 1988, as confusões foram 1. operação de resgate do Grêmio, rebaixado em 1991, 2. a anulação do rebaixamento de 1996 envolvendo Fluminense e Bragantino devido ao Caso Ivens Mendes e, 3. o Brasileiro de 1999, a segunda maior confusão do futebol brasileiro, lado-a-lado com os campeonatos de 1986 e 1987. Esse foi o Brasileiro do Caso Sandro Hiroshi, que levou a CBF a desistir de organizar o campeonato de 2000, dando origem a Copa João Havelange;

Bizarrices de regulamentos, todas devidamente previstas: no Brasileiro de 1988, por exemplo, em caso de empate, os times disputavam um ponto extra nos pênaltis. O vencedor dos pênaltis levava 2 pontos para casa enquanto o derrotado, 1. Para isso, a vitória valeu pela primeira vez 3 pontos. Esse Brasileiro ainda tinha outra bizarrice: na Fase Final, disputada a partir das quartas-de-final, o time que tinha a vantagem do empate por ter feito a melhor campanha, além de empatar os dois jogos, tinha que empatar  uma prorrogação.

 

 

Os formatos

Os campeonatos desse período foram organizados da forma clássica utilizada pela CBD/CBF desde 1967, quando o primeiro Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi disputado: Fase Classificatória + Fase Final. Parece simples, mas existiram diversas formas de organização.

 

Fase Classificatória

Tenho a impressão de que o formato mais lembrado utilizado entre 1988 e 2002 é a Fase Classificatória em turno único com os primeiros colocados se classificando para a Fase Final, organizada como torneio, e os últimos colocados sendo rebaixados. Contudo, dos 15 campeonatos desse período, somente 7 utilizaram esse formato: 1991, 1996, 1997, 1998, 1999, 2001 e 2002. Apenas o Brasileiro de 1999 teve um critério de rebaixamento diferente dos demais. Acredito que essa fórmula acabe sendo lembrada justamente por sua simplicidade, o que favorece sua explicação, assimilação e lembrança.

A Copa João Havelange utilizou um formato parecido, mas os participantes de sua Fase Final, disputada a partir das oitavas-de-final vieram de 4 módulos distintos, e não somente de uma única Fase Classificatória.

 

Fase Final

A Fase Final desses 15 campeonatos foi organizada, geralmente, no formato de torneio, na maioria das vezes a partir das quartas-de-final, 8 no total. Contudo, tivemos campeonatos decididos a partir das oitavas-de-final (2000), semifinais (1991 e 1995) ou diretamente nas finais (1989, 1992, 1993 e 1997).

 

Oitavas-de-final: 2000;

Quartas-de-final: 1988, 1990, 1994, 1996, 1998, 1999, 2001 e 2002;

Semifinais: 1991 e 1995;

Finais: 1989, 1992, 1993 e  1997.

 

Um ponto importante: os campeonatos de 1992, 1993 e 1997 tiveram uma característica em comum. Antes da final, os 8 melhores times foram divididos em dois grupos com 4 clubes. Cada grupo disputou um quadrangular por pontos corridos com turno e returno. O primeiro colocado de cada grupo se classificou para a final.

 

A colocação do campeão brasileiro na Fase Classificatória

Dos 15 campeonatos desse período, podemos analisar a colocação do campeão brasileiro na Fase Classificatória em 12 deles devido a forma como eles foram organizados. Não é possível verificar essa informação nas edições de 1989, 1993 e 1995.

Desses 12 campeonatos, em apenas 4 o primeiro colocado da Fase Classificatória foi campeão brasileiro, ou seja, o melhor time do início ao fim:

 

1988, Bahia campeão, 3º colocado na Fase Classificatória;

1990, Corinthians campeão, 4º colocado na Fase Classificatória;

1991, São Paulo campeão, 1º colocado na Fase Classificatória;

1992, Flamengo campeão, 4º colocado na Fase Classificatória;

1994, Palmeiras campeão, 6º colocado na Fase Classificatória;

1996, Grêmio campeão, 6º colocado na Fase Classificatória;

1997, Vasco campeão, 1º colocado na Fase Classificatória;

1998, Corinthians campeão, 1º colocado na Fase Classificatória;

1999, Corinthians campeão, 1º colocado na Fase Classificatória;

2000, Vasco campeão, 5º colocado na Fase Classificatória;

2001, Atlético-PR campeão, 2º colocado na Fase Classificatória;

2002, Santos campeão, 8º colocado na Fase Classificatória.

 

Nos outros 8 campeonatos, o primeiro colocado da Fase Classificatória ficou pelo caminho:

 

1988, Vasco, eliminado nas quartas-de-final;

1990, Grêmio, eliminado nas semifinais;

1992, Vasco, eliminado no quadrangular do Grupo 1;

1996, Cruzeiro, eliminado nas semifinais;

2000, Cruzeiro, eliminado nas semifinais;

2001, São Caetano, derrotado na final;

2002, São Paulo, eliminado nas quartas-de-final.

 

As bizarrices

1988 – Como já mencionado, em caso de empate, cada time receberia um ponto, mas haveria a disputa de um ponto extra. Para isso, a vitória valeu, pela primeira vez, 3 pontos. Em 1989, a vitória voltou a valer 2 pontos, e somente passou a valer 3 pontos novamente em 1995. Com relação a esse ponto extra, houve um protesto completamente idiota por parte de Fluminense e Botafogo já na primeira rodada. Depois de empatarem em 1×1, 02/09/1988, as duas equipes se negaram a disputar os pênaltis e se retiraram de campo. Os pênaltis para decisão do ponto extra somente foram cobrados no dia 05/10/1988, um mês depois, quando as duas equipes foram a campo no Maracanã apenas para fazer isso. O Fluminense venceu por 5×4. Ressalto que já na segunda rodada, o Fluminense, que havia feito esse protesto inútil junto com o Botafogo na rodada anterior, empatou com o Corinthians em 0x0, 07/09/1988, e disputou os pênaltis para decisão do ponto extra, onde perdeu por 3×2. Na quarta rodada foi a vez do Botafogo disputar pela primeira vez um ponto extra. Depois de empatar com o Palmeiras em 1×1, 17/09/1988, o clube carioca venceu a disputa por pênaltis por 4×2.

Na Fase Final, disputada no formato de torneio a partir das quartas-de-final, o time que tinha a vantagem de jogar pelo empate tinha que pelo menos empatar as duas partidas e ainda uma prorrogação. Isso aconteceu duas vezes:

 

Quartas-de-Final, Bahia x Sport-PR: a primeira partida terminou empatada em 1×1 (29/01/1989) e a segunda em 0x0 (01/02/1989). Assim, os dois clubes jogaram uma prorrogação tendo o Bahia a vantagem do empate. Após novo empate em 0x0, o Bahia se classificou para às semifinais;

 

Quartas-de-Final, Fluminense x Vasco: o Fluminense venceu o primeiro jogo por 1×0 (29/01/1989) e o Vasco o segundo por 2×1 (01/02/1989). Assim, os dois clubes tiveram que disputar uma prorrogação tendo o Vasco a vantagem do empate por possuir melhor campanha. O Fluminense se classificou para as semifinais após o vencer o Vasco por 2×0 na prorrogação.

 

1988, Brasileiro da Primeira Divisão

 

1989 – A final deveria ser disputada em duas partidas, mas foi resolvida já na primeira. O Vasco, por possuir melhor campanha, levou um ponto para a final, ao invés de ter a vantagem do empate. Além disso, a equipe que tinha a vantagem poderia escolher o local do primeiro jogo. Assim, o clube carioca optou por disputar a primeira partida da decisão contra o São Paulo no Morumbi, onde venceu por 1×0, 16/12/1989, e conquistou o Brasileiro de 1989 sem a necessidade de disputar o segundo jogo;

 

1989, Brasileiro da Primeira Divisão

 

1991 – A Fase Final foi disputada no formato de torneio a partir das semifinais. Os times de melhor campanha, São Paulo e Bragantino, levaram um ponto extra para as semifinais. Se eles vencessem uma partida, a primeira por exemplo, a semifinal estaria resolvida independentemente do resultado da segunda partida, que mesmo assim seria disputada. O São Paulo passou pelo Atlético-MG depois de dois empates: 1×1, 25/05/1991, e 0x0, 01/06/1991. Já o Fluminense levou a pior. Perdeu por 1×0 para o Bragantino, em pleno Maracanã, no dia 26/05/1991, e foi para o segundo jogo da semifinal eliminado (1×1, 01/06/1991). Hipoteticamente, mesmo que o Fluminense tivesse vencido a segunda partida por 5×0, isso não faria qualquer diferença.

Considerando os resultados das semifinais, o Bragantino passou a ter melhor campanha que o São Paulo e levou um ponto extra para a final. Ou seja, se o Bragantino tivesse vencido a primeira partida da decisão, o campeonato estaria decidido. Contudo, no primeiro jogo, o São Paulo venceu por 1×0, 05/06/1991, e se sagrou campeão ao empatar a segunda partida por 0x0, 09/06/1991.

 

1991, Brasileiro da Primeira Divisão

 

1994 – Na Fase Classificatória, os 24 clubes foram divididos em 4 grupos com 6 clubes. Os jogos foram disputados no sistema de pontos corridos com turno e returno, num total de 10 jogos para cada clube. Os dois últimos colocados de cada Grupo, 8 no total, disputaram uma Repescagem que, além de definir os dois clubes rebaixados, ainda definiria os últimos dois classificados para as quartas-de-final (!). Foi assim que Bragantino e Atlético-MG saíram da Repescagem, que definiu o rebaixamento do campeonato, diretamente para as quartas-de-final do Brasileiro de 1994. O Atlético-MG chegou até as semifinais, onde foi eliminado pelo Corinthians, que tinha a vantagem do empate (3×2, 07/12/1994, e 0x1, 11/12/1994).

 

1994, Brasileiro da Primeira Divisão

 

1998 e 1999 – A Fase Final desses dois anos, organizada no formato de torneio a partir das quartas-de-final, teve três partidas em cada uma de suas chaves. O clube de melhor campanha tinha a vantagem do empate (poderia empatar os três jogos), disputava o primeiro jogo na casa do adversário e os outros dois em casa. Se o clube de melhor campanha vencesse os dois primeiros jogos, o terceiro não seria disputado. Isso não aconteceu em 1998, mas aconteceu duas vezes em 1999: nas quartas-de-final, Atlético-MG e Cruzeiro jogaram apenas duas vezes, pois o Atlético-MG, que tinha a vantagem, venceu as duas primeiras partidas: 4×2, 14/11/1999, e 3×2, 21/11/1999. Na semifinal ocorreu o mesmo na chave Corinthians x São Paulo. Depois de vencer as duas primeiras partidas por 3×2, 28/11/1999, e 2×1, 05/12/1999, o Corinthians se classificou para a final sem a necessidade da terceira partida.

 

1998, Brasileiro da Primeira Divisão

1999, Brasileiro da Primeira Divisão

 

1999 – Outra bizarrice do campeonato brasileiro de 1999 foi o critério de rebaixamento. Pela primeira, e única vez, o rebaixamento seria definido pela média de pontos por partida considerando o campeonato de 1998 e 1999. Assim, times que tinham feito uma boa campanha em 1998 poderiam se salvar do rebaixamento, como aconteceu com Portuguesa e Sport-PE, que terminaram nas últimas duas posições e permaneceram na primeira divisão. O rebaixamento poderia até ter funcionado, mas a CBF agiu para salvar Botafogo e Inter-RS, inventou um problema para o São Paulo com relação ao jogador Sandro Hiroshi, e entregou os três pontos de cada partida, São Paulo 6×1 Botafogo e São Paulo 2×2 Inter-RS, para o clube carioca e gaúcho. Esses três pontos não fizeram diferença para o Inter-RS, que conquistou os pontos suficientes no campo, mas salvaram o Botafogo, que sem eles teria sido rebaixado. O problema é que o Botafogo ficaria na primeira divisão ao custo do rebaixamento do Gama, que ficou na 15ª colocação em 22 clubes (!). O Gama iniciou uma batalha na Justiça Comum, derrotou sistematicamente a CBF e a levou a desistir de organizar o Brasileiro de 2000, que foi substituído por um campeonato organizado pelos clubes, a Copa João Havelange. O Gama participou do módulo principal do campeonato, o Módulo Azul.

 

1999, Brasileiro da Primeira Divisão

 

2001 – A Fase Final foi organizada no formato de torneio a partir das quartas-de-final. O problema é que as quartas-de-final e semifinais foram disputadas em partida única, sempre na casa do clube com melhor campanha. A final foi disputada em dois jogos.

 

2001, Brasileiro da Primeira Divisão

 

 

Os rebaixamentos emblemáticos

O campeonato brasileiro tentou implementar o rebaixamento como o conhecemos em 1986. O campeonato terminou em confusão, o que levou a CBF a desistir de organizar o campeonato de 1987, surgindo assim a Copa União, os Módulos Verde e Amarelo, e o fatídico quadrangular final. A CBF somente conseguiu implementar o rebaixamento de fato em 1988. Desde então, ele só não aconteceu em duas oportunidades: 1992, quando não houve por causa da operação de resgate do Grêmio, que havia sido rebaixado em 1991, e em 1996, quando o rebaixamento de Fluminense e Bragantino foi anulado como parte da operação para abafar o Caso Ivens Mendes, envolvendo Corinthians e Atlético-PR. Assim, de todos os rebaixamentos desde 1988, podemos observar que:

 

Coritiba (1985), Guarani (1978) e Sport-PE (1987) foram os primeiros campeões brasileiros da primeira divisão rebaixados. Isso aconteceu em 1989. O Coritiba já havia sido rebaixado em 1986, um ano após a conquista do Brasileiro de 1985, mas o rebaixamento não foi efetivado pela CBF, que desistiu de organizar o campeonato de 1987;

O Coritiba foi o primeiro campeão brasileiro a ser rebaixado para a terceira divisão. Isso aconteceu em 1990, mas não chegou a ser efetivado pois o campeonato da terceira divisão de 1991 não foi realizado. Assim, o Coritiba acabou disputando novamente a segunda divisão em 1991;

O Grêmio foi o primeiro campeão mundial e da Libertadores, ambos em 1983, rebaixado para a segunda divisão do brasileiro. Isso aconteceu em 1991. O segundo foi justamente o Inter-RS, rebaixado em 2016, que havia sido campeão mundial em 2006 e da Libertadores em 2006 e 2010. O Grêmio voltou a ser rebaixado em 2005;

Demais campeões da Libertadores rebaixados foram o Vasco, campeão em 1998, rebaixado em 2008, 2013 e 2015, e Palmeiras, campeão em 1999, rebaixado em 2002 e 2012. Quando o Atlético-MG foi rebaixado em 2005, ele ainda não havia sido campeão da Libertadores (2013);

O Fluminense foi o segundo campeão brasileiro a ser rebaixado para a terceira divisão, 1998, mas não contou com a sorte do Coritiba, cujo campeonato havia sido cancelado. Assim, o clube carioca foi o primeiro campeão brasileiro a efetivamente disputar a terceira divisão, da qual se sagrou campeão em 1999. Outros dois campeões brasileiros estiveram na terceira divisão: Bahia, 2006 e 2007, e Guarani, 2007, 2008, 2013, 2014, 2015 e 2016.

 

 

As confusões

1991, Rebaixamento do Grêmio

A operação de resgate do Grêmio foi extremamente trabalhosa:

 

Grêmio e Vitória foram rebaixados no Brasileiro de 1991;

Para assegurar o retorno do Grêmio, a CBF promoveu 12 clubes no brasileiro da segunda divisão de 1992. O campeonato foi disputado por 32 clubes divididos em 4 grupos com 8 clubes. Ao término da primeira fase, os três primeiros colocados de cada grupo, 12 no total, além de estarem classificados para a segunda fase, estavam promovidos para a primeira divisão de 1993. O Grêmio foi eliminado na segunda fase, longe de sua Fase Final;

Para que a CBF conduzisse a operação de resgate sem apurrinhações, o Brasileiro de 1992 não teve rebaixamento;

Em 1993, para corrigir a promoção de 12 clubes feita em 1992, o que fez com que a primeira divisão passasse de 20 clubes para 32 clubes em 1993, o campeonato terminou com a queda de 8 clubes;

Na hora de organizar o Brasileiro de 1993, a CBF distribuiu os 32 clubes em 4 grupos com 8 clubes. Os clubes mais fortes ficavam nos Grupos A e B. Os Clubes tidos como mais fracos ficavam nos Grupos C e D. Era desses dois grupos que sairiam os 8 clubes rebaixados. Considerando os 12 clubes promovidos da segunda divisão do ano anterior, Santa Cruz, Ceará, Fortaleza, Remo, Vitória, Desportiva-ES, Criciúma, Coritiba, União São João de Araras, América-MG, Paraná e Grêmio, todos foram distribuídos pelos Grupos C e D, com exceção do Grêmio, que foi colocado no Grupo B, onde não havia rebaixamento;

Para regularizar a quantidade de clubes da primeira divisão em 1993, era fundamental não haver promoção nesse ano, assim não houve o campeonato da segunda divisão, e sim um “Qualificatório para a Segunda Divisão de 1994”;

 

1991, Brasileiro da Primeira Divisão

1992, Brasileiro da Segunda Divisão

1992, Brasileiro da Segunda Divisão

1993, Brasileiro da Primeira Divisão

1993, Qualificatório para a Segunda Divisão de 1994

 

1996, Caso Ivens Mendes e a anulação do rebaixamento

A CBF sempre deixou claro que existe uma predileção por certos clubes. Quando o Coritiba, Guarani e Sport-PE, todos campeões brasileiros em anos anteriores, foram rebaixados em 1989, ela não moveu uma dedo para ajudá-los. Mas quando o rebaixado foi o Grêmio, em 1991, ela montou toda a operação de resgate detalhada anteriormente. O problema é que essa operação foi extremamente trabalhosa e sua correção mexeu com o campeonato por dois anos, entre a promoção de 12 clubes em 1992, o inchaço e desinchaço da primeira divisão em 1993 e a não realização da segunda divisão nesse ano. Ou seja, não era possível repetir isso. Quando a CBF se deparou com a situação do Fluminense em 1996 e do Botafogo e Inter-RS em 1999, ela passou a aproveitar ou criar oportunidades.

Terminado o Brasileiro de 1996, Fluminense e Bragantino estavam rebaixados para a segunda divisão. De Dez/1996 a Mai/1997, não houve qualquer movimentação para mexer no rebaixamento, ou seja, os dois clubes participariam da segunda divisão de 1997, que começaria em agosto. Mas em Mai/1997, surgiu o escândalo que ficou conhecido como Caso Ivens Mendes. Esse escândalo era referente ao suborno de arbitragens para favorecimento de Corinthians e Atlético-PR nos campeonatos nacionais. Esse suborno passava pelo Presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol, Ivens Mendes, e envolvia diretamente o Presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e do Atlético-PR, Mario Petraglia. Na época, ficou conhecida a expressão “1-0-0” referente a um valor que aparece em uma das gravações sendo solicitado por Ivens Mendes a Alberto Dualib.

As consequências do escândalo eram imprevisíveis. Por exemplo, Eurico Miranda, na época Deputado Federal e Vice-Presidente de Futebol do Vasco, tentou suspender a semifinal da Copa do Brasil de 1997 entre Corinthians e Grêmio. O Corinthians havia eliminado o Atlético-PR nas quartas-de-final, que por sua vez havia eliminado o Vasco nas oitavas-de-final. Nessa chave, o primeiro jogo havia terminado com a vitória vascaína por 4×3, 10/04/1997. No segundo jogo, vitória atleticana por 3×1, 03/04/1997, e classificação para as quartas-de-final. Existia a forte suspeita de que o segundo jogo havia sido manipulado para viabilizar a vitória do Atlético-PR.

As investigações não foram concluídas, e tampouco a CBF se interessou em apurar o caso. As punições foram ridículas. O STJD baniu Ivens Mendes, já falecido, do futebol. O Atlético-PR perdeu 5 pontos no Brasileiro de 1997, sem que isso afetasse sua colocação na tabela. É por isso que o Atlético-PR, que somou 33 pontos na fase classificatória, ficou na 11ª colocação com 28 pontos, atrás do Botafogo com 34 pontos e à frente do Sport-PE com 33 pontos (?). Aqui podemos fazer um exerício: o Atlético poderia ter se classificado na 8ª colocação com menos pontos que o 9º colocado ou poderia ter ficado na 22ª colocação com menos pontos que o primeiro clube na zona de rebaixamento (foram rebaixados 4 clubes, 23º, 24º, 25º e 26º). O Corinthians não sofreu punição alguma.

Caso a investigação fosse de fato feita, responsabilidades seriam apuradas e Corinthians e Atlético-PR poderiam sofrer diversas punições como a suspensão por um determinado período e o rebaixamento para uma divisão inferior do campeonato brasileiro. Eu me lembro de discussões informais da época sobre se os dois seriam rebaixados no lugar de Fluminense e Bragantino ou se os 4 seriam rebaixados juntos, por exemplo. Na dúvida, a CBF optou por abafar o caso, tanto que as investigações não foram concluídas. Foi nesse contexto que o rebaixamento de 1996 foi cancelado.

 

1996, Brasileiro da Primeira Divisão

1997, Copa do Brasil

1997, Brasileiro da Primeira Divisão

 

 

1999, Botafogo, Inter-RS, Gama, São Paulo e Sandro Hiroshi

 

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Sandro Hiroshi na goleada do São Paulo por 6×1 contra o Botafogo. Ele marcou o quinto gol da vitória são paulina.

 

O rebaixamento do Brasileiro de 1999

O Brasileiro de 1999 trouxe uma novidade com relação ao rebaixamento. Ele seria definido pela média de pontos por partida dos campeonatos de 1998 e 1999. O cálculo seria feito da segunda forma:

 

Pontos de 1998 divididos por 23 (total de jogos da Fase Classificatória desse ano) + Pontos de 1999 divididos por 21 (total de jogos da Fase Classificatória desse ano);

O somatório dos dois números seria dividido por 2 (dois campeonatos)

 

Se um clube não tivesse participado do campeonato de 1998, o cálculo seria: Pontos de 1999 divididos por 21 (total de jogos da Fase Classificatória desse ano). Isso aconteceu com Gama e Botafogo-SP, campeão e vice da segunda divisão de 1998.

 

Os impactos desse confuso critério

Os clubes que possuíssem os piores médias seriam rebaixados, independente de sua colocação no campeonato. Assim, um clube que tivesse feito uma boa campanha em 1998 e uma péssima campanha em 1999, poderia se salvar por causa da média, como de fato aconteceu com Portuguesa e Sport-PE, penúltimo e último colocados.

Da mesma forma que esse critério salvou Portuguesa e Sport-PE, ele poderia prejudicar um clube que mesmo ficando numa posição intermediária tivesse feito uma campanha ruim no ano anterior. Foi o que aconteceu com Botafogo e Inter-RS, que no decorrer do campeonato iam fazendo campanhas ruins e desenhando os seus rebaixamentos. Contudo, no meio do caminho havia o Caso Sandro Hiroshi que mexeu com a tabela do campeonato, salvou o Botafogo, serviu como uma apólice de seguro para o Inter-RS, tirou pontos do São Paulo de forma cirúrgica para não prejudicá-lo e empurrou o Gama para a segunda divisão do Brasileiro de 2000.

 

Sandro Hiroshi, uma tecnicidade sem importância que virou um problemão

Hiroshi começou sua carreira no Tocantinópolis-TO. Em 1999 se transferiu para o Rio Branco de Americana e, ao final do Estadual, foi contratado, aos 19 anos de idade, pelo São Paulo para a disputa do campeonato brasileiro. Após a contratação do jogador, houve uma divergência entre o Tocantinópolis, que cobrava parte do valor da negociação, e o Rio Branco, que dizia não dever nada para o clube de Tocantins. A CBF bloqueou o passe do jogador até que o problema entre os dois clubes fosse resolvido. O bloqueio significava que o São Paulo não poderia negociar o jogador até que se resolvesse essa pendência, não havendo qualquer impacto sobre a sua escalação.

O São Paulo seguiu utilizando normalmente o jogador, pois tinha claro que esse problema não afetava sua escalação. Ele atuou normalmente até a 17ª rodada, quando o São Paulo foi derrotado por 4×1 pelo Atlético-PR (14/10/1999). Em 17 rodadas, Hiroshi esteve em campo em 16 jogos, com 8 vitórias, 2 empates e 7 derrotas. Ele só não jogou na vitória do São Paulo contra o Grêmio por 4×0, 04/09/1999, pela nona rodada.

O problema começou quando Botafogo e Inter-RS confirmavam suas péssimas campanhas e caminhavam a passos largos para a segunda divisão de 2000. Já na segunda rodada, o Botafogo havia sido goleado pelo São Paulo por 6×1, 04/08/1999. O Inter-RS havia empatado em 2×2 com o São Paulo pela décima sexta rodada, 10/10/1999.

O Botafogo foi o primeiro clube a ingressar no STJD solicitando a anulação da partida contra o São Paulo e os três pontos da partida. Sua alegação era de que o jogador Sandro Hiroshi estava irregular, portanto não poderia ter atuado.

A partir do momento em que o processo do Botafogo no STJD começou a avançar, os outros clubes, que haviam perdido pontos para o São Paulo, ou na medida em que iam perdendo, começaram a ingressar com processos solicitando a anulação dos seus jogos e os três pontos das partidas.

 

Além do Botafogo, fizeram isso:

 

Atlético-MG, derrotado por 5×1 na primeira rodada, 25/07/1999;

Botafogo-SP, derrotado por 1×0 na sexta rodada, 22/08/1999;

Guarani, derrotado por 3×2 na oitava rodada, 01/09/1999;

Coritiba, derrotado por 2×1 na décima rodada, 11/09/1999;

Vasco, derrotado por 2×1 na décima quarta rodada, 29/09/1999;

Internacional-RS, que empatou por 2×2 na décima sexta rodada, 10/10/1999.

 

O Juventude, derrotado por 2×0 pela 12ª rodada, 19/09/1999, não ingressou com um processo, da mesma forma que o Palmeiras, que havia empatado em 0x0 pela décima quinta rodada, 03/10/1999. Como já dissemos, Sandro Hiroshi não atuou na vitória são paulina por 4×0 contra o Grêmio, portanto o clube gaúcho não tinha motivo para ingressar com um processo no STJD.

 

 

São Paulo

Quando o São Paulo se deu conta do risco que estava correndo, parou de escalar Sandro Hiroshi. Isso aconteceu a partir da 18ª rodada, faltando quatro rodadas para o término da Fase Classificatória (21 rodadas no total). Por mais que fosse uma loucura, se o São Paulo perdesse todos os pontos que estavam sendo requeridos, ele poderia ser rebaixado. Quando consideramos a tabela final da Fase Classificatória de 1999 e a anulação das 7 partidas em que o clube pontuou com Hiroshi em campo, e que o adversário pediu a anulação do jogo e os pontos da partida, o clube paulista terminaria com a média 0,90, a pior do campeonato, e seria rebaixado.

Diante desse quadro, o São Paulo entrou com recursos no STJD, alegando o básico que estava sendo esquecido: existiam outros jogadores na mesma condição de Sandro Hiroshi, ou seja, com o passe bloqueado, e que seguiam atuando sem qualquer questionamento. Os recursos foram considerados improcedentes.

O São Paulo, com o apoio dos clubes paulistas, ameaçou recorrer a justiça comum e, até mesmo, paralisar a competição. Aí entrou a mágica do STJD. Dos 7 pedidos ingressados contra o São Paulo, apenas dois foram considerados procedentes: Botafogo e Inter-RS. Os demais, Atlético-MG, Botafogo-SP, Guarani, Coritiba e Vasco, que pediam exatamente a mesma coisa sob a mesma alegação, foram considerados improcedentes. Uma observação: os três pontos dos jogos contra o São Paulo não afetariam a classificação de Atlético-MG, Guarani e Vasco para a Fase Final; não classificaria o Coritiba para a Fase Final e não salvaria o Botafogo-SP do rebaixamento.

O São Paulo, que foi utilizado pela CBF e pelo STJD para ajudar Botafogo e Inter-RS, perdeu apenas 4 pontos, não correu risco de rebaixamento e se classificou para a Fase Final do campeonato, onde foi eliminado nas semifinais.

 

Inter-RS

Quando os clubes começaram a ingressar com os processos, não havia como saber como ia terminar a Fase Classificatória. O Inter-RS fazia uma campanha ruim e esses 3 pontos poderiam definir sua permanência na primeira divisão. Por mais que o clube gaúcho tenha recebido os três pontos, ele conseguiu no campo os pontos necessários para melhorar sua média e permanecer na primeira divisão. Com os três pontos do jogo contra o São Paulo, o Inter-RS terminou com a média 1,27, se salvando da segunda divisão. Nesse caso, o rebaixado de melhor média seria o Gama com 1,24. Se os resultados dos jogos de Inter-RS e Botafogo tivessem sido mantidos, 2×2 e 1×6, o Inter-RS terminaria com a média 1,20, se salvando da segunda divisão, enquanto o rebaixado de melhor média seria o Botafogo com 1,18. O Gama, com a média de 1,24, se salvaria.

 

O clima da época

Para que se tenha uma ideia da tensão da época, reproduzimos as manchetes do caderno esportivo do jornal Estado de São Paulo:

 

Estadão, 19/10/1999, Tribunal deixa São Paulo praticamente eliminado

Estadão, 20/10/1999, São Paulo tenta recuperar pontos no TJD

Estadão, 21/10/1999, CBF manda documentação de Hiroshi à Conmebol

Estadão, 22/10/1999, TJD decide sorte do São Paulo na próxima semana

Estadão, 23/10/1999, Carpegiani diz que Hiroshi foi induzido à falsificação

Estadão, 26/10/1999, Tribunais vão decidir o futuro dos clubes

Estadão, 27/10/1999, Técnico mostra como nasce um gato no futebol

Estadão, 30/10/1999, CBF tira Hiroshi, Henrique e Bell de campo

Estadão, 02/11/1999, Jogos de amanhã podem definir futuro dos paulistas /Solidários a Hiroshi, jogadores do São Paulo admitem até fazer greve

Estadão, 04/11/1999, TJD mantêm a perda de pontos do São Paulo

Estadão, 05/11/1999, Paulistas decidem hoje se param o Brasileiro

Estadão, 06/11/1999, São Paulo vai à Justiça com o apoio dos paulistas

Estadão, 09/11/1999, São Paulo espera rodada decisiva antes de ir à Justiça

Estadão, 10/11/1999, Rodada decisiva do Brasileiro pode não valer nada

Estadão, 11/11/1999, TJD vai pedir relação de bloqueados à CBF

Estadão, 12/11/1999, São Paulo cobra na Justiça pontos perdidos no TJD

Estadão, 13/11/1999, São Paulo recua e aceita idéia de enfrentar a Ponte

Estadão, 14/11/1999, Oito times retomam a luta rumo ao título

 

E se os 4 rebaixados tivessem sido os últimos 4 colocados? E se o Caso Sandro Hiroshi não tivesse existido?

 

Os 4 rebaixados pela classificação geral, sem o Caso Sandro Hiroshi

Se os 4 rebaixados tivessem sido os 4 clubes de pior campanha, em outras palavras, os últimos 4 colocados, eles teriam sido:

 

Inter-RS, 21 pontos, 19ª colocação;

Botafogo-SP, 21 pontos, 20ª colocação;

Portuguesa 18 pontos, 21ª colocação;

Sport-PE 17 pontos, 22ª colocação.

 

Essa simulação considerou a manutenção do empate em 2×2 entre Inter-RS e São Paulo.

 

Os 4 rebaixados pela média de pontos por partida, sem o Caso Sandro Hiroshi

Aplicando-se o critério de rebaixamento definido em regulamento sem o impacto do Caso Sandro Hiroshi, os rebaixados teriam sido:

 

Botafogo, 16º colocado, 23 pontos, 1,18 de média;

Paraná, 15º colocado, 24 pontos, 1,09 de média;

Juventude, 18ª colocado, 22 pontos, 1,09 de média;

Botafogo-SP, 20º colocado, 21 pontos, 1,00 de média.

 

O Inter-RS, 19º colocado, 21 pontos, 1,20 de média, teria sido o primeiro clube com média superior a dos 4 rebaixados, digamos assim, fora da zona de rebaixamento.

 

Os 4 rebaixados pela média de pontos por partida, com o caso Sandro Hiroshi

Com o Caso Sandro Hiroshi, os rebaixados foram:

 

Gama, 15º colocado, 26 pontos, 1,24 de média;

Paraná, 17º colocado, 24 pontos, 1,09 de média;

Juventude, 19º colocado, 22 pontos, 1,09 de média;

Botafogo-SP, 20º colocado, 21 pontos, 1,00 de média.

 

1999, Brasileiro da Primeira Divisão

Relação de jogos do São Paulo em 1999

 

 

2000, o Gama e a Copa João Havelange

Concluída a Fase Classificatória do Brasileiro de 1999, tudo o que se esperava do Gama era o seu silêncio e sua subordinação, mas não foi isso o que aconteceu. Pelo contrário, o Gama partiu para a guerra contra o sistema.

Ainda em nov/1999, logo após a conclusão da Fase Classificatória e da definição dos quatro clubes rebaixados, a Justiça comum foi acionada e o Gama conseguiu uma liminar que o mantinha na primeira divisão. Uma observação: essa liminar foi obtida pelo PFL-DF, atual DEM, e pelo Sindicato dos Técnicos do DF. Em fev/2000, o TRF-DF negou dois recursos que pediam a cassação da liminar que garantia a permanência do Gama na primeira divisão: o primeiro era do Botafogo, e o segundo, da CBF.

Nada do que se esperava aconteceu: o Gama não recuou, a batalha seguia na Justiça Comum, e não no STJD, e as liminares a favor do Gama não eram cassadas.

Com o impasse, em Mai/2000 o Clube dos 13 anunciou que o campeonato brasileiro de 2000 seria organizado por uma liga com o apoio da CBF, sem a presença do Gama. Ainda nesse mês, o TRF-DF negou novo recurso da CBF que pedia a cassação da liminar do Gama.

Em Jun/2000, a FIFA mandou um representante ao Brasil para se inteirar do imbróglio. No decorrer desse processo, a FIFA pediu à CBF que o problema fosse resolvido, caso contrário, ela seria suspensa. O problema estava ganhando proporções inesperadas com consequências imprevisíveis.

No final de Jun/2000, o Clube dos 13 anunciou a Copa João Havelange que seria disputada por 108 clubes (esse número passou para 116, mas ela foi disputada por 114 clubes), sem a participação do Gama. Contudo, no mês seguinte, Jul/2000, o Gama conseguiu uma nova liminar na Justiça Comum garantindo sua participação na Copa João Havelange. O Clube dos 13 e a CBF tentaram cassar a nova liminar, novamente sem sucesso.

O Gama estreou na Copa João Havelange no dia 29/07/2000, o campeonato brasileiro de 2000, vencendo o América-MG por 1×0. Quando a CBF organizou o campeonato brasileiro de 2001, ela procedeu da mesma forma como havia feito em 1988: aproveitou-se do vácuo criado por um campeonato organizado pelos clubes e escolheu os clubes da primeira divisão de 2001 com o objetivo de jogar panos quentes na confusão de 1999/2000 e evitar batalhas judiciais. Assim, disputaram o Brasileiro de 2001 os 22 clubes da primeira divisão de 1999, inclusive os 4 rebaixados; Goiás e Santa Cruz, campeão e vice da segunda divisão de 2000, e os convidados São Caetano, Fluminense, Bahia e América-MG.

O Gama fez uma campanha ruim, mas se manteve na primeira divisão. Foi o vigésimo colocado, em 28 clubes, com 33 pontos. No Brasileiro de 2002, fez uma péssima campanha e foi o 25º colocado em 26 clubes, com 25 pontos, sendo rebaixado para a segunda divisão de 2003 juntamente com Portuguesa, Palmeiras e Botafogo. Depois desse rebaixamento, o Gama nunca mais retornou à primeira divisão do campeonato brasileiro.

 

2000, Copa João Havelange

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1988

Disputado de 02/09/1988 a 19/02/1989

Forma de disputa: Fase Classificatória em dois turnos e Fase Final organizada no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 24;

Final: Bahia campeão e Internacional-RS vice;

Classificação: devido ao vácuo criado pela Copa União de 1987, os clubes foram escolhidos a dedo pela CBF para a disputa do Brasileiro de 1988;

Segunda Divisão: 24 clubes organizados em 4 grupos com 6 clubes. Os 4 primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a segunda fase. O último colocado de cada grupo foi rebaixado para a terceira divisão de 1989, que não foi realizada. Na segunda fase, os 16 clubes foram organizados em 4 grupos com 4 clubes. Os dois primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a terceira fase. Nela, os 8 clubes foram organizados em dois grupos com 4 clubes. Os dois primeiros colocados se classificaram para o Quadrangular Final vencido pelo Internacional-SP, que somou 12 pontos. O Náutico terminou em segundo com 11 pontos.

 

O campeonato brasileiro de 1988

Fase Classificatória: os 28 clubes foram organizados nos Grupos A e B com 12 clubes cada. Na primeira fase, os jogos eram Grupo A x B com 12 jogos para cada clube. Na segunda fase, os jogos foram disputados entre os clubes do mesmo grupo com 11 jogos para cada clube. Os dois primeiros colocados de cada grupo na primeira fase e segunda fase, 8 no total, se classificaram para as quartas-de-final. Como o Vasco foi o vencedor do primeiro e do segundo turno no Grupo B, o Bahia se classificou para as Quartas-de-Final por possuir a melhor campanha entre os clubes não classificados.

Outro detalhe desse campeonato é que a vitória valia 3 pontos. Em caso de empate, haveria uma disputa por pênaltis onde o vencedor levaria um ponto extra além do ponto pelo empate;

Rebaixamento: os 4 clubes de pior campanha considerando as duas fases da Fase Classificatória foram rebaixados para a segunda divisão de 1989: Bangu, Santa Cruz, Criciúma e America-RJ. Essa foi a primeira vez na história do campeonato brasileiro que o rebaixamento foi aplicado;

Fase Final: no formato de torneio a partir das quartas-de-Final com dois jogos no sistema de ida-e-volta. Os clubes de melhor campanha tinham a vantagem do empate contra o adversário, mas mesmo assim tinham que jogar uma prorrogação no segundo jogo. Exemplos:

 

Quartas-de-Final, Bahia x Sport-PR: a primeira partida terminou empatada em 1×1 (29/01/1989) e a segunda em 0x0 (01/02/1989). Assim, os dois clubes jogaram uma prorrogação tendo o Bahia a vantagem do empate. Após novo empate em 0x0, o Bahia se classificou para às semifinais;

 

Quartas-de-Final, Fluminense x Vasco: depois do Fluminense vencer o primeiro jogo por 1×0 (29/01/1989), o Vasco venceu o segundo por 2×1 (01/02/1989). Assim, os dois clubes tiveram que disputar uma prorrogação tendo o Vasco a vantagem do empate por possuir melhor campanha. O Fluminense se classificou para as semifinais após o vencer o Vasco por 2×0 na prorrogação.

 

1988, Brasileiro da Primeira Divisão

1988, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1989

Disputado de 06/06/1989 a 16/12/1989

Forma de disputa: Fase Classificatória em duas fases e Final;

Participantes: 22;

Final: Vasco campeão e São Paulo vice;

Classificação: os 20 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1988 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1988, Internacional-SP e Náutico;

Segunda Divisão de 1989: Na primeira fase, 96 clubes foram divididos em 16 Grupos, de A a Q, onde os dois primeiros clubes de cada grupo se classificaram para Segunda Fase. Nela, os 32 clubes foram organizados em 16 chaves, com jogos de ida-e-volta. Os 16 clubes vencedores disputaram a Terceira Fase (oitavas-de-final), quartas-de-final, semifinal e final sempre no sistema de ida e volta. Na final, o Bragantino venceu as duas partidas contra o São José: 1×0, 16/12/1989, e 2×1, 20/12/1989.

 

O campeonato brasileiro de 1989

Primeira Fase: os 22 clubes foram divididos no Grupos A e B com os clubes do mesmo grupo jogando entre si, com um total de 10 partidas. Os 8 primeiros colocados de cada Grupo se classificaram para a segunda fase onde os jogos foram disputados contra os clubes do outro grupo, com um total de 8 partidas. O primeiro colocado de cada Grupo se classificou para a final;

Torneio de Rebaixamento: Os 3 últimos colocados dos Grupos A e B na primeira fase, seis clubes no total, disputaram o Torneio de Rebaixamento que indicou os 4 rebaixados. Contudo, como o Coritiba se negou a jogar mais cedo que seus adversários no dia 22/10/1989, pela última rodada da primeira fase, ele foi punido com a perda de 5 pontos (havia chegado à última rodada com nove pontos), a eliminação do campeonato e o consequente rebaixamento para a segunda divisão. Assim, O Torneio foi disputado por 5 clubes no sistema de pontos corridos com turno e returno. Vitória e Bahia permaneceram na primeira divisão, enquanto Atlético-PR, Guarani e Sport-PE foram rebaixados para a segunda divisão de 1990.

Esse campeonato marcou o primeiro rebaixamento de campeões brasileiros, três de uma vez: Guarani, campeão de 1978 e vice de 1986 e 1987, Coritiba, campeão de 1985, e Sport-PE, campeão de 1987;

Fase Final: por possuir melhor campanha, o Vasco se classificou com um ponto extra para a final. Além de jogar por dois empates, o Vasco pôde definir o local da primeira partida contra o São Paulo, neste caso, o Estádio do Morumbi. Com a vitória por 1×0 obtida no dia 16/12/1989, o Vasco se sagrou campeão brasileiro sem a necessidade de disputar o segundo jogo, já que não podia mais ser alcançado pelo São Paulo.

 

1989, Brasileiro da Primeira Divisão

1989, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1990

Disputado de 18/08/1990 a 16/12/1990

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 20;

Final: Corinthians campeão e São Paulo vice;

Classificação: os 18 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1989 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1989, Bragantino e São José-SP;

Segunda Divisão de 1990: na fase classificatória, os 24 clubes foram divididos em 4 Grupos com 6 clubes. Os 4 primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a Segunda Fase. Os dois últimos colocados foram rebaixados para a terceira divisão de 1991, que acabou não sendo realizada. Uma observação: o Coritiba foi o primeiro campeão brasileiro (1985) a ser rebaixado para a terceira divisão, porém, como esse campeonato não foi realizado, o clube paranaense disputou novamente a segunda divisão em 1991. Na segunda fase, os 16 classificados foram organizados em 4 grupos com 4 clubes, onde os dois primeiros colocados se classificaram para a terceira fase. Nela, os 8 clubes foram organizados em dois grupos com 4 clubes, onde o primeiro colocado de cada grupo se classificou para a final. Na final, o Sport-PE se sagrou campeão após empatar com o Atlético-PR em 1×1, 12/12/1990, e 0x0, 16/12/1990.

 

O campeonato brasileiro de 1990

Fase Classificatória: 20 clubes foram divididos nos Grupos A e B. Na primeira fase, os jogos eram Grupo A x B, com um total de 10 jogos. Na segunda fase, os jogos eram entre os clubes do mesmo Grupo, com um total de 9 jogos. Os primeiros colocados de cada Grupo na primeira e segunda fase, 4 no total, se classificaram para as quartas-de-finais juntamente com os 4 clubes de melhor campanha considerando toda a Fase Classificatória;

Rebaixamento: os dois últimos colocados da Fase Classicatória, São José-SP e Internacional-SP, foram rebaixados para a segunda divisão de 1991;

Fase Final: quartas-de-finais, semifinais e final em dois jogos. O Corinthians se sagrou campeão após derrotar o São Paulo por 1×0 nas duas partidas da final, 13/12/1990 e 16/12/1990.

 

1990, Brasileiro da Primeira Divisão

1990, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1991

Disputado de 02/02/1991 a 09/06/1991

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das semifinais;

Participantes: 20;

Final: São Paulo campeão e Bragantino vice;

Classificação: os 18 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1990 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1990, Sport-PE e Atlético-PR;

Segunda Divisão: na fase classificatória, os 64 clubes foram divididos em 8 grupos com 8 clubes. Os dois primeiros colocados de cada grupo, 16 no total, se classificaram para a Fase Final disputada no formato de torneio a partir das oitavas-de-final com jogos de ida-e-volta. Na decisão, depois de perder a primeira partida para o Guarani por 1×0, 19/05/1991, o Paysandu se sagrou campeão brasileiro após vencer a segunda partida por 2×0, 26/05/1991.

 

O campeonato brasileiro de 1991

Fase Classificatória: disputada em turno único por 20 clubes com um total de 19 partidas para cada. Os 4 primeiros colocados se classificaram para as semifinais;

Rebaixamento: os dois últimos colocados da Fase Classificatória foram rebaixados para a segunda divisão de 1992. Os rebaixados foram Grêmio e Vitória.

Fase Final: São Paulo, Bragantino, Fluminense e Atlético-MG se classificaram para as semifinais. Por terem feito as melhores campanhas, São Paulo e Brangantino ganharam um ponto extra para as semifinais. Contudo, esse campeonato teve uma situação um tanto bizarra. Por causa desse ponto extra, caso o São Paulo ou o Bragantino vencessem a primeira partida da semifinal contra Atlético-MG e Fluminense, respectivamente, já estariam classificados para a final, independente do resultado do segundo jogo. O São Paulo passou pelo Atlético-MG depois de dois empates: 1×1, 25/05/1991, e 0x0, 01/06/1991. Já o Fluminense levou a pior. Perdeu por 1×0 para o Bragantino em pleno Maracanã, no dia 26/05/1991, e foi para o segundo jogo da semifinal eliminado (1×1, 01/06/1991). Hipoteticamente, mesmo que o Fluminense vencesse a segunda partida por 5×0, isso não faria qualquer diferença.

Como o Bragantino teve melhor desempenho nas semifinais, o clube de Bragança Paulista levou um ponto extra para a final contra o São Paulo. Ou seja, se o Bragantino tivesse vencido a primeira partida da decisão, o campeonato estaria decidido. Contudo, no primeiro jogo, o São Paulo venceu por 1×0, 05/06/1991, e se sagrou campeão ao empatar a segunda partida por 0x0.

 

1991, Brasileiro da Primeira Divisão

1991, Brasileiro da Segunda Divisão

 

No intervalo do jogo Fluminense 0x0 Botafogo, pela 17ª rodada da Fase Classificatória, a torcida do Botafogo derrubou o alambrado da arquibancada, o que impediu a realização do segundo tempo. O Fluminense levou os 2 pontos da partida por um placar simbólico de 1×0 (vídeo).

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1992

Disputado de 26/01/1992 a 19/07/1992

Forma de disputa: Fase Classificatória, Segunda Fase e Final;

Participantes: 20;

Final: Flamengo campeão e Botafogo vice;

Classificação: os 18 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1991 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1991;

Segunda Divisão: o campeonato brasileiro da segunda divisão de 1992 deveria se chamar Divisão Intermediária, mas foi nomeado oficialmente como Divisão Classificatória. Em sua fase classificatória, os 32 clubes foram divididos em 4 grupos com 8 clubes. Os três primeiros colocados, além de estarem classificados para a segunda fase, foram promovidos para a primeira divisão de 1993. A promoção de 12 clubes foi feita para assegurar o resgate do Grêmio, que havia sido rebaixado em 1991. Se não fosse isso, o Grêmio não teria subido, pois foi eliminado na segunda fase do campeonato.

Na segunda fase, os 12 clubes foram organizados em 3 grupos com 4 clubes. Os dois primeiros colocados de cada grupo e os dois clubes de melhor campanha considerando os demais 6 clubes, estavam classificados para a terceira fase. Os oito clubes classificados foram organizados em dois grupos com 4 clubes, onde os dois primeiros colocados se classificaram para as semifinais, que da mesma forma que a final, foram disputadas em dois jogos no sistema de ida-e-volta. Na final, o Paraná derrotou o Vitória por 2×1, 05/07/1992, e 1×0, 11/07/1992, e se sagrou campeão brasileiro.

 

O campeonato brasileiro de 1992

Primeira Fase: os 20 clubes disputaram a Fase Classificatória em turno único com um total de 19 partidas. Os 8 primeiros colocados se classificaram para Segunda Fase que definiu os finalistas do campeonato;

Rebaixamento: Devido a operação de resgate do Grêmio, rebaixado no ano anterior para a segunda divisão, não houve rebaixamento para a segunda divisão de 1993. Esse foi o único campeonato desde 1988 que não teve rebaixamento previsto no seu regulamento;

Segunda Fase: os 8 classificados foram divididos em dois Grupos com 4 clubes cada. A disputa pela vaga na final seria por pontos corridos, com turno e returno, com um total de 6 jogos. Pelo Grupo 1, se classificou o Flamengo, e pelo Grupo 2, o Botafogo.

A competividade dessa forma de disputa gerou uma situação inusitada, ao mesmo tempo desesperadora. Os jogos do Grupo 1, Vasco x São Paulo e Flamengo x Santos, foram disputados no mesmo horário do dia 08/07/1992. Enquanto o Vasco construiu com facilidade sua vitória por 3×0 em São Januário, o Flamengo abriu 2×0 contra o Santos no Maracanã. Para que o Vasco se classificasse para a final, o Flamengo não poderia vencer o Santos. Com o passar do tempo, e sem que o Santos conseguisse empatar a partida, a torcida vascaína começou a pedir para que seus jogadores entregassem o jogo para o São Paulo, permitindo assim a virada. Se isso tivesse acontecido, o São Paulo teria chegado aos 8 pontos e passaria para a final no lugar do Flamengo. Os jogadores não atenderam sua torcida, foram extremamente profissionais, confirmaram a vitória por 3×0, e pavimentaram a classificação do Flamengo, que venceu o Santos por 3×1, e seu título. Pode-se dizer que essa foi uma das vitórias mais amargas do Vasco em toda a sua história (vídeo).

Final: o Flamengo venceu a primeira partida contra o Botafogo por 3×0 no dia 12/07/1992. Na segunda partida, no dia 19/07/1992, o empate por 2×2 confirmou o título rubro-negro.

 

1992, Brasileiro da Primeira Divisão

1992, Brasileiro da Segunda Divisão

 

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historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-brasileiro-1992-torcedores-despencando-da-arquibancada

Foi na segunda partida da decisão que uma parte da grade da arquibancada do Maracanã cedeu e fez com que alguns torcedores caíssem nas cadeiras. No total, 82 torcedores se feriram e 3 morreram (vídeo).

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1993

Disputado de 26/01/1992 a 19/07/1992

Forma de disputa: Fase Classificatória, Segunda Fase e Final;

Participantes: 32;

Final: Palmeiras campeão e Vitória vice;

Classificação: os 18 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1992 mais os 14 clubes que subiram da segunda divisão de 1992;

Segunda Divisão: em 1993, não houve o campeonato da segunda divisão. A CBF organizou um “Qualificatório para a Segunda Divisão de 1994”. Assim, 15 clubes foram qualificados para participar da segunda divisão do ano seguinte, juntamente com os 8 clubes rebaixados da primeira divisão em 1993 em decorrência do inchaço ocasionado pela operação de resgate do Grêmio. O 24º clube que compôs a segunda divisão de 1994 foi o Mogi Mirim. Segundo a RSSSF, acredita-se que esse clube tenha se classificado por ter vencido o Torneio Ricardo Teixeira.

 

O campeonato brasileiro de 1993

Primeira Fase: os 32 clubes foram divididos em 4 grupos com 8 clubes cada. Os Grupos A e B foram compostos pelos principais clubes do país, mais precisamente os integrantes do Clube dos 13 mais Bragantino, Sport-PE e Guarani. Foi graças a essa manobra que o Grêmio, que apesar da campanha ruim na segunda divisão de 1992 foi promovido para a primeira divisão de 1993, foi parar no Grupo B, quando o correto teria sido ele disputar o campeonato pelos grupos C ou D.

Os demais clubes foram colocados nos Grupos C e D. Os jogos foram disputados entre os clubes do mesmo grupo, no sistema de pontos corridos, com turno e returno, num total de 12 jogos para cada clube. Os três primeiros colocados dos Grupos A e B se classificaram para a Segunda Fase. Os dois primeiros colocados dos Grupos C e D disputaram as duas vagas na Segunda Fase através de duas chaves eliminatórias com dois jogos (Vitória x Paraná e Remo x Portuguesa);

Rebaixamento: os 4 últimos colocados dos Grupos C e D, no total 8, foram rebaixados para a segunda divisão de 1994. Com esse rebaixamento, a CBF ajustava a quantidade de clubes da primeira divisão depois do inchaço causado pela operação de resgate do Grêmio em 1992, que culminou com a promoção de 12 clubes;

Segunda Fase: Os oito clubes classificados foram divididos nos Grupos 1 e 2 com 4 clubes cada. A disputa se deu por pontos corridos com turno e returno, onde o Vitória, pelo Grupo 1, e o Palmeiras, pelo Grupo 2, se classificaram para a Final.

Final: o Palmeiras venceu as duas partidas contra o Vitória, 1×0, 12/12/1993, e 2×0, 19/12/1993, e se sagrou campeão brasileiro.

 

1993, Brasileiro da Primeira Divisão

1993, Qualificatório para a Segunda Divisão de 1994

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1994

Disputado de 13/08/1994 a 18/12/1994

Forma de disputa: Primeira Fase, Segunda Fase, Repescagem, e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 24;

Final: Palmeiras campeão e Corinthians vice;

Classificação: os 24 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1993. Um detalhe: em 1993, não houve a segunda divisão, e sim uma Torneio Classificatório para a segunda divisão de 1994. É por isso que não houve a promoção de clubes da segunda divisão de 1993 para a primeira divisão de 1994;

Segunda Divisão: na fase classificatória, 24 clubes foram divididos em 4 grupos com 6 clubes. Os 4 primeiros colocados, 16 no total, se classificaram para a segunda fase. Os dois piores colocadores na colocação geral foram rebaixados para a terceira divisão de 1995. Na segunda fase, os 16 clubes classificados foram divididos em 4 grupos com 4 clubes. O primeiro colocado de cada grupo se classificou para as semifinais, disputada em dois jogos no sistema de ida-e-volta, da mesma forma que a final. O Juventude se sagrou campeão brasileiro da segunda divisão de 1994 após perder a primeira partida para o Goiás por 2×1, 27/11/1994, e vencer a segunda por 2×1, 04/12/1994. O Juventude foi campeão por ter feito melhor campanha.

 

O campeonato brasileiro de 1994

Primeira Fase: os 24 clubes foram divididos nos Grupos A, B, C e D. Os jogos foram disputados no sistema de pontos corridos com turno e returno, num total de 10 jogos para cada clube. Os 4 primeiros colocados de cada Grupo, 16 no total, se classificaram para a Segunda Fase. Os dois últimos colocados de cada Grupo, 8 no total, disputaram uma Repescagem que definiu os dois clubes rebaixados e os últimos dois classificados para as Quartas-de-Final.

Segunda Fase: os 16 clubes classificados foram divididos nos Grupos E e D. No turno, os jogos foram disputados contra os clubes do mesmo Grupo. No returno, contra os clubes do outro grupo. Os vencedores do turno e do returno de cada Grupo, 4 no total, se classificaram para as Quartas-de-Finais. Os dois clubes de melhor campanha na segunda fase, mas que não venceram nenhum dos turnos, também se classificaram para as Quartas-de-Final.

Repescagem (rebaixamento): ela foi disputada no sistema de pontos corridos com turno e retuno, num total de 14 jogos para cada clube. Os dois últimos colocados foram rebaixados para a segunda divisão de 1995 (Remo e Náutico). Os dois primeiros colocados se classificaram para as Quartas-de-final (Bragantino e Atlético-MG).

Fase Final: as Quartas-de-Final, Semifinais e Final foram disputadas em dois jogos. Na Final, o Palmeiras se sagrou campeão depois de vencer a primeira partida contra o Corinthians por 3×1, 15/12/1994, e empatar a segunda por 1×1, 18/12/1994.

 

1994, Brasileiro da Primeira Divisão

1994, Brasileiro da Segunda Divisão

 

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historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-brasileiro-1994-briga-de-torcedores-vasco-x-santos-2

Vaso 0x0 Santos, 8ª rodada do Grupo C, segunda fase do campeonato, 07/09/1994. Torcedores do Vasco encurralaram os torcedores do Santos no estádio de São Januário. A selvageria passou das arquibancadas para o campo, que se transformou numa praça de guerra (vídeo).

 

Guarani 2×1 Corinthians, 3ª rodada do Grupo E, segunda fase do campeonato, 12/10/1994. Numa das últimas grandes campanhas do Guarani na primeira divisão, o Estádio Brinco de Ouro virou uma praça de guerra.

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1995

Disputado de 19/08/1995 a 17/12/1995

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das semifinais;

Participantes: 24;

Final: Botafogo campeão e Santos vice;

Classificação: os 22 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1994 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1994, Juventude e Goiás;

Segunda Divisão: na fase classificatória, 24 clubes foram divididos em 4 grupos com 6 clubes. Os 4 primeiros colocados se classificaram para a segunda fase. Os dois piores colocadores na colocação geral foram rebaixados para a terceira divisão de 1996. Na segunda fase, os 16 clubes classificados foram divididos em 4 grupos com 4 clubes. O dois primeiros colocados de cada grupo, 8 no total, se classificaram para a terceira fase. Nela, os 8 clubes foram divididos em 2 grupos com 4 clubes onde os dois primeiros colocados de cada grupo se classificaram para o quadrangular final, disputado por pontos corridos em turno e returno. O Atlético-PR se sagrou campeão brasileiro ao terminar o quadrangular final na primeira colocação com 13 pontos. O Coritiba terminou na segunda colocação com 11 pontos. Os dois clubes paranaenses foram promovidos para a primeira divisão de 1996.

 

O campeonato brasileiro de 1995

Fase Classificatória: os 24 clubes foram divididos nos Grupos A e B. No turno, os jogos foram contra os clubes do mesmo Grupo, num total de 11 partidas para cada clube. No returno, os jogos foram contra os clubes do outro Grupo, num total de 12 jogos. Os vencedores dos turnos de cada Grupo, 4 no total, se classificaram para as Semifinais;

Rebaixamento: os dois últimos colocados considerando a classificação final do campeonato, Paysandu e União São João de Araras, foram rebaixados para a segunda divisão de 1996;

Fase Final: as Semifinais e Final foram disputadas em jogos de ida-e-volta. Em uma das semifinais, depois de perder o primeiro jogo por 4×1 para o Fluminense, 07/07/1995, o Santos, que tinha a vantagem do empate, venceu a segunda por 5×2, 6×6 no agregado, e se classificou para a Final contra o Botafogo. Essa semifinal ficou marcada na história do futebol brasileiro.

Na Final, o Botafogo se sagrou campeão depois de vencer a primeira partida no Maracanã por 2×1, 13/12/1995, e empatar a segunda no Pacaembú por 1×1, 17/12/1995.

 

1995, Brasileiro da Primeira Divisão

1995, Brasileiro da Segunda Divisão

 

historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-brasileiro-1995-santos-5-x-2-fluminense

A semifinal entre Santos x Fluminense de 1995 é, possivelmente, a mais lembrada desse período.

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1996

Disputado de 11/08/1996 a 15/12/1996

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 24;

Final: Grêmio campeão e Portuguesa vice;

Classificação: os 22 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1995 mais o campeão e vice da segunda divisão de 1995, Atlético-PR e Coritiba;

Segunda Divisão: na Fase Classificatória, 25 clubes foram divididos em 5 grupos com 5 clubes. Os 3 primeiros colocados de cada grupo, 15 no total, mais o melhor 4º colocado de todos os grupos se classificaram para a segunda fase (oitavas-de-final). Os três clubes de pior campanha Fase Classificatória foram rebaixados para a terceira divisão de 1997. Disputada com dois jogos no sistema de ida-e-volta, os 8 vencedores se classificaram para as quartas-de-final, também disputada no mesmo sistema. Os 4 vencedores se classificaram para o quadrangular final, disputado por pontos corridos com turno e returno. O União São João de Araras se sagrou campeão ao somar 11 pontos. O América-RN terminou na segunda colocação com 9 pontos. Os dois clubes foram promovidos para a primeira divisão de 1997.

 

O campeonato brasileiro de 1996

Fase classificatória: disputada em turno único com os 8 primeiros colocados se classificando para a Fase Final, disputada no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Rebaixamento: os dois últimos colocados, Fluminense e Bragantino, foram rebaixados para a segunda divisão. Contudo, esse rebaixamento foi anulado devido ao escândalo de corrupção de arbitragens, conhecido como “Caso Ivens Mendes”, que explodiu em Maio de 1997 envolvendo Corinthians e Atlético-PR. A CBF optou por não investigar o escândalo e anulou o rebaixamento para evitar questionamentos judiciais que inviabilizassem o campeonato de 1997;

Fase Final: quartas-de-final, semifinais e final disputadas com duas partidas no sistema de ida-e-volta. Na final, o Grêmio se sagrou campeão depois de perder a primeira partida para a Portuguesa por 2×0, 11/12/1996, e vencer a segunda por 2×0, 15/12/1996. O Grêmio tinha a vantagem do empate.

 

1996, Brasileiro da Primeira Divisão

1996, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1997

Disputado de 05/07/1997 a 21/12/1997

Forma de disputa: Fase Classificatória, Segunda Fase e Final;

Participantes: 26;

Final: Vasco campeão e Palmeiras vice;

Classificação: os 22 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1996, Fluminense e Bragantino, cujo rebaixamento havia sido anulado devido ao “Caso Ivens Mendes”, e o campeão e vice da segunda divisão de 1996, União São João de Arares e América-RN;

Segunda Divisão: na fase classificatória, 25 clubes foram divididos em 5 grupos com 5 clubes. Os 3 primeiros colocados, 15 no total, mais o melhor 4º colocado de todos os grupos se classificaram para a segunda fase (oitavas-de-final). O último colocado de cada grupo, 5 no total, foram rebaixados para a terceira divisão de 1998. Na segunda fase, as chaves foram disputadas em dois jogos no sistema de ida-e-volta. Os 8 vencedores se classificaram para a terceira fase. Nela, os 8 clubes foram divididos em 2 grupos com 4 clubes. Disputada por pontos corridos com turno e returno, os dois primeiros colocados de cada grupo se classificaram para o quadrangular final. O América-MG se sagrou campeão ao somar 13 pontos. A Ponte Preta ficou na segunda colocação com 11 pontos.

 

O campeonato brasileiro de 1997

Fase classificatória: disputada em turno único com os 8 primeiros colocados se classificando para a Fase Final. Devido ao Caso Ivens Mendes, o Atlético-PR foi punido com a perda de 5 pontos, mas que não alteravam sua colocação final na tabela. É por isso que o Atlético-PR, que somou 33 pontos na fase classificatória, ficou na 11ª colocação com 28 pontos, atrás do Botafogo com 34 pontos e à frente do Sport-PE com 33 pontos (?). A CBF não aplicou nenhuma punição ao Corinthians;

Rebaixamento: os quatro últimos colocados, Bahia, Criciúma, Fluminense e União São João de Araras, foram rebaixados para a segunda divisão;

Segunda Fase: os 8 classificados foram divididos em 2 grupos com 4 clubes cada. A disputa de cada grupo se deu por pontos corridos com turno e returno. O Vasco se classificou pelo Grupo A com 14 pontos e o Palmeiras pelo Grupo B com 16 pontos. A definição dos finalistas se deu da mesma forma que em 1992 e 1993, mas dessa vez o Vasco se classificou com tranquilidade;

Final: o Vasco se sagrou campeão brasileiro depois de empatar duas vezes com o Palmeiras por 0x0 (14/12/1997 e 21/12/1997). O Vasco tinha a vantagem do empate por ter feito melhor campanha.

 

1997, Brasileiro da Primeira Divisão

1997, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1998

Disputado de 25/07/1998 a 23/12/1998

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 24;

Final: Corinthians campeão e Cruzeiro vice;

Classificação: os 20 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1998 e o campeão e vice da segunda divisão de 1998, América-MG e Ponte Preta;

Segunda Divisão: na fase classificatória, 24 clubes foram divididos em 4 grupos com 6 clubes. Os 4 primeiros colocados de cada grupo, 16 no total, se classificaram para a segunda fase. Os últimos colocados de cada grupo, 4 no total, mais os dois piores quintos colocados (Fluminense, Grupo D, e Atlético-GO, Grupo A) foram rebaixados para a terceira divisão de 1999. O Fluminense foi o segundo campeão brasileiro a ser rebaixado para a terceira divisão, mas ao contrário do Coritiba, que havia sido rebaixado em 1990 para a terceira divisão de 1991, que acabou não sendo realizada, o clube carioca foi o primeiro campeão brasileiro a efetivamente disputá-la.

A segunda fase foi disputada no formato de oitavas-de-final com jogos de ida-e-volta. Os 8 vencedores passaram para a terceira fase.

Na terceira fase, os 8 classificados foram divididos em dois grupos com 4 clubes. A classificação para o quadrangular final foi disputada por pontos corridos com turno e returno. Os dois primeiros colocados se classificaram para o quadrangular final, também disputado por pontos corridos com turno e returno. O Gama se sagrou campeão ao somar 10 pontos. O Botafogo-SP ficou na segunda colocação com 9 pontos.

 

O campeonato brasileiro de 1998

Fase classificatória: disputada em turno único com o total de 23 partidas para cada clube, com os 8 primeiros colocados se classificando para a Fase Final, disputada a partir das quartas-de-final;

Rebaixamento: os 4 últimos colocados na Fase Classificatória, América-MG, Goiás, Bragantino e América-RN, foram rebaixados para a segunda divisão de 1999;

Fase Final: quartas-de-final, semifinais e final disputadas com três partidas num sistema em que o time de melhor campanha jogava a primeira partida fora e as outras duas em casa. Na final, o Corinthians se sagrou campeão após dois empates e uma vitória contra o Cruzeiro: 2×2, 13/12/1998, 1×1, 20/12/1998, e 2×0, 23/12/1998.

 

1998, Brasileiro da Primeira Divisão

1998, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1999

Disputado de 24/07/1999 a 22/12/1999

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 22;

Final: Corinthians campeão e Atlético-MG vice;

Classificação: os 22 clubes que se classificaram pelo Brasileiro de 1997 e o campeão e vice da segunda divisão de 1998, Gama e Botafogo-SP;

Segunda Divisão: a Fase Classificatória foi disputada por 22 clubes em turno único com os 8 primeiros colocados se classificando para as quartas-de-final e os últimos 6 colocados sendo rebaixados para a terceira divisão de 2000. As quartas-de-final foram disputadas com três partidas, sendo que os 4 clubes de melhor campanha jogavam a primeira fora e as outras duas em casa. Das quatro chaves, uma não teve a terceira partida. Como o Bahia venceu os dois primeiros jogos contra o Avaí, não houve a necessidade de realização das terceira partida. Os 4 vencedores se classificaram para o quadrangular final disputado por pontos corridos com turno e returno. O Goiás se sagrou campeão ao somar 11 pontos. O Santa Cruz ficou na segunda colocação com 10. Os dois clubes foram promovidos para a primeira divisão de 2000, que não foi realizada.

 

O campeonato brasileiro de 1999

Fase classificatória: disputada em turno único com os 8 primeiros colocados se classificando para a Fase Final, disputada a partir das quartas-de-final.

Rebaixamento: esse campeonato trouxe uma inovação que se revelou uma catástrofe. Os 4 rebaixados não seriam os clubes de pior campanha no campeonato de 1999, mas sim os 4 clubes de pior campanha considerando os campeonatos de 1998 e 1999. Assim, os rebaixados foram Gama, 15º colocado num campeonato com 22 clubes, Paraná, 17º, Juventude, 19º, e Botafogo-SP, 20º. A Portuguesa, 21ª colocada, e Sport-PE, último colocado, se salvaram graças as boas campanhas que haviam feito em 1998. O Botafogo teria sido rebaixado no lugar do Gama se não fosse o Caso Sandro Hiroshi;

Fase Final: quartas-de-final, semifinais e final disputadas com três partidas num sistema em que o time de melhor campanha jogava a primeira fora e as outras duas em casa. Nas quartas-de-final, Atlético-MG e Cruzeiro jogaram apenas duas vezes, pois o Atlético-MG, que tinha a vantagem, venceu as duas primeiras partidas: 4×2, 14/11/1999, e 3×2, 21/11/1999. Na semifinal ocorreu o mesmo na chave Corinthians x São Paulo. Depois de vencer as duas primeiras partidas por 3×2, 28/11/1999, e 2×1, 05/12/1999, o Corinthians se classificou para a final sem a necessidade da terceira partida.

Na final, o Corinthians se sagrou campeão após perder a primeira partida para o Atlético-MG por 3×2, 12/12/1999, vencer a segunda por 2×0, 19/12/1999, e empatar a terceira por 0x0, 22/12/1999.

 

1999, Brasileiro da Primeira Divisão

1999, Brasileiro da Segunda Divisão

 

historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-brasileiro-1999-vasco-1-x-1-parana-eurico-miranda-invadindo-o-campo

“O senhor é irresponsável”: no final da partida, Eurico Miranda invade o campo de São Januário para tirar satisfação com o árbitro Paulo César de Oliveira, que havia expulsado 3 jogadores do Vasco (Alex Oliveira, Edmundo e Mauro Galvão). O jogo foi disputado no dia 18/08/1999 pela 11ª rodada e terminou 1×1 (vídeo).

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2000, A COPA JOÃO HAVELANGE

Disputada de 29/07/2000 a 18/01/2001

Participantes: 114 clubes, sendo 25 no Módulo Azul, 36 no Módulo Amarelo, 27 no Módulo Verde e 26 no Módulo Branco;

Final: Vasco campeão e São Caetano vice;

Classificação: como o campeonato foi organizado pelos clubes, os quatro módulos foram formados em conformidade com os critérios estabelecidos pelos próprios clubes. Para evitar o erro de 1987, os clubes foram mais inteligentes na organização do Módulo Azul e não deixaram ninguém de fora como havia acontecido naquele ano. O Módulo Azul foi composto:

 

pelos 18 clubes classificados para a primeira divisão de 2000, incluindo Botafogo e Inter-RS, favorecidos no Caso Sandro Hiroshi;

por Goiás e Santa Cruz, campeão e vice da segunda divisão de 1999;

pelo Gama, que derrotou a CBF na Justiça Comum e garantiu sua participação na Copa João Havelange;

pelo Juventude, que havia sido rebaixado para a segunda divisão de 2000. Aqui cabe uma observação: Paraná e Botafogo-SP, que também foram rebaixados junto com o Juventude para a segunda divisão de 2000, não foram convidados para participar do Módulo Azul. Eles participaram do Módulo Amarelo;

pelos 3 clubes que disputariam a segunda divisão de 2000, mas que foram convidados para participar do Módulo Azul: Fluminense, vencedor da terceira divisão de 1999, Bahia e América-MG.

 

Até mesmo pela forma como foi organizada, a Copa João Havelange não tinha rebaixamento.

 

Segunda Divisão: considerando os quatro Módulos da Copa João Havelange, o Módulo Amarelo seria o equivalente a segunda divião, que não foi realizada em 2000.

 

A Copa João Havelange, o Campeonato Brasileiro de 2000

Fase classificatória:

Módulo Verde: os 25 clubes disputaram um turno único com os 12 primeiros colocados se classificando para a fase final. No total, cada clube disputou 24 partidas;

 

Módulo Amarelo: os 36 clubes foram divididos em dois grupos com 18 clubes. Os 8 primeiros colocados de cada grupo, 16 no total, se classificaram para a Fase Final organizada no formato de Torneio a partir das quartas-de-final com dois jogos em cada chave. Os vencedores das semifinais fizeram a final e os perdedores disputaram o terceiro lugar. O Paraná venceu o Módulo Amarelo após empatar com o São Caetano na primeira partida, 13/11/2000, e vencer a segunda por 3×1, 18/11/2000.

Paraná, São Caetano e Remo, que venceu a disputa pelo terceiro lugar contra o Paysandu (3×2, 12/11/2000, e 1×1, 19/11/2000), se classificaram para a fase final da Copa João Havelange;

 

Módulo Verde e Branco:

Módulo Verde: os 28 clubes foram organizados em 4 grupos com 7 clubes. Com a desistência do Interporto de Tocantins, que estava no Grupo D, a primeira fase foi disputada por 27 clubes. Os três primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a segunda fase. Nela, os 12 clubes foram organizados em 3 grupos com 3 clubes. Os primeiros colocados de cada grupo (Juazeiro, Central e Moto Clube) e o 4º melhor colocado dos 3 grupos (Tuna Luso) se classificaram para uma fase final que seria disputada contra os clubes do Módulo Branco;

Módulo Branco: os 27 clubes foram organizados em 4 grupos com 7 clubes. Com a desistência do Rio Branco do Espírito Santo, que estava no Grupo A, a primeira fase foi disputada por 26 clubes (Grupo A, 6 clubes, Grupo B e C, 7 clubes cada, e Grupo D com 6 clubes como estava previsto desde o início). Os três primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a segunda fase. Nela, os 12 clubes foram organizados em 3 grupos com 3 clubes. Os primeiros colocados de cada grupo (Malutrom, Etti Jundiaí e Uberlândia) e o 4º melhor colocado dos 3 grupos (Olimpia-SP) se classificaram para uma fase final que seria disputada contra os clubes do Módulo Azul;

Fase Final: os 8 clubes que se classificaram para a fase final foram organizados em dois grupos com 4 clubes. Disputada por pontos corridos com turno e retorno, os primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a final. Na final, o Malutrom empatou a primeira partida com o Uberlândia por 1×1, 16/11/2000, e venceu a segunda por 3×2, 19/11/2000. O Malutrom se classificou para a fase final da Copa João Havelange.

 

Fase Final da Copa João Havelange: ela foi disputada no formato de Torneio a partir das oitavas-de-final com dois jogos em cada chave. Participaram dela os 12 clubes classificados do Módulo Verde, os 3 clubes do Módulo Amarelo e o vencedor dos Módulos Branco e Verde. O Vasco se sagrou campeão ao empatar a primeira partida com o São Caetano, 1×1, 27/12/2000, e vencer a segunda por 3×1, 18/01/2001.

Essa final foi bastante conturbada. O segundo jogo da final chegou a acontecer no dia 30/12/2000, mas aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o jogo ainda estava 0x0, parte do alambrado do Estádio de São Januário caiu. A confusão deixou um saldo de 168 pessoas machucadas, sendo que 3 seriamente. A partida foi cancelada e um novo jogo foi disputado no dia 18/01/2001, quando o Vasco derrotou o São Caetano por 3×1. Além dessa partida ter decidido o título vascaíno, ela entrou para a história por outra razão. Irritado com a cobertura da TV Globo no episódio da queda do alambrado, o Vasco, por determinação do seu Presidente Eurico Miranda, foi a campo com o logo do SBT em sua camisa, numa partida que foi transmitida ao vivo pela Globo para todo o Brasil.

 

2000, Copa João Havelange

 

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A queda do alambrado de São Januário na segunda partida da decisão da Copa João Havelange (vídeo).

historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-romaria-sbt-2000

Vasco campeão da Copa João Havelange, o Brasileiro de 2000, com o símbolo do SBT na camisa e transmissão ao vivo pela TV Globo.

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2001

Disputado de 01/08/2001 a 23/12/2001

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 28 clubes;

Final: Atlético-PR campeão e São Caetano vice;

Classificação: com o vácuo criado pela Copa João Havenlange, a CBF organizou o campeonato brasileiro de 2001 da mesma forma como havia feito em 1988: ao seu gosto. Os clubes foram escolhidos a dedo de forma a evitar qualquer problema judicial e acomodar todos os interesses. Assim, participaram da primeira divisão de 2001:

 

Os 18 clubes classificados para a primeira divisão de 2000, incluindo Botafogo e Inter-RS, favorecidos no Caso Sandro Hiroshi;

Goiás e Santa Cruz, campeão e vice da segunda divisão de 1999;

São Caetano, que havia iniciado a Copa João Havelange no Módulo Amarelo e disputado a final do campeonato contra o Vasco;

Os 4 clubes rebaixados no campeonato brasileiro de 1999: Gama, que havia sido prejudicado no Caso Sandro Hiroshi, Juventude, Botafogo-SP e Paraná;

Fluminense, Bahia e América-MG, que disputariam a segunda divisão de 2000, mas que participaram do módulo principal da Copa João Havelange, o Módulo Azul.

 

Segunda divisão: o campeonato foi disputado por 28 clubes divididos em 2 grupos com 14 clubes: o Grupo Norte/Nordeste e o Grupo Sul/Sudeste. Os 4 primeiros colocados de cada grupo, 8 no total, se classificaram para a fase final. Os clubes que ficaram na 11ª e 12ª posição de cada grupo, 4 no total, disputaram a permanência na segunda divisão através de duas chaves com dois jogos (ida-e-volta). Os vencedores, Malutrom e Criciúma, derrotaram Tuna Luso e Sergipe, e se classificaram para a segunda divisão de 2002. Os dois últimos colocados de cada grupo foram rebaixados diretamente para a terceira divisão de 2002 (ABC, Nacional-AM, Desportiva e Serra-ES). No total, 6 clubes foram rebaixados.

A fase final foi disputada em duas etapas. Primeiro, os 8 classificados disputaram as quartas-de-final com dois jogos no sistema de ida-e-volta. Os 4 vencedores se classificaram para o quadrangular final, disputado por pontos corridos com turno e returno. O Paysandu se sagrou campeão ao somar 9 pontos. O Figueirense terminou em segundo, também com 9 pontos, mas perdeu o campeonato por causa do saldo de gols: 6 contra 0.

 

O campeonato brasileiro de 2001

Fase classificatória: disputada em turno único, com 27 partidas para cada clube. Os 8 primeiros colocados se classificaram para a Fase Final;

Rebaixamento: os 4 últimos colocados, Santa Cruz, América-MG, Botafogo-SP e Sport-PE, foram rebaixados para a segunda divisão de 2002.

Fase Final: disputada no formato de Torneio a partir das quartas-de-final. As quartas-de-final e as semifinais forma disputada em partida única, sendo o mando de campo do time com melhor campanha. As final foi disputada em dois jogos de ida-e-volta. O Atlético-PR se sagrou campeão aos vencer as duas partidas da final contra o São Caetano: 4×2, 16/12/2001, e 1×0, 23/12/2001.

 

2001, Brasileiro da Primeira Divisão

2001, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2002

Disputado de 01/08/2001 a 23/12/2001

Forma de disputa: Fase Classificatória e Fase Final no formato de torneio a partir das quartas-de-final;

Participantes: 26 clubes;

Final: Santos campeão e Corinthians vice;

Classificação: os 24 clubes classificados pelo campeonato brasileiro de 2001 e Paysandu e Figueirense, campeão e vice da segunda divisão de 2001.

Segunda Divisão: a fase classificatória foi disputada por 26 clubes em turno único. Os 8 primeiros colocados se classificaram para a Fase Final. Os últimos 6 colocados foram rebaixados para a terceira divisão de 2003. A Fase Final foi organizada no formato de Torneio a partir das quartas-de-final. As chaves eram disputadas com dois jogos no sistema de ida-e-volta. O Criciúma se sagrou campeão brasileiro da segunda divisão depois de perder a primeira partida para o Fortaleza por 2×0, 30/11/2001, e vencer a segunda por 4×1, 07/12/2002.

 

O Campeonato brasileiro de 2002

Fase Classificatória: disputada em turno único, com 25 partidas para cada clube. Os 8 primeiros colocados se classificaram para a Fase Final;

Rebaixamento: os 4 últimos colocados, Portuguesa, Palmeiras, Gama e Botafogo, foram rebaixados para a segunda divisão de 2003.

Depois de toda a confusão de 1999, Gama e Botafogo foram rebaixados juntos para a segunda divisão. O Gama nunca mais retornou à primeira divisão do campeonato brasileiro;

Fase Final: organizada no formato de Torneio a partir das quartas-de-final. As chaves eram disputadas com dois jogos no sistema de ida-e-volta. O Santos se sagrou campeão brasileiro depois de vencer os dois jogos da final contra o Corinthians por 2×0, 08/12/2002, e 3×2, 15/12/2002.

 

2002, Brasileiro da Primeira Divisão

2002, Brasileiro da Segunda Divisão

 

 

historiadores-dos-esportes-historia-do-campeonato-brasileiro-a-fase-da-bagunca-de-1988-a-2002-diego-pulando-no-escudo-do-sao-paulo

O São Paulo foi o melhor time da Fase Classificatória, quando chegou a marca de 10 vitórias seguidas, a segunda maior do campeonato brasileiro (a primeira é do Guarani com 12 vitórias seguidas em 1978). Na vigésima rodada, o São Paulo derrotou o Santos por 3×2, 16/10/2002, num jogo que entrou para a história pela comemoração de Diego (Diego Ribas da Cunha), autor do segundo gol do Santos, pulando sobre o escudo são paulino. Independente de toda a rivalidade do futebol paulista, essa foi a única vez que um jogador de um time adversário celebrou um gol dessa forma no Morumbi (vídeo).

Na Fase Final, o São Paulo perdeu os dois jogos das quartas-de-final para o Santos, 3×1, 24/11/2002, e 2×1, 28/11/2002, e foi eliminado do campeonato. Depois de ter marcado o terceiro gol na primeira partida, Diego marcou o gol da vitória do segundo jogo, no Morumbi, mas não repetiu a comemoração da partida da Fase Classificatória.

 

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.

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