Raul Barreto de Albuquerque Maranhão: Um fidalgo jogador do Bangu

O jornalista esportivo Mário Filho que, desde 1966 dá nome ao Maracanã e era irmão mais velho do famoso dramaturgo Nelson Rodrigues, jamais se cansou de exaltar os feitos de um jogador do Bangu inteiramente desconhecido do grande público. Mário Filho enaltecia seus chutes e, em suas reminiscências, jurava que o “craque” fazia muito sucesso lá pelos idos de 1906. Seu nome era Raul Maranhão, um pioneiro do futebol no Rio de Janeiro.

 

“Jogava onde tivesse um lugar no time, de full-back, para dar os seus chutes que subiam feito balões de São João. A bola ficava pequenina, todo mundo de pescoço esticado. Era um sucesso.

Ninguém gostava, porém, mais do chute que depois tomaria o seu nome, do que Raul de Albuquerque Maranhão. Para dar um chute ‘à Maranhão’ ele era capaz de ir ao fim do mundo.

Sabia da existência de um novo clube, aparecia por lá, para a sua exibiçãozinha. Dobrava a bainha das calças, deixava bem à mostra as botinas de elástico, que voavam, muitas vezes, atrás da bola. Aí, Raul de Albuquerque Maranhão ficava descalço. Descalço chutava ainda melhor, a bola ia mais alto.

Por causa desse chute Raul de Albuquerque Maranhão não tinha clube fixo. Podia ser o Bangu, com os seus ingleses, o crioulo Manuel Maia de goal-keeper, atrás dele. Alto, louro, Raul de Albuquerque Maranhão confundia-se com os ingleses do Bangu. Ficava bem ao lado de quem fosse, ingleses do Bangu, brasileiros do Riachuelo e do Mangueira, brancos, mulatos e pretos se misturando. Raul de Albuquerque Maranhão como que sentia a necessidade de mudar de clube, de camisa. Para fazer a propaganda do seu chute”.[1]

 

A admiração de Mário Filho

Mário Filho, nascido em 1908, em Recife, não viu Raul Maranhão jogar. Ouviu muitos anos depois as histórias e as considerou dignas de registro nos seus livros, até concluir que o chute pra cima era coisa sem utilidade nenhuma:

 

“Não é fácil entender o sucesso espantoso que fez o chute à Maranhão. A bola subia, chegava a ficar pequenininha, lá no alto, e era um pasmo geral. Muita gente procurava imitar o Maranhão, chutar à Maranhão, como se dizia. Hoje não é mais chute à Maranhão, é balão de São João, é bola à São Pedro ou para São Pedro. E quem se mete a fazer isso leva vaia”.[2]

 

O nosso personagem, Raul Barreto de Albuquerque Maranhão, vestiu a camisa do Bangu apenas 13 vezes na temporada de 1906, quando foi disputado o primeiro Campeonato Carioca da história. Atuava no meio-campo e jamais marcou gols. O jovem de 18 anos foi aceito como sócio do clube em 19 de janeiro daquele ano, justamente para jogar futebol, coisa que não fazia muito bem, segundo a crônica da Gazeta de Notícias:

 

“O team do Bangu resume-se em quatro jogadores de football: o goal-keeper, o sr. Harrison, o sr. Leigh e o sr. Hill. O resto dos jogadores são, perdoem-nos a franqueza, principiantes, que não tem combinação nenhuma, entendendo estes srs. que football é correr muito dando pontapés na bola. Dentre este resto salienta-se o sr. Raul Maranhão, que também jogou em cada half-time em um lugar diferente. Este sr. nunca jogou football, nem conhece absolutamente as mais rudimentares regras do Association.

 

Jurou aos seus deuses que há de elevar uma bola mais alto que o Corcovado e também por o Pão de Açúcar no chão com uma charger, e aproveita então este jogo para nisto se exercitar. Recomendamos a este sr. que, se quer continuar a jogar football no lugar de half-back, ou repare como joga um Buchan, um Gulden ou um Pullen, para ver se consegue imitá-los, ou então leia com atenção qualquer tratado de football.”[3]

 

A família

Raul Maranhão era filho de uma família abastada. Seu avô tinha sido senhor de engenho no Rio Grande do Norte e dono da primeira fábrica de tecidos de algodão da província potiguar. Seu pai, Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão, conheceu em uma viagem à França sua esposa, Louise Antoniete Crainê, e contraiu núpcias quando ela tinha apenas 16 anos lá em Paris. O casal veio, então, para Natal e logo começaram a procriar como mandavam os manuais da época. A jovem Louise teve dez filhos, dos quais só seis sobreviveram até a idade adulta: Jorge, Raul (nascido em 13 de setembro de 1887), Mário, Carlos, Alice e Suzana.

 

A numerosa família do ‘seu’ Amaro se mudou para o Rio de Janeiro em 1897, quando o patriarca foi nomeado professor de piano e canto do Internato do Ginásio Nacional. Em 1899, acumulou outro emprego, no Colégio Pio Americano, em São Cristóvão. E logo dava aulas no curso diurno da Escola Normal.

 

Com tantos empregos, a família vivia confortavelmente em Botafogo, na Rua da Passagem, depois se mudaram para a Vila Moraes, na Rua São Clemente. Mais natural ainda que os filhos tivessem uma educação de alta qualidade. Raul Maranhão, por exemplo, estudava no Colégio Alfredo Gomes, situada na Rua das Laranjeiras, exclusiva para meninos.

 

Foi no Colégio Alfredo Gomes que Raul Maranhão descobriu o futebol, que viria a ser a sua primeira paixão, como relembrou Paulo Hassbocher, Ministro Plenipotenciário do Brasil no Panamá, nos anos 40: “A minha turma do Colégio Alfredo Gomes – Raul Barreto de Albuquerque Maranhão, Almir Antunes, João Baptista Lemos, eu e mais alguns – treinava todos os dias num campo alugado a 10 mil réis por mês, onde mais tarde se construiu o estádio do Fluminense”.[4]

 

Ruy Barbosa, o “analfabeto”

A vida do menino rico que andava pelos bairros de Botafogo e das Laranjeiras lhe permitiu conhecer gente importante e ver cenas inimagináveis. Vizinho do famoso Ruy Barbosa, Raul Maranhão jura que viu um popular chamar o grande político baiano de “analfabeto”:

 

“Certa tarde de inverno, saindo do seu palacete à Rua São Clemente, Ruy Barbosa foi tomar um bonde. E como fosse míope e as sombras da noite viessem caindo sobre a terra, perguntou a um sujeito que se achava ao seu lado:

– Cavalheiro, pode fazer-me o favor de dizer que bonde é este?

O pobre homem olhou-o com profunda tristeza e respondeu:

– Sinto muito, mas eu também sou analfabeto…”[5]

 

1905

Com o surgimento dos primeiros clubes de futebol no Rio de Janeiro, Raul Maranhão foi aproveitando o modismo e se filiando a vários deles. Em 1905, vestiu a camisa de quatro equipes. Atuou em seis partidas pelo Botafogo. Era uma escolha natural, visto que os primeiros jogadores botafoguenses eram garotos como ele, oriundos do Colégio Alfredo Gomes. Numa partida contra o Petropolitano, no mês de maio, o alvinegro venceu por 1 a 0, mas Raul desperdiçou um pênalti na etapa inicial, o que o impediu de ser o autor do primeiro gol da história do clube (esta já era a quarta partida do Botafogo e até então, nenhum gol tinha sido marcado).

 

Naquele mesmo ano de 1905, em junho, jogou pelo Football & Athletic, da Tijuca, em um amistoso contra o Bangu e saiu vitorioso por 2 a 0, anotando um dos gols. Ao mesmo tempo, era o procurador do Internacional Football Club, ou seja, aquele membro da diretoria responsável pelo recolhimento das mensalidades dos sócios e ainda arrumou tempo para defender as cores do Humaytá Football Club, numa partida contra o Guanabarino. O Humaytá era, praticamente, um clube da família Maranhão: seus irmãos Carlos e Mário também faziam parte daquele time.

 

Deixou de jogar pelos clubes da Zona Sul quando se tornou o responsável pela expulsão do Botafogo do campo do Largo dos Leões. A mudança do alvinegro para a rua Conde de Irajá foi apressada por um chute doido, inteiramente descabido, que Raul Maranhão deu, sacudindo a pelota sobre a claraboia da casa dos Figueiredo, despedaçando-a completamente. Eram vinte e cinco vidros, cada vidro custava 5 mil-réis, uma fortuna que o Botafogo não poderia pagar. Para o clube, era melhor sair do largo. Para Raul, era melhor sair do Botafogo…

 

Bangu em 1906 e Riachuelo em 1907

Em 1906, quando tinha 18 anos, foi para o Bangu, terminando em quinto lugar na disputa do primeiro Campeonato Carioca da história. Em 1907, mudou-se para o Riachuelo, time da Segunda Divisão. Em 1908, continuou no time verde e branco e foi o pivô da eliminação de seu clube do Campeonato Carioca.

 

O pivô da eliminação do Riachuelo em 1908

No dia 19 de julho de 1908, o Rio Cricket recebeu o Riachuelo, em Niterói. Como o árbitro escalado – o tricolor Horácio Costa Santos -, faltou, foi escolhido de comum acordo para apitar o match o sócio inglês do Rio Cricket, Mr. Moreton. No 2º tempo, o Riachuelo vencia por 2 a 1, quando o britânico resolveu ignorar solenemente um pênalti (toque de mão dentro da área) contra sua equipe. Raul Maranhão foi protestar e foi expulso de campo!

 

O capitão do Riachuelo, Nabuco Prado, saiu de campo em solidariedade a Raul Maranhão e determinou que todos os demais atletas abandonassem a partida, mesmo com o Riachuelo vencendo. No tribunal de penas da Liga Metropolitana, Raul Maranhão e Nabuco Prado foram suspensos até o final da temporada e o Riachuelo foi punido com a sanção de três jogos. Ao ouvir a pena imposta, Gustavo Joppert, representante do clube alviverde, decidiu sair de vez da Liga. A partida entre Rio Cricket e Riachuelo teve o resultado alterado: o Rio Cricket ganhou os pontos por abandono de campo do rival. Um disparate!

 

“No mundo esportivo causou grande sensação a decisão tomada ontem pela Liga Metropolitana dos Sports Athléticos sobre o incidente ocorrido quando, domingo último, disputavam um match de football os teams do Riachuelo Football Club e do Rio Cricket. Na nossa seção competente, narramos o incidente como ele se deu. O sr. Raul Maranhão, do Riachuelo, foi ameaçado pelo sr. Moreton, que era o referee, de ser expulso. Rapaz brioso, saiu logo do campo e o team do club acompanhou-o. A Liga reuniu-se ontem para deliberar sobre este incidente e a sua deliberação foi severíssima: decidiu suspender o Riachuelo Football Club por toda a atual temporada e suspender o footballer sr. Maranhão por tempo indeterminado.”[6]

 

1909 e o Sport Club Mangueira

No ano seguinte, em 1909, livre de qualquer suspensão, Raul voltou aos gramados da cidade, desta vez para vestir a camisa rubro-negra do Sport Club Mangueira, time ligado à Fábrica de Chapéus Mangueira. Nada vinha bem no Campeonato Carioca, após duas derrotas para o Haddock Lobo e para o Riachuelo era a hora do Mangueira enfrentar o Botafogo, no campo da Rua Voluntários da Pátria. Naquele dia 30 de maio, o Mangueira se apresentou com apenas dez jogadores. Raul estava entre eles. Os gols foram saindo um atrás do outro numa irritante sequência. Só o botafoguense Gilbert Hime fez nove! O placar final: Botafogo 24 x 0 Mangueira se eternizou como a maior goleada do futebol brasileiro em todos os tempos.

 

O vexame fez com que se procurassem culpados. Para o jogo seguinte, contra o América (nova derrota por goleada, desta vez “só” 8 x 0), Raul Maranhão não foi escalado. Tinha compreendido o recado: era hora de parar definitivamente com o futebol. O Botafogo, time em que tinha iniciado sua carreira esportiva, também tinha sido o responsável direto pelo fim de sua vida nos gramados.

 

A vida depois do futebol

Foi melhor assim. Longe dos gramados pode se dedicar aos estudos na Faculdade Livre de Direito. Entrou em 1909. Em 1913, antes mesmo de se formar, foi nomeado escrevente juramentado da 2ª vara de órfãos. No período em que esteve fora da faculdade, casou-se com Odette de Figueiredo Pimentel em maio de 1914. Foi passar a lua-de-mel em Nova Friburgo. Publicou seu primeiro livro, “Rimas Hylozoístas” e logo, em abril de 1915, nascia Délio, seu primeiro filho.

 

Exonerado do cargo público em 1916, finalmente voltou aos estudos e conseguiu o título de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em março de 1917. Que ex-jogador do Bangu podia se vangloriar de ser chamado de “doutor” naquele tempo? Talvez, só o Dr. Raul Maranhão, que logo abriu um escritório de advocacia na Rua Chile.

 

Tornou-se um advogado bem sucedido. Em 1929, por exemplo, já andava de automóvel pelas ruas da cidade, salvando, inclusive a vida do engenheiro Francisco de Oliveira Passos, filho do histórico prefeito Pereira Passos, que se envolvera num acidente na Avenida Beira-Mar.

 

A política

A política passou a entrar na vida de Raul Maranhão naquele ano, inaugurando na ilha de Paquetá um comitê pró-Júlio Prestes, o candidato apoiado pelo presidente Washington Luiz nas eleições de 1930 contra Getúlio Vargas.

 

Em 1934, fundou o Partido Republicano Regenerador (PRR), tornando-se seu primeiro e único presidente. Nas eleições de outubro daquele ano, tentou uma vaga para vereador do Rio de Janeiro (então Distrito Federal), mas não obteve êxito. É curioso, ao menos, lembrar a plataforma que Raul Maranhão defendia:

 

“De seu programa constavam: a defesa do ensino primário obrigatório e gratuito, “nada faltando às crianças, desde o sapato até o chapéu”; a distribuição das terras devolutas; a assistência hospitalar gratuita; “o enterro uniformizado e gratuito”; a aposentadoria para os empregados no comércio e a garantia de sua família pelo seguro; a abolição da polícia especial e a elevação dos vencimentos dos guardas civis, dos inspetores de veículos, da Polícia Militar e de outras corporações; a fundação da casa do estivador, e o reajustamento “rigorosamente honesto dos vencimentos de todos os empregados e funcionários da Estrada de Ferro Central do Brasil”.[7]

 

O partido não foi à frente e Raul Maranhão nunca mais tentou se candidatar. Porém, graças a uma denúncia do diretor eleitoral do PRR, o professor Raul d´Ávila Goulart, o nome do advogado apareceu ligado à Intentona Comunista – um levante contra o presidente Getúlio Vargas, comandado por Luís Carlos Prestes, que aconteceu no dia 27 de novembro de 1935.

 

Segundo Goulart, Raul Maranhão era um dos financiadores do movimento, ao lado do prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto, de Augusto Pamplona e de Manoel Vargas Netto (sobrinho do próprio Getúlio). Era algo gravíssimo e, claro, fantasioso. Julgado pelo Tribunal de Segurança Nacional, foi absolvido.

 

Raul Maranhão foi advogado da polêmica Sylvia Seraphim, a mulher que assassinou o cartunista Roberto Rodrigues, irmão dos jovens Mário e Nelson Rodrigues, dentro da redação do jornal Crítica.

 

Tinha ideias avançadas para os anos 30. Aceitava vários processos de anulações de casamento. Se autodenominava um “apologista do divórcio à vínculo, por isso que, entendo ser uma injustiça ficarem os infelicitados pelos maus casamentos, acorrentados à um contrato para o resto da vida”.

 

Na época, tinha deixado a Zona Sul e passara a morar na Rua dos Lírios, em Madureira.

 

Nos anos 40, deixou Madureira e foi morar na Rua Miguel de Paiva, em Santa Teresa.

 

Em plena ditadura do Estado Novo, Raul Maranhão demonstrou apoio total a Getúlio Vargas no recém-criado Instituto Nacional de Ciência Política, do qual era membro fundador. Por duas vezes palestrou favoravelmente ao presidente. A primeira explanação tinha como tema “Getúlio Vargas e o Petróleo”; a segunda era mais eloquente ainda: “O presidente Getúlio Vargas no cenário universal”.

 

Em 1945, com a deposição de Getúlio, voltou a mudar de lado: apoiou o candidato da oposição, o Brigadeiro Eduardo Gomes no pleito contra Eurico Gaspar Dutra, o candidato “oficial”.

 

O escritor

Raul Maranhão se considerava um escritor, tanto que era um dos fundadores da “Sociedade Brasileira dos Homens de Letras” e publicava seus versinhos nas páginas da Gazeta de Notícias nos anos 30. Além disso, era amigo de infância do poeta modernista Manuel Bandeira. O pernambucano, inclusive, chegou a citá-lo num poema intitulado “Agradecendo uns maracujás”:

 

Estes não são de gaveta

Estes são do Maranhão

Não do Maranhão Estado

Mas do Maranhão poeta

Raul Maranhão chamado

Amigo do coração

 

Em 1942, lançou o seu segundo livro “Fatos e Verdades”. Manuel Bandeira, como não podia deixar de ser, escreveu o prefácio, dizendo que Raul Maranhão era “um homem movimentado, observador, sagaz, boa conversa, memória muita e um admirável senso do curioso, do estranho, do diferente”.

 

A poesia de Raul Maranhão não era das melhores. Tinha ideia fixa pelo “beijo”. Duas quadrinhas ajudam a exemplificar o pensamento do advogado:

 

O beijo melhor de dar

É aquele que a mulher nega

Porque então a gente pega

E beija em qualquer lugar

 

O politicamente correto do século XXI, certamente, iria censurar o Maranhão. Outra quadrinha era mais apaixonada:

 

Por toda parte em que eu ando

Persegue-me a ideia louca

De dar-te um beijo tão grande

Que não te caiba na boca

 

O fim

Em agosto de 1968, perdeu a esposa Odette que o acompanhara há 54 anos. Viúvo, sem ter a quem beijar, abandonou um dos grandes prazeres de sua vida: o passeio à ilha Cajaibas de Dentro, na Baía de Guanabara, que lhe pertencia por herança de família. Em 1970, fixou preço: queria vender a ilha por 60 mil cruzeiros. Era um local paradisíaco, embora fosse de difícil acesso:

 

“Para chegar à ilha, vai-se até a praia de Nossa Senhora de Lourdes e toma-se uma canoa, no mesmo local em que, no século XVIII, desembarcavam os passageiros para Teresópolis, que vinham de barco do Rio e subiam a serra de carruagem. A poucos metros do desembarcadouro, existem as ruínas de um convento e de uma pequena igreja, onde Anchieta pregou, para colonos e tamoios”.[8]

 

Senil, Raul Maranhão faleceu no dia 15 de setembro de 1980, no Rio de Janeiro. Tinha vivido suficientes 93 anos. Na sua longa trajetória que percorreu desde o Rio Grande do Norte, viu o futebol surgir na cidade, atuando nos clubes pioneiros; conheceu de perto personalidades do século XX, advogou com distinção, versejou de quando em quando. Morreu sem que os banguenses se lembrassem que no longínquo ano de 1906 tinha atuado pelo time nos seus primórdios, dando chutes a esmo, para o alto.

 

historiadores-dos-esportes-raul-barreto-de-albuquerque-maranhao-um-fidalgo-jogador-do-bangu
Time do Bangu que disputou o primeiro Campeonato Carioca em 1906. Da esquerda para a direita, fila de cima: William Hellowell, Manuel Maia e James Hartley. Fila do meio: Raul Barreto de Albuquerque Maranhão, John Farrington e Tom Harrison. Fila da frente: Alfredo Guedes de Mello, Alexander Leigh, Robert Cross, Charles Hill e Dante Delocco

 

Carlos Molinari é torcedor e historiador do Bangu.

 

[1] FILHO, Mário Rodrigues. O Negro no Futebol Brasileiro. 4ª edição. Rio de Janeiro: Editora Mauad, 2003, p. 40.

[2] FILHO, Mário Rodrigues. O sapo de Arubinha – Os anos de sonho do futebol brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 103.

[3] GAZETA DE NOTÍCIAS, 30 de maio de 1906, p. 4.

[4] REVISTA DIRETRIZES, 5 de fevereiro de 1942, p. 20.

[5] REVISTA FON-FON, 22 de fevereiro de 1947, p. 55.

[6] A IMPRENSA, 24 de julho de 1908, p. 1.

[7] DIÁRIO OFICIAL, 25 de setembro de 1934.

[8] JORNAL DO BRASIL, 24 de novembro de 1970, p. 5

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