Os troféus da Copa do Mundo: a Taça Jules Rimet, de 1930 a 1970, e o Troféu Copa do Mundo FIFA, a partir de 1974

 

ENGLISH VERSION

 

Durante toda a sua existência, a Copa do Mundo teve dois troféus. O primeiro foi a Taça Jules Rimet, nascida como Victory, que foi entregue transitoriamente aos campeões de 1930 a 1970. A partir de 1974, a FIFA instituiu o FIFA World Cup Trophy (Troféu Copa do Mundo FIFA) e o FIFA World Cup Winner’s Trophy (Troféu do Vencedor da Copa do Mundo). Os dois troféus pertencem à FIFA, mas o Troféu do Vencedor fica custodiado com a Seleção vencedora da Copa.

 

A Taça Jules Rimet, de 1930 a 1970, 9 edições

Feita pelo artista francês Abel Lafleur, a Taça Jules Rimet nasceu com o nome Victory. Com o tempo ela passou a ser conhecida como Copa do Mundo (World Cup ou Coupe du Monde). A figura nela representada era Nike, deusa grega da vitória. Em 1946, seu nome foi alterado para Taça Jules Rimet (Jules Rimet Trophy) em homenagem a Jules Rimet, Presidente da FIFA de 1921 a 1954.

 

Posse transitória e sem réplicas

A posse da Taça Jules Rimet era transitória. O campeão da Copa do Mundo a recebia, ficava com ela por pouco mais de três anos e a devolvia à FIFA para que ela fosse entregue ao novo campeão. Uma vez devolvida, seu campeão não ficava com uma réplica. Apenas o seu nome era registrado na base da Taça. A condição para a conquista definitiva da Taça era vencer três vezes a Copa do Mundo, feito obtido pelo Brasil ao se sagrar tricampeão mundial em 1970, após as conquistas de 1958 e 1962.

 

A Segunda Guerra Mundial

Campeã do Mundo em 1938, a Itália ficaria com a Taça Jules Rimet até 1942. Contudo, em Setembro de 1939, teve início a Segunda Guerra Mundial. Assim, Ottorino Barassi, dirigente esportivo italiano, retirou a Taça de um banco em Roma e a guardou dentro de uma caixa de sapatos, debaixo de sua cama. Barassi seguiu com a sua vida como se nada tivesse acontecido. Em 1944, ele trabalhou como comissário da Federação Italiana de Futebol, posição que manteve até 1946, quando a guerra já havia terminado. Neste mesmo ano, ele assumiu a Presidência da Federação Italiana de Futebol, cargo que ocupou até 1958. Em 1950, a Federação Italiana devolveu a Taça Jules Rimet à FIFA para que ela fosse entregue ao novo campeão da Copa de Mundo, que viria a ser o Uruguai.

 

Quando a Taça Jules Rimet desapareceu e reapareceu?

Uma coisa interessante é que as informações disponíveis na internet não esclarecem quando a Taça foi escondida por Barassi e quando ele a devolveu. Inclusive, algumas delas dão a entender que a Taça teria ficado escondida durante toda a guerra, o que acho extremamente questionável. Tenho certeza que as informações corretas estão relacionadas em algum livro especializado sobre o tema, mas, infelizmente, eu não tive a sorte de encontrá-las na internet. Sendo assim, tomarei a liberdade de especular sobre o assunto.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial, a Itália foi aliada da Alemanha. Ela manteve uma posição de não beligerância até Junho de 1940, quando passou a se envolver no conflito. A guerra chegou ao solo italiano em Julho de 1943, quando os Aliados invadiram a Sicília. No dia 26 de julho de 1943, Mussolini foi dispensado do cargo de Primeiro-Ministro pelo Rei Victor Emmanuel III. Logo em seguida, ele foi preso. A Itália sinalizou aos alemães que continuaria como aliada, mas assinou o armistício com os Aliados, anunciado no dia 8 de setembro de 1943. Mussolini foi libertado pelos alemães no dia 12 de setembro de 1943. No dia 23 de setembro de 1943, o norte da Itália, Roma incluída, se separou do restante do país, nascendo a República Social Italiana, tendo Mussolini à frente. A República chegou ao fim no dia 25 de abril de 1945. Mussolini foi morto três dias depois, no dia 28 de abril de 1945.

Acredito que Barassi tenha escondido a Taça em algum momento em Setembro de 1943, quando a Itália entrava em colapso e foi dividida. Não acredito que ele a tenha escondido por se preocupar com a possibilidade dos alemães a roubarem. Sinceramente, os alemães tinham coisas mais importantes para se preocupar, como o roubo de obras de arte. Inclusive, o próprio Blog do Museu FIFA, no artigo referente a base original da Taça Jules Rimet, trata esse interesse alemão como um rumor. Creio que a preocupação de Barassi era com o fato de que alguém, qualquer pessoa, pudesse de fato roubar a Taça ou que ela fosse perdida num bombardeio. Roma, onde estava o banco que guardava a Taça, foi bombardeada pelos aliados em algumas oportunidades.

Com relação ao reaparecimento, é praticamente certo de que Barassi ressurgiu com a Taça logo após o fim da guerra na Europa, em Maio de 1945. É importante relembrar que a Taça passou a se chamar Jules Rimet justamente em 1946, ou seja, já se sabia onde ela estava nesse ano.

Assumo o compromisso de atualizar o texto com as informações corretas no dia em que tiver acesso a uma literatura especializada que traga as informações exatas de quando Barassi escondeu a Taça e de quando a devolveu.

 

O roubo de 1966

No dia 20 de março de 1966, quatro meses antes do início da Copa do Mundo da Inglaterra, a Taça Jules Rimet foi roubada enquanto era exposta no Central Hall em Westminster. A Taça foi encontrada embrulhada em um jornal sete dias depois pelo cachorro Pickles, pertencente a David Corbett, em um jardim na Beulah Hill, Upper Norwood, sul de Londres. A polícia inglesa acabou prendendo Edward Betchley,  que havia pedido 15 mil libras esterlinas para devolver a Taça. Posteriormente, ele alegou que era apenas um intermediário que agiu a mando de uma pessoa chamada de “O Pólo” (“The Pole”). A polícia inglesa não chegou a uma conclusão se “O Pólo” de fato existia.

 

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Pickles

 

O roubo de 1983

Treze anos depois de conquistar em definitivo a Taça Jules Rimet, a Sede da CBF no Rio de Janeiro foi invadida e a Taça roubada. Participaram do roubo Sérgio Peralta (Sérgio Pereira Ayres, falecido em 2003); Chico Barbudo (Francisco José Rocha Rivera, assassinado em 1989); Luiz Bigode (José Luiz Vieira da Silva); Juan Carlos Hernandez  e Antônio Setta (falecido em 1985). A Taça Jules Rimet nunca foi recuperada. Acredita-se que ela, um objeto de valor imensurável, tenha sido derretida para que o ouro fosse revendido.

 

Uma pequena máquina do tempo

Paulo Cezar Filho, Blog Jornalheiros, me mandou uma pequena e fascinante máquina do tempo. Duas páginas de uma reportagem de 1966 da Revista do Esporte. Ou seja, essa reportagem é de antes da conquista da Copa de 1970 e de pouco depois do roubo ocorrido em Londres, meses antes da Copa do Mundo. Nesta reportagem, são relatadas algumas informações impressionantes:

 

  • Com o início da guerra, Rimet ficou preocupado com a Taça, mas ele foi tranquilizado pela Federação Italiana. Posteriormente, ele voltou a se preocupar pois começaram a circular rumores de que ela seria “derretida para que seu ouro fosse empregado no esforço de guerra”;
  • Rimet somente ficou tranquilo quando soube que um grupo de esportistas italianos, com o auxílio de Barassi, levou a Taça para a Suíça, onde permaneceu até o fim da guerra;
  • A reportagem ainda diz que a Taça erguida pelo Brasil em 1958 e 1962 não era a verdadeira, e que após as conquistas dessas duas Copas, a CBD nunca expôs publicamente a Taça verdadeira. Por fim, ela critica os ingleses que “querendo ser mais realistas que o rei, terminaram em colocar a verdadeira Taça Jules Rimet numa exposição filatélica no Central Hall, em Westminster”, onde ela acabou sendo roubada.

 

A reportagem termina dizendo “ainda bem que se o Brasil for mesmo tricampeão mundial, como se espera, sentirá o gostinho de arquivar para sempre no acervo de glórias a belíssima taça confeccionada por Lefleur e que mereceu de sua filha Gill, depois de pronta, esta comentário: “Ela é a minha irmã de ouro.””

 

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As réplicas

A CBF possui três réplicas da Taça Jules Rimet em seu museu. Uma delas foi feita pela própria FIFA com o molde original da primeira Taça. As outras duas foram feitas pela Kodak e pela Sadia. Por mais que durante a existência da Taça Jules Rimet a FIFA não tenha permitido a confecção de réplicas, atualmente existem algumas delas nos museus do futebol Alemão (Dortmund), Inglês (Manchester), Italiano (Firenza) e Uruguaio (Montevideu). A FIFA também possui uma réplica no seu Museu em Zurique.

No National Football Museum, localizado em Manchester, Inglaterra, existe uma réplica cuja história é interessante. Depois do roubo de 1966 e da conquista da Copa, a Federação Inglesa mandou fazer uma réplica sem a autorização da FIFA. Essa réplica foi exposta em algumas oportunidades como se fosse a original até chegar o momento da verdadeira Taça ser devolvida à FIFA para a Copa de 1970. Devolvida a Taça Jules Rimet, a réplica inglesa foi guardada. Em 1997, ela foi leiloada pela Sotheby’s. Antes do leilão, surgiu o rumor de que a réplica na verdade seria a original. Isso era baseado numa história de que os ingleses teriam devolvido a réplica que haviam feito em 1966, e ficado com a original. Com o preço de reserva de 20 mil a 30 mil libras esterlinas, a CBF e a FIFA entraram pesado no leilão para comprar a Taça, que acreditava-se, era a original. A FIFA comprou a Taça por 254.500 libras esterlinas. Posteriormente, foram realizados os testes que confirmaram que se tratava de uma réplica, e não da original. Tendo a posse da réplica, a FIFA emprestou a Taça para ser exposta no museu inglês, onde se encontra atualmente.

 

A Taça Jules Rimet do National Football Museum

 

As réplicas dos jogadores

Consta a informação de que cada jogador da seleção brasileira de 1970 recebeu uma réplica da Taça Jules Rimet. A réplica que foi entregue a Pelé pode ser apreciada no Museu Pelé em Santos.

 

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Frente da Réplica oficial da Taça Jules Rimet entregue pela FIFA a Pelé em 1970. Nesta foto pode ser observada o modelo da base octogonal que foi posta pelos alemães após a Copa de 1954
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Parte de trás da Réplica oficial da Taça Jules Rimet entregue pela FIFA a Pelé em 1970

 

A base original da Taça Jules Rimet

Em Dezembro de 2014, a base original da Taça Jules Rimet foi encontrada na Sede da FIFA em Zurique após longos anos de absoluto esquecimento. O Blog do Museu da FIFA traz preciosas informações sobre a história dessa base. Após vencer a Copa de 1954, a Alemanha Ocidental recebeu a Taça Jules Rimet sem que houvesse um espaço em sua base para a colocação do seu nome. A base original era quadrada e cada lado era ocupado por uma placa com o nome dos vencedores das Copas de 1930, 1934, 1938 e 1950. Assim, os alemães providenciaram a troca da base sem o conhecimento da FIFA. A nova base era octogonal e tinha oito placas. A placa frontal tinha o nome da Taça: “Coup du Monde de Football Association, Coup Jules Rimet”. Cada uma das outras 7 placas tinha o espaço para a colocação de dois nomes de seleções campeãs. Se nenhuma seleção conquistasse 3 Copas do Mundo, a nova base poderia ter sido utilizada até a Copa de 1990. Segundo o Blog, quando os alemães devolveram a Taça para a Copa de 1958, houve a percepção de que ela estava mais alta. Isso logo gerou rumores de que eles haviam perdido a original e que a devolvida era uma réplica. Inclusive, o Blog menciona que esse rumor era baseado no conhecimento de que uma réplica havia sido feita na cidade alemã de Hanau, apesar de não esclarecer qual teria sido seu destino.

Um detalhe que me chamou a atenção nessa história, mas que muito provavelmente nunca será esclarecido, é que por mais que os alemães tenham substituído a base sem o conhecimento da FIFA, eles devolveram a base original à FIFA, tanto que ela foi encontrada na Sede da FIFA quando o material para o Museu estava sendo organizado.

 

 

Base original da Taça Jules Rimet. Ela está exposta no Museu FIFA com uma réplica da Taça montada sobre ela. Fonte: Blog do Museu FIFA.

 

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Taça Jules Rimet em 1938 com a base original. Fonte: Blog do Museu FIFA
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Copa do Mundo de 1938, realizada na França, Itália bicampeã. Essa é a primeira foto de uma seleção ainda em campo com a Taça. Não encontrei registros na internet, nem mesmo no site da FIFA, da Taça sendo entregue ainda em campo às Seleções do Uruguai, 1930, e da própria Itália, 1934. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, Uruguai bicampeão. Fonte: Getty Images

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Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, Uruguai bicampeão. Para se ter uma ideia da entrega da Taça em 1950 é necessário fazer uma composição com as poucas fotos disponíveis na internet. A primeira foto mostra a Taça sendo entregue pelo próprio Jules Rimet, Presidente da FIFA na época, ao capitão uruguaio Obdulio Varella. Contudo, a primeira foto não deixa claro se a entrega ocorreu ainda em campo. Essa é a importância da segunda foto, que apesar de não mostrar a Taça Jules Rimet, que estava entre Rimet e Varella, evidencia a entrega do troféu ainda em campo. Fonte: Getty Images . Segundo Ghiggia, a seleção do Uruguai deu a volta olímpica, recebeu a Taça e foi para o vestiário. Fonte: Uruguai x Brasil Final da Copa de 1950 no Brasil 

WM 1954
Copa do Mundo de 1954, realizada na Suíça, Alemanha campeã. Foto obtida na internet
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Copa do Mundo de 1958, realizada na Suécia, Brasil campeão. Foto obtida na internet
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Copa do Mundo de 1962, realizada no Chile, Brasil bicampeão. Foto obtida na internet
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Copa do Mundo da 1966, realizada na Inglaterra, Inglaterra campeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1970, realizada no México, Brasil tricampeão. Foto obtida na internet

 

O FIFA World Cup Trophy (Troféu Copa do Mundo FIFA) e o FIFA World Cup Winner’s Trophy (Troféu do Vencedor da Copa do Mundo FIFA)

De 1974 em diante, 12 edições

 

Com a entrega em definitivo da Taça Jules Rimet ao Brasil em 1970, a FIFA precisava de um novo troféu para a Copa de 1974. Assim, em 1971, 53 designers de 7 países apresentaram os mais diversos modelos de troféus, sendo escolhido o modelo desenvolvido pelo artista italiano Silvio Gazzaniga, que assim descreveu a sua obra:

 

“As linhas saem da base, subindo em espirais, estendendo-se para receber o mundo. Das notáveis tensões dinâmicas do corpo compacto da escultura erguem-se as figuras de dois atletas no agitado momento da vitória.”

 

Era o nascimento do FIFA World Cup Trophy (Troféu Copa do Mundo FIFA) e do FIFA World Cup Winner’s Trophy (Troféu do Vencedor da Copa do Mundo FIFA). Em termo de tamanho e desenho, os dois troféus são iguais. A diferença está na composição. O Troféu Copa do Mundo FIFA é feito de ouro. O Troféu do Vencedor é feito de bronze e banhado a ouro.

O Troféu Copa do Mundo FIFA é único, pertence à própria FIFA e nunca será entregue em definitivo a um país. Segundo Guy Oliver, Historiador Sênior do FIFA World Football Museum, de 1974 a 2006, os campeões ficavam com o Troféu principal até o final do ano anterior ao da Copa seguinte, quando ele era devolvido à FIFA para ser entregue ao novo campeão. A partir da Copa de 2010, o troféu passou a ser entregue somente na cerimônia realizada após a final, sendo em seguida devolvido à FIFA antes do regresso da seleção campeã ao seu país de origem. Feita a devolução, a FIFA entrega à seleção campeã o Troféu do Vencedor da Copa do Mundo FIFA.

Sua história é linear e organizada, não possuindo as emoções vividas pela Taça Jules Rimet. O cuidado é tão extremo que somente os campeões mundiais e os chefes de estado podem tocar no Troféu Copa do Mundo FIFA. Ao que consta, esse procedimento é adotado desde 1974.

 

Desde 1974, foram entregues 12 Troféus do Vencedor:

  • Alemanha, três troféus: 1974, 1990 e 2014;
  • Brasil, dois troféus: 1994 e 2002;
  • Argentina, dois troféus: 1978 e 1986;
  • Itália, dois troféus: 1982 e 2006;
  • França, dois troféus: 1998 e 2018;
  • Espanha, um troféu: 2010.

 

Com essa nova metodologia, a FIFA corrigiu um erro da Taça Jules Rimet: um único troféu sem réplicas. O erro foi corrigido, apesar de se ter perdido o charme da busca pela posse definitiva de um troféu de posse transitória.

 

O registro dos campeões

Até a Copa de 1994, o Troféu Copa do Mundo FIFA ficou sem o registro dos nomes dos campeões. Segundo Giorgio Gazzaniga, filho de Silvio Gazzaniga, a decisão de não registrar os nomes dos campeões foi tomada pela FIFA para não limitar o período de utilização do Troféu. Quando o Troféu foi desenhado, Silvio Gazzaniga colocou na parte de trás do disco de ouro da base, que fica entre os discos de malaquita, pequenas placas esculpidas para o registro dos nomes das seleções campeãs. Essas placas acabaram não sendo utilizadas e se tornaram detalhes artísticos do Troféu. Elas podem ser bem observadas na foto da Itália, Campeã da Copa de 1982 na Espanha.

Terminada a Copa, os nomes passaram a ser registrados debaixo do Troféu. Para que os nomes possam ser contemplados, o Troféu precisa ser levantado e virado. A Taça Jules Rimet tinha os nomes dos seus campeões registrados em sua base, de forma a que eles pudessem ser contemplados sem que a Taça tivesse que ser movimentada. Depois da Copa de 2014, a forma como os nomes são registrados no Troféu foi alterada, passando de uma lista vertical para um lista em espiral. Assim, o Troféu ficou com espaço para o registro dos nomes dos campeões até a Copa de 2038, quando ele deverá ser substituído.

 

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Em Jul/2014, Carlos Puyol mostrou o fundo da Troféu Copa do Mundo FIFA com os nomes das seleções campeãs até 2010. Fonte: Globo Esporte. Reparem que nessa reportagem a modelo Gisele Bündchen não toca no Troféu. Terminada a Copa de 2014, a FIFA alterou a forma como os nomes são registrados no troféu. A nova forma pode ser vista no site do Museu da FIFA: Nova forma de registro dos nomes dos Campeões Mundiais no Troféu Copa do Mundo FIFA. Se o link não direcionar para a página da apresentação, a foto pode ser vista no slide/foto 6.

 

O regulamento

No Regulamento da Copa do Mundo de 2018 (Regulations, 2018 FIFA World Cup Russia), a questão dos troféus é tratada no artigo 52, Troféu, Prêmios e Medalhas (Article 52, Trophy, Awards and medals). Os itens 1, 2, 3, 4 e 5 tratam especificamente do troféu:

 

1. The winner of the 2018 FIFA World Cup Russia™ will be presented with the FIFA World Cup Trophy (hereinafter: the Trophy), which remains the property of FIFA. The winning team will be provided with the Trophy during a ceremony immediately following the final whistle, and shall return the Trophy to FIFA on demand or prior to departure from Russia, whichever is the sooner. At this time, the winning team shall be provided with the FIFA World Cup Winner’s Trophy (hereinafter: the Winner’s Trophy).

2. FIFA is responsible for engraving the Trophy with the name of the winning team.

3. The winning participating member association shall take all reasonable steps, at its own expense, to ensure the security and safety of the Trophy and Winner’s Trophy while they are in the possession of the winning participating member association.

4. It is further agreed that the Winner’s Trophy may remain in the temporary custody of the winning participating member association but remains at all times the property of FIFA and must be returned immediately to FIFA if so requested by FIFA in writing.

5. FIFA will issue, at a later date, Trophy Guidelines. The winning participating member association shall ensure its full compliance with these Trophy Regulations.

 

Traduzindo:

 

1. O vencedor da Copa do Mundo da Rússia 2018 será presenteado com o Troféu da Copa do Mundo da FIFA (daqui em diante: o Troféu), que continua a ser de propriedade da FIFA. A equipe vencedora receberá o Troféu durante uma cerimônia imediatamente após o apito final e devolverá o Troféu à FIFA sob demanda ou antes da partida da Rússia, o que ocorrer primeiro. Neste momento, a equipe vencedora receberá o Troféu do Vencedor da Copa do Mundo da FIFA (doravante, o Troféu do Vencedor) .

2. A FIFA é responsável pela gravação do Troféu com o nome da equipe vencedora.

3. A associação-membro participante vencedora tomará todas as medidas razoáveis, às suas próprias custas, para garantir a segurança e a segurança do Troféu e do Troféu do Vencedor enquanto estes estiverem na posse da associação-membro participante vencedora.

4. Fica ainda acordado que o Troféu dos Vencedores pode permanecer sob custódia temporária da associação-membro participante vencedora, mas permanece em todos os momentos como propriedade da FIFA e deve ser devolvido imediatamente à FIFA, se assim solicitado pela FIFA por escrito.

5. A FIFA publicará, posteriormente, as Diretrizes do Troféu. A associação membro participante vencedora deve garantir o cumprimento integral destes Regulamentos do Troféu.

 

Foram analisados os regulamentos das Copas de 2006, 2010, 2014 e 2018. O Artigo referente aos troféus, premiações e medalhas, aparece a partir de 2010, passando a ser repetido quase que na íntegra nos regulamentos de 2014 e 2018. Os regulamentos das Copas de 1974 a 2002 não foram encontrados na internet.

Um fato que chama a atenção é que em conformidade com o item 4 do referido artigo, o Troféu do Vencedor não pertence a seleção que venceu a Copa do Mundo, e sim à FIFA. Sua devolução pode ser solicitada a qualquer momento por escrito, fato que nunca ocorreu.

 

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Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha, Alemanha bicampeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina, Argentina campeã. Foto obtida na internet
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Copa do Mundo de 1982, realizada na Espanha, Itália tricampeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1986, realizada no México, Argentina bicampeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, Alemanha tricampeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos, Brasil tetracampeão. Foto obtida na internet
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Copa do Mundo de 1998, realizada na França, França campeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 2002, realizada no Japão e na Coréia do Sul, Brasil pentacampeão. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha, Itália tetracampeã mundial. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, Espanha campeã. Fonte: FIFA
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Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, Alemanha tetracampeã. Fonte: FIFA
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Museu Seleção Brasileira – Foto da sala onde se encontram os dois Troféus do Vencedor Copa do Mundo FIFA, 1994 e 2002, e as três réplicas da Taça Jules Rimet. As réplicas foram presenteadas pela FIFA, Kodak e Sadia. Fonte: Museu Seleção Brasileira.

 

Sites interessantes:

Blog do Museu FIFA

GDE Bertoni, fabricante do Troféu Copa do Mundo FIFA

Silvio Gazzaniga, artista responsável pelo Troféu Copa do Mundo FIFA

 

Informações:

FIFA, informações sobre os troféus

Museu FIFA, informações sobre a Taça Jules Rimet e o Troféu Copa do Mundo FIFA

Blog do Museu FIFA, artigo sobre a base original da Taça Jules Rimet, “Lost and found: FIFA’s masterpiece”

 

Museus

Museu FIFA, Zurique, Suíça

Museu Seleção Brasileira, Rio de Janeiro, Brasil

Museu Italiano do Futebol, Firenza, Itália

Museu Uruguaio do Futebol, Montevideu, Uruguai

Museu Alemão do Futebol, Dortmund, Alemanha

Museu Inglês do Futebol, Manchester, Inglaterra

Museu Pelé, Santos, Brasil (link do Facebook pois o Museu não tem site)

 

 

 

Agradecimento: Paulo Cezar Filho, Blog Jornalheiros.

 

Agradecimentos Especiais: Guy Oliver, Historiador Sênior do FIFA Worl Football Museum, e Giorgio Gazzaniga.

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.

 

 

THE WORLD CUP TROPHIES: THE JULES RIMET CUP, FROM 1930 TO 1970, AND THE FIFA WORLD CUP TROPHY, FROM 1974 ONWARDS

Throughout its existence, the World Cup had two trophies. The first was the Jules Rimet Cup, initially named Victory, which was temporarily handed over to the champions from the 1930s to the 1970s. Since 1974, FIFA established the FIFA World Cup Trophy and the FIFA World Cup Winner’s Trophy. The two trophies belong to FIFA, but the Winner’s Trophy is guarded by the World Cup Winners.

 

THE JULES RIMET CUP, FROM 1930 TO 1970, 9 EDITIONS

Made by the French artist Abel Lafleur, the Jules Rimet Cup was born under the name Victory. Over time, it became known as the World Cup (Coupe du Monde). The figure depicted on it was Nike, the Greek goddess of victory. In 1946, its name was changed to Jules Rimet Cup in honor of the President of FIFA from 1921 to 1954.

 

Transitional possession and no replicas

The possession of the Jules Rimet Cup was transitional. The World Cup winner received the Cup, stayed with it for just over three years and returned her to FIFA to be handed over to the new champion. Once returned, the last champion did not keep a replica. Only its name was registered in the base of the Cup. The condition for the eventual conquest of the Cup was to win three times the World Cup, made achieved by Brazil in 1970 after the conquests of 1958 and 1962.

 

The Second World War

World Champion in 1938, Italy would have the Jules Rimet Cup until 1942. However, in September 1939, World War II began. Thus, Ottorino Barassi, Italian sports manager, removed the Cup from a bank in Rome and stored it inside a shoebox, under his bed. Barassi followed with his life as if nothing had happened. In 1944 he worked as a commissioner for the Italian Football Federation, a position he held until 1946, when the war was over. In the same year, he assumed the Presidency of the Italian Football Federation, a position he held until 1958. In 1950, the Italian Federation returned the Jules Rimet Cup to FIFA to be handed over to the new World Cup champion, that would be the Uruguay.

 

When the Jules Rimet Cup disappeared and reappeared?

An interesting thing is that the information available on the internet does not clarify when the Cup was hidden by Barassi and when he returned it. Some of them even suggest that the Cup was hidden throughout the war, which I find extremely questionable. I am sure the correct information is listed in some specialized book on the subject, but unfortunately, I was not fortunate enough to find them on the internet. So I will take the liberty of speculating on the subject.

From the beginning of World War II, Italy was allied with Germany. She maintained a position of non-belligerence until June 1940, when got involved in the conflict. The war reached Italian soil in July 1943, when the Allies invaded Sicily. On July 26, 1943, Mussolini was dismissed from the post of Prime Minister by King Victor Emmanuel III. Soon after, he was arrested. Italy signaled to the Germans that would continue as an ally but signed the armistice with the Allies, announced on September 8, 1943. Mussolini was released by the Germans on September 12, 1943. On September 23, 1943, the north of Italy, Rome included, was separated from the rest of the country, being born the Italian Social Republic with Mussolini ahead. The Republic came to an end on April 25, 1945. Mussolini was killed three days later, on April 28, 1945.

I believe Barassi hid the Cup sometime in September 1943, when Italy collapsed and was divided. I do not believe he hid it because he was worried about the possibility of the Germans could steal it. Frankly, the Germans had more important things to worry about, such as the theft of works of art. In fact, the FIFA Museum Blog itself, in the article referring to the original Jules Rimet Cup, treats this German interest as a rumor. I think Barassi’s concern was that anyone could actually steal the Cup or it was lost in a bombardment. Rome, where the bank responsible for the Cup was, was bombarded by the allies in some occasions.

Regarding the reappearance, it is almost certain that Barassi reemerged with the Cup shortly after the end of the war in Europe in May 1945. It is important to remember that the Cup was renamed Jules Rimet in 1946, so its whereabouts were already known in this year.

I make a commitment to update the text with the correct information when I have access to a specialized literature that provide the exact information of when Barassi hid the Cup and when he returned it.

 

The theft of 1966

On March 20, 1966, four months before the start of the England World Cup, the Jules Rimet Cup was stolen while it was displayed at the Central Hall in Westminster. The Cup was found wrapped in a newspaper seven days later by the dog Pickles, belonging to David Corbett, in a garden in Beulah Hill, Upper Norwood, south of London. The British police eventually arrested Edward Betchley, who had asked for 15,000 pounds to return the Cup. He later claimed that he was only an intermediary who acted on behalf of a person called “The Pole”. The British police did not come to a conclusion if “The Pole” in fact existed.

 

The theft of 1983

Thirteen years after definitively conquering the Jules Rimet Cup, CBF Headquarters in Rio de Janeiro was invaded and the Cup stolen. Participated in the robbery Sérgio Peralta (Sérgio Pereira Ayres, deceased in 2003); Chico Barbudo (Francisco José Rocha Rivera, assassinated in 1989); Luiz Bigode (José Luiz Vieira da Silva); Juan Carlos Hernandez and Antônio Setta (deceased in 1985). The Jules Rimet Cup was never recovered. It is believed that the Cup, an object of immeasurable value, was melted so that the gold could be resold.

 

A small time machine

Paulo Cezar Filho, Blog Jornalheiros, sent me a small and fascinating time machine. Two pages of a 1966 article of the brazilian Sports Magazine. That is, this story is before the 1970 World Cup and shortly after the theft in London, months before the World Cup. In this report, some impressive information is reported:

 

  • With the start of the war, Rimet was worried about the Cup, but he was reassured by the Italian Federation. Subsequently, he worried again because rumors began to circulate that the Cup would be “melted so that its gold could be used in the war effort”;
  • Rimet only relaxed when he was informed that a group of Italian athletes, under Barassi’s coordination, took the Cup to Switzerland, where it remained until the end of the war;
  • The report also says that the Cup raised by Brazil in 1958 and 1962 was not the true one, and that after the achievements of these two Cups, the CBD* never publicly exposed the true Cup. Finally, it criticizes the British who “wanting to be more realistic than the king, ended up putting the true Jules Rimet Cup in a philatelic exhibit at the Central Hall in Westminster,” where it ended up being stolen.

 

The report concludes by saying “it is a good thing that if Brazil is three-time world champion, as expected, he will have the taste of forever shelving in the collection of glories the beautiful cup made by Lefleur and that deserved his daughter Gill’s comment: “She’s my golden sister.””

 

*Until 1979, the football in Brazil was managed by CBD, Brazilian Confederation Sports. The CBF, Brazilian Confederation Football, was created in this year.

 

The replicas

The Brazilian Football Confederation (CBF) has three replicas of the Jules Rimet Cup in its museum. One of them was made by FIFA with the original mold of the first Cup. The other two were made by the companies Kodak and Sadia. Although during the existence of the Jules Rimet Cup, FIFA has not allowed replicas to be made, there are currently some of them in the German (Dortmund), English (Manchester), Italian (Firenza) and Uruguayan (Montevideo) museums. FIFA also has a replica at its Museum in Zurich.

At the National Football Museum, located in Manchester, England, there is a replica whose story is interesting. After the theft of 1966 and the conquest of the Cup, the English Federation made a replica without the authorization of FIFA. This replica was exposed in some occasions as the original until the moment that the true Cup had to be returned to FIFA for the 1970 World Cup. After the devolution, the English replica was saved. In 1997, it was auctioned by Sotheby’s. Before the auction, arose a rumor that the replica would actually be the original. This was based on a story that the English would have returned the replica they had made in 1966 instead the original. With the reserve price of £ 20,000 to £ 30,000, CBF and FIFA came in at the auction to buy the Cup, which was believed to be the original. FIFA bought the Cup for £ 254,500. Subsequently, tests confirmed that it was a replica, not the original. Having the replica, FIFA lent the Cup to be exhibited in the English museum, where it is currently.

 

The Jules Rimet Cup of the National Football Museum

 

The players’s replicas

It is reported that each player of the 1970 Brazilian team received a replica of the Jules Rimet Cup. The replica that was given to Pelé can be seen at the Pelé Museum in Santos.

 

The original base of the Jules Rimet Cup

In December 2014, the original Jules Rimet Cup was found at FIFA Headquarters in Zurich, after long years of absolute forgetfulness. The FIFA Museum Blog brings precious information about the history of this base. After winning the 1954 World Cup, West Germany received the Jules Rimet Cup without a space in its base for the placement of its name. The original base was square and each side was occupied by a plaque with the name of the winners of the 1930, 1934, 1938 and 1950 World Cups. Thus, the Germans arranged to exchange the base without FIFA’s knowledge. The new base was octagonal and had eight plates. The front plate had the name of the Cup: “Coup du Monde Football Association, Coup Jules Rimet”. Each of the other 7 sides had space for the placement of two names of winning teams. If no team has won 3 World Cups, the new base could have been used until the 1990 World Cup. According to the Blog, when the Germans returned the Cup to the 1958 Cup, there was a perception that it was higher. Soon arose rumors that the Germans had lost the original Cup and returned a replica. In fact, the Blog mentions that this rumor was based on the knowledge that a replica had been made in the German city of Hanau, although it did not clarify what would have been its fate.

One detail that called my attention in this story, but most likely will never be clarified, is that as much as the Germans replaced the base without FIFA’s knowledge, they returned the original base to FIFA, so much so that it was found at FIFA’S Headquarter when the material for the Museum was being organized.

 

THE FIFA WORLD CUP TROPHY AND THE FIFA WORLD CUP WINNER’S TROPHY

SINCE 1974, 12 EDITIONS

 

With the final delivery of the Jules Rimet Cup to Brazil in 1970, FIFA needed a new trophy for the 1974 World Cup. Thus, in 1971, 53 designers from 7 countries presented the most diverse models of trophies, being chosen the model developed by the Italian artist Silvio Gazzaniga, who thus described his work:

 

“The lines come out of the base, rising in spirals, reaching out to receive the world. From the remarkable dynamic tensions of the sculpture’s compact body stand the figures of two athletes in the agitated moment of victory. “

 

It was the birth of the FIFA World Cup Trophy and the FIFA World Cup Winner’s Trophy. In terms of size and design, the two trophies are the same. The difference is in composition. The FIFA World Cup Trophy is made of gold. The Winner’s Trophy is made of bronze and gold plated.

The FIFA World Cup Trophy is unique, belongs to FIFA itself and will never be definitively handed over to a country. According to Guy Oliver, Senior Historian of the FIFA World Football Museum, from 1974 to 2006, the champions held the main Trophy until the end of the year before the next World Cup, when it was returned to FIFA to be handed over to the new champion. From the 2010 FIFA World Cup onwards, the trophy was handed over only at the ceremony held after the final, and then returned to FIFA before the departure of the winning team to its country. Once the return is made, FIFA delivers the FIFA World Cup Winner Trophy to the winning team.

Its story is linear and organized, not having the emotions experienced by the Jules Rimet Cup. The care is so extreme that only world champions and heads of state can touch in the FIFA World Cup Trophy. It seems that this procedure has been adopted since 1974.

 

Since 1974, 12 Winner Trophies have been awarded:

  • Germany, three trophies: 1974, 1990 and 2014;
  • Brazil, two trophies: 1994 and 2002;
  • Argentina, two trophies: 1978 and 1986;
  • Italy, two trophies: 1982 and 2006;
  • France, two trophies: 1998 and 2018;
  • Spain, one trophy: 2010.

 

With this new methodology, FIFA corrected a mistake of the Jules Rimet Cup: a single trophy without replicas. The error was corrected, although the charm of the search for the definitive possession of a trophy of transitional possession has been lost.

 

The registration of the champions’s names

Until the 1994 World Cup, the names of the winning teams were not registered in the Trophy. According to Giorgio Gazzaniga, son of Silvio Gazzaniga, the decision not to register the names of the winning teams was taken by FIFA to not limit the life cycle of the Trophy. When the Trophy was designed, Silvio Gazzaniga placed in the back of the gold disc of the base, which is placed between the malachite discs, small plates carved for the record of the names of the winning teams. These plates were not used and became artistic details of the Trophy. They can be well observed in the photo of Italy,  champion of the 1982 World Cup in Spain.

After the 1994 Cup, the names were registered under the Trophy. To contemplate the names, the Trophy must be lifted and turned. The Jules Rimet Cup had the champions’s names registered in the sides of its base, so they could be contemplated without the need to move the Cup. After the 2014 World Cup, the way the names are registered in the Trophy was changed from a vertical list to a spiral list. Thus, the Trophy has space for the record of champions’s names until the 2038 Cup, when it should be replaced.

 

Regulation

In the Rules of the 2018 FIFA World Cup Russia, the issue of trophies is dealt with in Article 52, Trophy, Awards and Medals. The items 1, 2, 3, 4 and 5 deal specifically with the trophy:

1. The winner of the 2018 FIFA World Cup Russia™ will be presented with the FIFA World Cup Trophy (hereinafter: the Trophy), which remains the property of FIFA. The winning team will be provided with the Trophy during a ceremony immediately following the final whistle, and shall return the Trophy to FIFA on demand or prior to departure from Russia, whichever is the sooner. At this time, the winning team shall be provided with the FIFA World Cup Winner’s Trophy (hereinafter: the Winner’s Trophy).

2. FIFA is responsible for engraving the Trophy with the name of the winning team.

3. The winning participating member association shall take all reasonable steps, at its own expense, to ensure the security and safety of the Trophy and Winner’s Trophy while they are in the possession of the winning participating member association.

4. It is further agreed that the Winner’s Trophy may remain in the temporary custody of the winning participating member association but remains at all times the property of FIFA and must be returned immediately to FIFA if so requested by FIFA in writing.

5. FIFA will issue, at a later date, Trophy Guidelines. The winning participating member association shall ensure its full compliance with these Trophy Regulations.

 

The regulations for the 2006, 2010, 2014 and 2018 Cups were analyzed. The article referring to trophies, awards and medals, appears for the first time in the 2010 regulation, and will be repeated almost in full in the regulations of 2014 and 2018. The regulations of the Cups from 1974 to 2002 were not found in the internet.

A fact that calls my attention is that according to the item 4 of Article 52, the Winner’s Trophy does not belong to the team that won the World Cup, but to FIFA. Its return may be requested at any time in writing, a fact that never occurred.

 

 

Acknowledgment: Paulo Cezar Filho, Blog Jornalheiros.

 

Special Acknowledgments: Guy Oliver, Senior Historian of the FIFA World Football Museum, and Giorgio Gazzaniga.

 

Jorge Priori is a Fluminense fan and likes pretty much history.

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