A história dos rebaixamentos do campeonato brasileiro de futebol: de 1971 a 2017

O texto em questão se propõe a contar a história do rebaixamento no campeonato brasileiro de futebol. Ele foi organizado de forma cronológica, passando por todos os campeonatos desde 1971.

As informações utilizadas estão devidamente respaldadas pelas tabelas dos campeonatos.

 

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Campeonato Brasileiro e o Rebaixamento

As origens do campeonato brasileiro podem ser traçadas de diversas formas. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi a competição nacional que lançou as bases do campeonato como o conhecemos. Foram realizadas quatro edições (1967, 1968, 1969 e 1970) com a participação de clubes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco. Durante seus quatro anos de existência, o Torneio não teve uma segunda divisão.

 

O campeonato brasileiro começou a ser disputado em 1971. O rebaixamento somente foi introduzido em sua décima oitava edição, 1988, após uma tentativa frustrada de implementá-lo em 1986. Entre 1973 e 1979, não houve nem mesmo a segunda divisão.

 

De 1971 a 1986, os clubes se classificavam para a primeira e segunda divisão em conformidade com os critérios estabelecidos pela CBD/CBF, como a classificação nos estaduais ou o ranking histórico, por exemplo.

 

Cronologicamente, nós temos:

 

1971 e 1972 – Foram dois anos com segunda divisão, mas sem acesso à primeira e sem rebaixamento para a segunda;

De 1973 a 1979 – Sete anos sem segunda divisão;

De 1980 a 1985 – Seis anos com segunda divisão com acesso à primeira, mas sem rebaixamento da primeira para a segunda divisão. Esse período foi extremamente curioso. De 1980 a 1984, equipes eram promovidas à primeira divisão no meio da disputa dos dois campeonatos. O Palmeiras, em 1981 e 1982, e o Corinthians, em 1982, foram os primeiros clubes da elite nacional a participarem da segunda divisão. O Palmeiras subiu no decorrer do campeonato em 1981, mas não conseguiu repetir o feito em 1982. O Corinthians subiu no decorrer do campeonato de 1982, chegando às semifinais da primeira divisão quando foi derrotado pelo Grêmio;

1986 – A CBF organizou o campeonato com a segunda divisão dentro da primeira (sim, isso mesmo). Seu objetivo era definir os clubes da primeira e da segunda divisão a partir de 1987, estabelecendo o acesso da segunda à primeira e, finalmente, o rebaixamento da primeira para a segunda. Como o campeonato terminou em confusão, que se extendeu pelo ano de 1987, a CBF somente conseguiu implementar seus objetivos em 1988;

De 1988 a 2002 – Com exceção de 1992, cujo regulamento não previa rebaixamento, todos os campeonatos tiveram rebaixamento e acesso. Esse período é marcado pelos anos de 1991 (rebaixamento do Grêmio e a operação de resgate promovida pela CBF em 1992), 1996 (Caso Ivens Mendes que levou a anulação do rebaixamento desse ano) e 1999 (Caso Sandro Hiroshi que levou a criação da Copa João Havelange de 2000);

De 2003 a 2012 – Em 2003, a CBF implementou o campeonato por pontos corridos.  Essa fórmula levou a racionalização da disputa. Durante 10 anos, o rebaixamento e acesso transcorreram normalmente;

2013Caso Héverton. Desde 2003, a única confusão referente ao rebaixamento. Um detalhe interessante é que essa confusão ficou restrita aos clubes, cabendo à CBF a aplicação do regulamento. O acesso da segunda à primeira divisão transcorreu normalmente;

De 2014 a 2017 – Retorno à normalidade que caracterizou o período de 2003 a 2012.

 

 

1971 e 1972: com segunda divisão, mas sem acesso e rebaixamento

Em 1971, o Villa Nova-MG foi campeão após vencer o Remo na final. Em 1972, o Sampaio Corrêa venceu o campeonato após derrotar o Campinense na decisão. Contudo, nesses dois anos os vencedores da segunda divisão não foram promovidos à primeira e nem houve rebaixamento da primeira divisão para a segunda. O Villa Nova-MG não participou do campeonato da primeira divisão de 1972, da mesma forma que o Sampaio Correa e a Campinense não participaram do campeonato de 1973. O Remo, vice-campeão da segunda divisão de 1971, participou do campeonato de 1972, mas pelos critérios de classificação da CBD.

 

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De 1973 a 1979: os anos sem segunda divisão

Os campeonatos de 1973 a 1979 foram marcados pela aumento constante de participantes: 40 clubes em 1973 e 1974; 42 em 1975; 54 em 1976; 62 em 1977; 74 em 1978 e, finalmente, os assombrosos 94 clubes de 1979.

 

A década de 1970 realmente foi curiosa. Além de não ter havido rebaixamento, nenhum dos grandes clubes ficou de fora dos campeonatos da primeira divisão desse período. Isso se deve aos critérios de classificação. A única exceção foi o campeonato de 1979 com seus 94 participantes. Os principais clubes do Rio e de São Paulo começariam a jogar na segunda fase, mas Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa queriam jogar a partir da terceira fase. Como seus pedidos não foram aceitos pela CBF, eles simplesmente não participaram do campeonato, disputado de setembro a dezembro. Como as divisões eram formadas ano-a-ano, em 1980 eles estavam na primeira divisão. Isso é impensável nos dias de hoje.

 

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De 1980 a 1985: o retorno dos campeonatos da segunda divisão; com acesso, mas sem rebaixamento

Nesse período, os clubes da segunda divisão tinham duas formas de subir para a primeira divisão: vencendo a segunda divisão ou no decorrer dos dois campeonatos.

 

As equipes que subiram no decorrer dos campeonatos

Em 1980, 1981, 1982, 1983 e 1984, equipes da segunda divisão foram promovidas para a primeira no decorrer dos dois campeonatos:

 

1980, Americano, Bangu, Sport e América-SP;

1981, Bahia, Náutico, Palmeiras e Uberaba;

1982, América-RJ, Corinthians, São Paulo-RS e Atlético-PR;

1983, Guarani, Uberaba, Botafogo-SP e Americano;

1984, Uberlândia;

 

O Palmeiras disputou o campeonato da segunda divisão em 1981 devido a péssima campanha no campeonato paulista de 1980, quando terminou na décima sexta colocação entre 20 clubes, não conseguindo uma das seis vagas destinadas aos clubes paulistas para a primeira divisão de 1981. Em 1982, foi a vez do Corinthians e, novamente, do Palmeiras disputarem a segunda divisão por não terem conseguido uma das 6 vagas disputadas através do campeonato paulista de 1981. O Corinthians terminou na oitava posição e o Palmeiras na décima, num campeonato disputado por 20 clubes. Junto com eles, a Portuguesa terminou na nona colocação. Nesse ano, enquanto o Corinthians conseguiu se classificar para a primeira divisão no decorrer do campeonato, o Palmeiras foi eliminado na primeira fase.

 

Os campeões e vices da segunda divisão deveriam subir para a primeira divisão, mas nem sempre foi assim

A CBF organizou os campeonatos de 1981, 1982, 1983 e 1984 de forma a que eles sempre tivessem duas vagas para o campeão e vice da segunda divisão do ano anterior, mas nem sempre isso aconteceu. Antes de analisarmos essa questão, vamos relacionar os campeões e vices da segunda divisão do brasileiro de 1980 a 1985:

 

1980, Londrina e CSA;

1981, Guarani e Anapolina;

1982, Campo Grande e CSA;

1983, Juventus e CSA;

1984, Uberlândia e Remo;

1985, Tuna Luso e Goytacaz.

 

A questão é: eles efetivamente disputaram a primeira divisão do ano seguinte como campeão e vice da segunda divisão do ano anterior? Nem sempre:

 

Em 1981, Londrina e CSA participaram da primeira divisão como campeão e vice da segunda divisão de 1980;

Em 1982, o Guarani participou como campeão da segunda divisão de 1981 e o Anapolina por sua colocação no campeonato estadual goiano;

Em 1983, o Campo Grande participou como campeão da segunda divisão de 1982 e o CSA por sua colocação no campeonato alagoano;

Em 1984, Juventus e CSA, campeão e vice de 1983, não participaram do campeonato da primeira divisão;

Em 1985, Uberlância e Remo participaram da primeira divisão como campeão e vice da segunda divisão de 1984;

Em 1986, a Tuna Luso participou do Torneio Principal como campeão da segunda divisão de 1985. O Goytacaz, vice-campeão da segunda divisão de 1985, participou do Torneio Paralelo.

 

Depois de Palmeiras (1981 e 1982) e Corinthians (1982) terem participado da segunda divisão, a CBF mudou de postura em 1983 ao custo das vagas dos vencedores da segunda divisão. Vamos aos motivos:

 

1983 – A vaga do CSA, vice-campeão brasileiro da segunda divisão de 1982, foi para o Santos

Em 1983, o CSA, vice-campeão da segunda divisão de 1982, participou da primeira divisão por ter sido o campeão do estadual de 1982. Alagoas tinha apenas uma única vaga. A vaga de vice-campeão da segunda divisão de 1982 foi direcionada para o Santos, que se classificou pelo ranking histórico. O Santos havia terminando o campeonato paulista de 1982 na 9ª colocação, não conquistando uma das 6 vagas destinadas a São Paulo. Com sua classificação pelo ranking histórico, o Santos participou da primeira divisão de 1983 e chegou às finais onde foi derrotado pelo Flamengo.

 

1984 – As vagas do Juventus e do CSA, campeão e vice da segunda divisão de 1983, foram para Vasco e o Grêmio

Se pelo menos o CSA disputou o campeonato de 1983 como campeão alagoano, o mesmo não se pode dizer de Juventus e do próprio CSA, campeão e vice da segunda divisão de 1983, que ficaram de fora da primeira divisão de 1984. Suas vagas foram utilizadas para a classificação de Vasco e Grêmio pelo ranking histórico.

 

Vasco e Grêmio não haviam se classificado para a primeira divisão de 1984. O Vasco terminou na sétima colocação do estadual de 1983 e não conseguiu uma das 5 vagas do Rio. O Grêmio terminou na terceira colocação do estadual do mesmo ano e não conseguiu uma das 2 vagas do Rio Grande do Sul. Uma observação: o Grêmio ficaria de fora da primeira divisão no ano seguinte a conquista da Libertadores e do Mundial.

 

O Grêmio chegou às quartas-de-final do campeonato brasileiro de 1984. O Vasco chegou até a final, onde foi derrotado pelo Fluminense, que se sagrou campeão.

 

Cabe ressaltar que Juventus e CSA não disputaram nem mesmo a segunda divisão de 1984.

 

Nesses 6 anos, não houve rebaixamento, mas…

Apesar de não ter havido rebaixamento nesses 6 anos, em 1982, os 12 clubes eliminados na primeira fase da primeira divisão participaram da fase final (Oitavas-de-Final) da segunda divisão. De forma alguma isso foi um rebaixamento, mas não deixa de ser curiosa essa participação de clubes da primeira na segunda divisão do mesmo ano.

 

Na final da segunda divisão de 1982, o Campo Grande do Rio de Janeiro, que havia começado o campeonato na própria segunda divisão, derrotou o CSA, que tinha vindo da primeira divisão para disputar a fase final da segunda.

 

Depois de dois anos seguidos de encrencas, a CBF muda o critério de classificação para o campeonato de 1985

Depois dos casos de Santos, Vasco e Grêmio, a CBF criou 20 vagas para o campeonato brasileiro de 1985 tendo como base o ranking histórico. Isso seria uma forma de resguardar a participação dos principais clubes do país, mitigando a possibilidade de gambiarras para viabilizar suas participações.

 

Esse campeonato foi disputado por 44 clubes, sendo que 20 foram classificados pelo ranking histórico, duas vagas foram destinadas ao campeão e vice da segunda divisão de 1984, e 22 vagas foram preenchidas tendo como base as classificações nos campeonatos estaduais.

 

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1986: o campeonato que marcaria um novo rumo, mas que levou a uma grande confusão

Depois de 6 anos com o campeonato da segunda divisão com acesso, mas sem rebaixamento, a CBF organizou um único campeonato, dividido em Torneio Principal, que seria a primeira divisão com 44 clubes, e o Torneio Paralelo, com outros 36 clubes formando uma espécie de segunda divisão dentro da primeira divisão.

 

A CBF tinha um objetivo claro com esse campeonato: definir os clubes da primeira e da segunda divisão de 1987, com critérios bem definidos de acesso e rebaixamento. Com as divisões fechadas, não haveria mais as classificações por critérios estabelecidos ano-a-ano e o rebaixamento finalmente seria implementado.

 

Uma informação importante: inicialmente, a primeira divisão de 1987 teria 27 clubes, mas depois de uma confusão que acabou por comprometer o campeonato de 1986, ela teria 28.

 

A fórmula de disputa do confuso campeonato brasileiro de 1986

Os 44 clubes do Torneio Principal seriam organizados em quatro grupos com 11 clubes cada. Ao final, 32 clubes se classificariam para a segunda fase e 12 seriam automaticamente rebaixados para a segunda divisão. Os 36 clubes do Torneio Paralelo seriam organizados em quatro grupos com 9 clubes cada, onde apenas um se classificaria para a segunda fase e os demais 8 clubes seriam rebaixados para a segunda divisão.

 

Na segunda fase, os 36 clubes classificados seriam organizados em 4 grupos com nove clubes. Ao término da segunda fase, 16 clubes estariam classificados para as quartas-de-finais e os dois últimos colocados de cada grupo estariam rebaixados para a segunda divisão de 1987.

 

Reforçando: o campeonato de 1986 teria clubes rebaixados na primeira e na segunda fase.

 

A confusão envolvendo Vasco e Joinville, com a Portuguesa quase pagando o pato

Terminada a primeira fase, o Vasco havia garantido a última vaga para a segunda fase do campeonato. O problema é que o Joinville ganhou os dois pontos da partida contra o Sergipe em decorrência de um doping de um dos jogadores do time sergipano (1×1, 28/09/1986). Com esses pontos, o Joinville ficaria com a vaga do Vasco, que seria rebaixado para a segunda divisão. Para não deixar o Vasco nessa situação, a CBF tomou uma decisão absurda, mas conveniente: eliminou a Portuguesa do campeonato pois o clube paulista havia acionado a Justiça Comum para tratar de um problema envolvendo a venda de ingressos. Isso só fez o problema piorar. Diante dessa situação, os clubes paulistas partiram em socorro da Portuguesa: se o clube fosse eliminado, os paulistas abandonariam o campeonato. A CBF acabou aumentando a quantidade de classificados do Torneio Principal para a segunda fase de 28 para 32. Uma das quatro vagas foi destinada à solução desse problema. As demais, para composição da segunda fase, foram ocupadas por Náutico, Santa Cruz e Sobradinho-DF, clubes que haviam sido rebaixados na primeira fase.

 

Com isso, Joinville, Vasco e Portuguesa seguiram no campeonato e não se tocou mais no assunto.

 

Terminada a primeira fase, o Coritiba, campeão brasileiro de 1985, foi rebaixado para a segunda divisão. Terminada a segunda fase, o Botafogo seguia o mesmo caminho

Dentre os 52 rebaixados, esse campeonato teve dois casos emblemáticos: já na primeira fase, o Coritiba, campeão brasileiro de 1985, não se classificou para a segunda fase e foi rebaixado para a segunda divisão de 1987. Na segunda fase, o Botafogo ficou na penúltima colocação do Grupo I, e também foi rebaixado.

 

O Botafogo recorreu ao STJD e conseguiu garantir sua vaga na primeira divisão de 1987. Sua alegação era de que não era correto ele ter sido rebaixado na segunda fase, enquanto clubes que haviam sido rebaixados na primeira fase (Náutico, Santa Cruz Sobradinho e Joinville/Vasco), acabaram seguindo no campeonato e se classificando para a primeira divisão de 1987. Desses clubes, apenas o Sobradinho havia sido rebaixado junto com o Botafogo na segunda fase.

 

O Coritiba recorreu à Justiça Comum e também garantiu a sua vaga. Não consegui apurar o argumento que o clube paranaense utilizou para reverter seu rebaixamento, mas considerando que o Coritiba havia sido o último colocado do Grupo A na primeira fase, só se pode concluir que seus advogados eram muito bons.

 

Outros clubes como Vitória e Sport-PE, rebaixados na segunda fase assim como o Botafogo, seguiram o mesmo caminho judicial para garantir suas vagas. Percebendo que estava perdendo o controle da situação, a CBF desistiu de organizar o campeonato brasileiro de 1987 sob a tosca alegação de que não tinha recursos para realizá-lo. Estavam lançadas as bases de uma das maiores confusões da história do futebol brasileiro: o campeonato brasileiro de 1987 com seus Módulos Verde e Amarelo.

 

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1987: uma tragédia anunciada antes mesmo da bola rolar

O campeonato brasileiro de 1987 foi uma tragédia. O Clube dos 13 organizou a Copa União com 16 clubes, incluindo Botafogo e Coritiba, rebaixados para a segunda divisão, deixando de fora 14 clubes classificados em 1986 para a primeira divisão de 1987.

 

Desses 14 clubes, 13 deram origem ao Módulo Amarelo organizado pela CBF: Guarani, vice-campeão brasileiro de 1986; Joinville, Portuguesa e Criciúma, times que chegaram às quartas-de-finais; Bangu, Atlético-PR, Internacional-SP, Treze, Rio Branco-ES, Atlético-GO, Ceará, Náutico e CSA. O America-RJ, semi-finalista do campeonato de 1986, foi o único dos 14 clubes que se negou a disputar o Módulo Amarelo. Os outros dois clubes foram Sport-PE e Vitória, que haviam sido rebaixados no ano anterior.

 

Ao contrário do que se diz, inclusive por muitos jornalistas dito “renomados” do meio esportivo, o Módulo Amarelo poderia ser tudo, menos uma segunda divisão. Outro ponto interessante do campeonato de 1987 é que o seu problema não foi o quadrangular-final que envolveria o campeão e vice do Módulo Verde e Amarelo, e sim a forma como ele foi organizado pelo Clube dos 13, deixando de fora da Copa União 14 clubes classificados para a primeira divisão de 1987, que mais tarde passou a ser o Módulo Verde. Se o Clube dos 13 tivesse organizado o campeonato com todos os 28 clubes que haviam se classificado, nenhum problema teria acontecido. Esse campeonato estava condenado antes mesmo da bola rolar.

 

Vale lembrar que não houve rebaixamento em 1987 pois não havia nem mesmo condições para isso.

 

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O jornalista Juca Kfouri é um típico exemplo de como se gasta tanta energia na cansativa e inconclusiva discussão do quadrangular final entre os vencedores do Módulo Verde e Amarelo, sem analisar a causa de todos os problemas: a Copa União de 1987 com 16 participantes quando o correto seria 28.

 

 

De 1988 a 2003

1988: o que a CBF não conseguiu fazer em 1987, fez em 1988

Terminando o campeonato de 1987, a CBF organizou a primeira e segunda divisão de 1988 com 24 clubes em cada. Aproveitando-se do vácuo criado no ano anterior, a CBF definiu os participantes da primeira e segunda divisão de 1988 ao seu gosto.

 

A primeira divisão foi organizada com os 16 clubes do Módulo Verde de 1987 mais Portuguesa, Sport-PE, Vitória, Atlético-PR, Bangu, Guarani, Criciúma e América-RJ.

 

Nove clubes que haviam se classificado em 1986 para a primeira divisão de 1987, e que disputaram o Módulo Amarelo, foram parar na segunda divisão de 1988: Joinville, Internacional-SP, Treze, Rio Branco-ES, Atlético-GO, Ceará, Náutico e Joinville. O CSA não disputou a segunda divisão, sendo substituído pelo América-MG.

 

Depois de 17 edições do campeonato brasileiro, o rebaixamento foi finalmente implementado: Bangu, Santa Cruz, Criciúma e America-RJ foram os primeiros clubes a serem rebaixados. Bangu, vice-campeão de 1985, e America-RJ, semi-finalista de 1986, nunca mais retornaram à primeira divisão do campeonato brasileiro.

 

Internacional-SP e Náutico, campeão e vice da segunda divisão de 1988, foram promovidos à primeira divisão de 1989.

 

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1989 e 1990

O campeonato de 1989 foi disputado por 22 clubes divididos em dois grupos com 11 clubes. Terminada a primeira fase, 16 clubes estariam classificados para a segunda fase. Os outros 6 clubes disputariam um torneio que definiria os quatro clubes rebaixados. Como o Coritiba foi eliminado ainda na primeira fase, e consequentemente rebaixado, esse torneio foi disputado por apenas 5 clubes. Vitória e Bahia permaneceram na primeira divisão. Atlético-PR, Guarani e Sport-PE foram rebaixados para a segunda divisão de 1990. O Sport-PE era rebaixado dois anos depois de 1987.

 

O campeonato de 1990 foi disputado por 20 clubes. Ele terminou com o rebaixamento do São José (SP) e do Internacional de Limeira (SP).

 

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1991. Depois da implementação do rebaixamento em 1988, o primeiro grande problema: Grêmio rebaixado

O campeonato de 1991 foi disputado por 20 clubes. Terminada a fase classificatória, Grêmio e Vitória, penúltimo e último colocados, estavam rebaixados para a segunda divisão de 1992. Apesar das bravatas gremistas, o clube de fato disputou a segunda divisão de 1992. Contudo, para facilitar o retorno do Grêmio à primeira divisão, a CBF organizou uma verdadeira operação de resgate, promovendo o acesso de 12 clubes de uma só tacada para a primeira divisão de 1993. Se não fosse essa operação, o Grêmio não teria retornado à primeira divisão em 1992.

 

A segunda divisão de 1992 e a operação de resgate do Grêmio

O campeonato da segunda divisão de 1992 foi disputado por 32 clubes. Na primeira fase, os clubes foram organizados em quatro grupos com oito clubes, onde três, além de se classificarem para a segunda fase, estariam automaticamente classificados para a primeira divisão de 1993. O Grêmio se classificou na terceira colocação do Grupo IV, atrás de América-MG e Paraná. Na segunda fase, os 12 clubes foram organizados em três grupos com quatro clubes. O Grêmio, que jogou pelo Grupo 3, não se classificou para a terceira fase. O campeonato foi conquistado pelo Paraná, que derrotou o Vitória na final.

 

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1992

O campeonato de 1992 não teve rebaixamento.

 

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1993: depois do acesso de 12 clubes em 1992, 8 clubes foram rebaixados em 1993

De 1988 a 1992, a CBF organizou os campeonatos da primeira divisão com uma quantidade de clubes praticamente estável: 24 clubes em 1988; 22 em 1989 e 20 em 1990, 1991 e 1992. O problema é que depois da operação de resgate do Grêmio, o campeonato de 1993 seria disputado por 32 clubes, fugindo ao padrão que havia sido estabelecido pela CBF. Para ajustar a quantidade de clubes, a CBF organizou a primeira fase do campeonato com 4 grupos de 8 clubes. Os 16 principais clubes foram postos nos grupos A e B. Os demais 16 clubes foram organizados nos grupos C e D.

 

Nos grupos A e B, os três primeiros colocados de cada grupo se classificariam para a segunda fase. Os outros 10 clubes seriam apenas eliminados, não correndo qualquer risco de rebaixamento. O Grêmio foi posto pela CBF no grupo B, onde terminou na quarta colocação.

 

Nos Grupos C e D, os dois primeiros colocados se classificariam para a segunda fase. Os clubes que terminassem na terceira e quarta colocação permaneceriam na primeira divisão. Os últimos quatro colocados dos Grupos C e D seriam rebaixados para a segunda divisão. Assim, a CBF teria os 8 rebaixados e ajustaria a quantidade de clubes da primeira divisão depois da operação de resgate do Grêmio em 1992.

 

O clubes rebaixados de 1993 foram Ceará, Santa Cruz, Goiás, Fortaleza, América-MG, Coritiba, Atlético-PR e Desportiva.

 

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1994 e 1995

O campeonato de 1994 foi disputado por 24 clubes. Na primeira fase foram organizados quatro grupos com seis clubes. Os quatro primeiros se classificariam para a segunda fase. Os dois últimos colocados de cada grupo fariam uma repescagem de oito clubes que definiria os últimos dois classificados para às quartas-de-finais, Bragantino e Atlético-MG, e os dois rebaixados do campeonato, Remo e Náutico.

 

O campeonato de 1995 foi disputado novamente por 24 clubes e terminou com o rebaixamento de Paysandu e União São João (SP).

 

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1996: o Fluminense foi rebaixado junto com o Bragantino; em Mai/1997, explode o esquema de corrupção de arbitragens envolvendo Corinthians e Atlético-PR

O campeonato de 1996 foi disputado por 24 clubes. A fase classificatória terminou no dia 24/11/1996 com o rebaixamento de Fluminense e Bragantino para a segunda divisão de 1997. Tudo caminhava para que os dois rebaixados de fato disputassem a segunda divisão de 1997, quando em Mai/1997 estourou o Caso Ivens Mendes.

 

A TV Globo veiculou gravações telefônicas onde o falecido Ivens Mendes, presidente da Comissão de Nacional de Arbitragem de Futebol, e os Presidentes do Corinthians, Alberto Dualib, e do Atlético-PR, Mario Petraglia, tratavam de pagamentos para manipulação de resultados do campeonato.

 

Numa dessas conversas, Dualib disse uma expressão que acabou sendo o símbolo desse escândalo: “1-0-0”. Se a CBF fosse de fato apurar esse escândalo, Corinthians e Atlético-PR teriam que sofrer fortes punições, entre elas o provável rebaixamento para a segunda divisão. Contudo, como não havia interesse em se investigar o caso, ele terminou sem qualquer esclarecimento, preservando assim Corinthians e Atlético-PR.

 

Para administrar a situação, e evitar qualquer reação por parte de Fluminense e Bragantino, os rebaixamentos de 1996 da primeira e da segunda divisão foram cancelados faltando pouco meses para o início do campeonato (Jul/1997).

 

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1997: lá vai o Fluminense novamente, junto com Bahia, Criciúma e União São João de Araras

O campeonato de 1997 acabou sendo disputado por 26 clubes, os mesmos do campeonato de 1996, mais União São João (SP) e América-RN, campeão e vice da segunda divisão de 1996.

 

Para voltar a organizar o campeonato com 24 clubes, 4 clubes seriam rebaixados para a segunda divisão de 1998. Terminada a primeira fase, o Fluminense, penúltimo colocado, foi rebaixado pelo segundo ano junto com Bahia, Criciúma e União São João de Araras.

 

O Bragantino se salvou pelo critério de desempate, terminando na 22ª colocação, com a mesma pontuação do Bahia. Com relação aos dois clubes envolvidos no Caso Ivens Mendes, o Corinthians terminou na 18ª colocação, apenas três pontos acima do Bragantino. O Atlético-PR terminou na 11ª colocação, com 33 pontos.

 

Mesmo sem o esclarecimento do esquema de corrupção de arbitragens, o Atlético-PR foi punido com a perda de 5 pontos (isso já dá uma dimensão do tamanho do esquema…). Mas até mesmo a perda de pontos foi curiosa e, diga-se de passagem, ridícula. Os pontos seriam retirados ao final do campeonato sem que a posição da tabela fosse alterada. É por isso que o Atlético-PR terminou na décima-primeira colocação com 28 pontos, enquanto o Sport-PE terminou na décima-segunda colocação com 33 pontos. Ou seja, o Atlético-PR sofreu uma punição que na verdade não punia nada, enquanto o Corinthians não sofreu punição alguma.

 

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Fluminense e uma marca para não se invejar: os rebaixamentos de 1996, 1997 e 1998

Depois de ser rebaixado em 1996, o Fluminense foi novamente rebaixado em 1997. Para piorar, o clube fez uma campanha catastrófica na segunda divisão de 1998 e foi novamente rebaixado, dessa vez para a terceira divisão. O Fluminense foi o primeiro campeão da primeira divisão a disputar a terceira divisão do campeonato brasileiro. Esse “feito” somente foi igualado pelo Bahia, que disputou a terceira divisão em 2006 e 2007, e Guarani em 2007, 2008, 2013, 2014, 2015 e 2016.

 

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Álvaro Barcellos, Presidente do Fluminense em 1997 e 1998, fazendo o impensável: celebrando a anulação do rebaixamento de 1996 com a abertura de uma champagne. Em toda a história do campeonato brasileiro, nenhum dirigente de clube, que se envolveu em problemas com o rebaixamento, passou do campo das bravatas para uma atitude tão estúpida.

 

1998

O campeonato de 1998 foi disputado por 24 clubes e terminou com o rebaixamento de América-MG, Goiás, Bragantino e América-RN.

 

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1999: Caso Sandro Hiroshi, Gama, Botafogo, Internacional-RS e São Paulo

O campeonato de 1999 foi disputado por 22 clubes. Terminada a fase classificatória, quatro clubes seriam rebaixados para a segunda divisão. Esse campeonato trouxe uma inovação que somente foi aplicada uma única vez: os quatro clubes rebaixados seriam definidos com base na média da pontuação dos campeonatos de 1998 e 1999. Teoricamente, uma boa colocação no campeonato do ano anterior poderia evitar o rebaixamento no campeonato de 1999.

 

Desde o início do campeonato, Botafogo e Internacional-RS fizeram campanhas sofríveis e caminhavam a passos largos para a segunda divisão, mas havia o “Caso Sandro Hiroshi” no caminho.

 

O Caso Sandro Hiroshi

Sandro Hiroshi era um atacante de São Paulo que participou de 16 dos 21 jogos da fase classificatória. Seu passe estava bloqueado pela CBF pois havia uma divergência entre o Tocantinópolis-TO e o Rio Branco-SP envolvendo valores referentes a negociação para o São Paulo. O bloqueio significava apenas que o São Paulo não poderia negociá-lo até que a divergência fosse sanada. Assim, ele poderia atuar normalmente.

 

Sabendo do bloqueio, o Botafogo, derrotado pelo São Paulo por 6×1 na terceira rodada do campeonato, 04/08/1999, foi o primeiro clube a ingressar no STJD solicitando a anulação da partida e seus três pontos. Ele foi seguido por Atlético-MG, Guarani, Coritiba, Vasco e, finalmente, Internacional-RS.

 

Atacado de todos os lados, o São Paulo começou a se preocupar. Se todos os pedidos fossem considerados procedentes, além de não se classificar para a fase final, ele seria rebaixado.

 

Em Out/1999, antes do final do campeonato, o pedido do Botafogo foi considerado procedente. O São Paulo entrou com um recurso, mas a decisão foi mantida. A preocupação se transformou em desespero. Apoiado pelos demais clubes paulistas, que ameaçaram abandonar o campeonato, o São Paulo ameaçou ingressar na Justiça Comum. Para não prejudicar o campeonato, Atlético-MG, Guarani, Coritiba e Vasco retiraram seus processos. O Internacional sinalizou que retiraria o seu, mas não cumpriu sua promessa. Seu processo foi considerado procedente e o clube recebeu os três pontos do empate em 2×2 pela décima-sexta rodada no dia 10/10/1999.

 

O São Paulo perdeu quatro pontos que não prejudicaram sua classificação para a fase final. Com a retirada de 4 dos 6 processos, o clube paulista não correu risco de ser rebaixado. Se todos os processos fossem considerados procedentes, o São Paulo terminaria com 19 pontos, e com a média de 1,039, o que faria o clube ser rebaixado.

 

Os três pontos dados ao Botafogo foram fundamentais para sua permanência na primeira divisão. Os pontos dados ao Internacional-RS não influenciaram na sua permanência, mas como era impossível prever se o clube conseguiria no campo os pontos que precisava, o clube lutou e obteve os três que poderiam tê-lo ajudado. Ressalto que os processos foram ingressados e julgados na reta final do campeonato, e não após o seu fim.

 

Contudo, para que o Botafogo se mantivesse na primeira divisão, alguém teria que ser rebaixado. Esse alguém foi o Gama.

 

As manchetes do caderno “Esportes” do jornal Estado de São Paulo dão uma dimensão da movimentação na reta final do campeonato de 1999:

 

04/11/1999, “TJD mantêm a perda de pontos do São Paulo”;

05/11/1999, “Paulistas decidem hoje se param o Brasileiro”;

06/11/1999, “São Paulo vai à Justiça com o apoio dos paulistas”;

09/11/1999, “São Paulo espera rodada decisiva antes de ir à Justiça”;

10/11/1999, “Rodada decisiva do Brasileiro pode não valer nada”;

11/11/1999, “TJD vai pedir relação de bloqueados à CBF”;

12/11/1999, “São Paulo cobra na Justiça pontos perdidos no TJD”;

13/11/1999, “São Paulo recua e aceita idéia de enfrentar a Ponte”;

14/11/1999, “Oito times retomam a luta rumo ao título”.

 

 

O Gama

Terminado o campeonato, o Gama, décimo-quinto colocado entre vinte e dois clubes, estava rebaixado para a segunda divisão de 2000. Assim, o clube partiu para uma luta obstinada pela sua permanência na primeira divisão. Ainda em Nov/1999, o Partido da Frente Liberal do Distrito Federal e o Sindicato dos Técnicos do DF, conseguiram uma liminar na Justiça Comum que garantia a permanência do clube na primeira divisão. O Botafogo e a CBF tentaram cassar a liminar, sem sucesso. Enfrentando um adversário obstinado e irredutível, em Mai/2000, o Clube dos 13 anunciou que o campeonato brasileiro daquele ano seria organizado pelos clubes, e não pela CBF. Detalhe: sem a participação do Gama. O clube conseguiu uma nova liminar que garantia a sua participação no campeonato, que viria a se chamar Copa João Havelange. O Clube dos 13 e a CBF tentaram cassar a liminar, novamente sem sucesso. A situação estava completamente fora de controle. A FIFA já havia enviado um representante ao Brasil e solicitado à CBF sua rápida solução, caso contrário ela seria suspensa.

 

No dia 29/07/2000, o Gama estreou na Copa João Havelange, o campeonato brasileiro de 2000, vencendo o América-MG por 1×0.

 

“O que não se pode é fazer de conta que o Gama é o santo guerreiro em busca de justiça. Justiça, no futebol, se faz no campo. Onde o Gama perdeu.” – Paulo Vinícius Coelho, Revista Placar, nº 1165, Jul/2000, Página 69. O Gama lutou contra tudo e todos, inclusive contra a imprensa esportiva.

 

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2000: a Copa João Havelange

Depois da confusão do Brasileiro de 1999, a CBF desistiu de organizar o Brasileiro de 2000 e entregou essa responsabilidade aos clubes, nascendo assim a Copa João Havelange. Disputada por 114 clubes, sendo 25 no Módulo Azul,  o módulo principal; 36 no Módulo Amarelo; 27 no Módulo Verde e 26 no Módulo Branco, a Copa João Havelange não teve rebaixamento. Sorte do Corinthians, que depois de conquistar os campeonatos de 1998 e 1999, montou um time sofrível e terminou na penúltima colocação do Módulo Azul (24º colocado entre 25 clubes).

 

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2001

Com o vácuo da Copa João Havelange, a CBF organizou o campeonato de 2001 da mesma forma que organizou o campeonato de 1988: ao seu gosto. A primeira divisão de 2001 foi organizada com 28 clubes: os 22 clubes que haviam disputado o campeonato de 1999, incluindo o Gama, mais Fluminense, Bahia, Goiás, Santa Cruz, Paraná e São Caetano.

 

O campeonato terminou com o rebaixamento de quatro clubes: Santa Cruz, América-MG, Botafogo-SP e Sport-PE.

 

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2002: depois de 1999, Botafogo e Gama vão juntos para a segunda divisão em companhia de Palmeiras e Portuguesa

O campeonato de 2002 foi o último organizado com um sistema híbrido: fase classificatória em pontos corridos e fase final no formato mata-mata. Em 2003 foi implementado o campeonato por pontos corridos, sistema que perdura até hoje.

 

O campeonato de 2002 foi disputado por 26 clubes, onde quatro seriam rebaixados para a segunda divisão. Terminada a fase classificatória, Portuguesa, Palmeiras, Gama e Botafogo estavam rebaixados.

 

Não houve qualquer tentativa de se alterar o rebaixamento desse ano pois a confusão do campeonato de 1999, que envolveu Botafogo e Gama, e levou a criação da Copa João Havelange, era muito recente.

 

O Palmeiras e Botafogo retornaram à primeira divisão no ano seguinte, em 2003, como campeão e vice da segunda divisão. A Portuguesa regressou cinco anos depois, em 2008. O Gama nunca mais regressou à primeira divisão do campeonato brasileiro.

 

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De 2003 a 2012: 10 anos de tranquilidade com os rebaixamentos

Com a implementação do sistema por pontos corridos, o campeonato conheceu um período de tranquilidade em seus rebaixamentos. As edições de 2003 (24 clubes), 2004 (24) e 2005 (22) foram utilizadas para a redução da quantidade de clubes até se chegar ao número que a CBF considera ideal: 20 clubes.

 

Durante esses 10 anos,  os clubes rebaixados para a segunda divisão foram:

 

2003 – Fortaleza e Bahia;

2004 – Criciúma, Guarani, Vitória e Grêmio;

2005 – Coritiba, Atlético-MG, Paysandu e Brasiliense;

2006 – Ponte Preta, Fortaleza, São Caetano e Santa Cruz;

2007 – Corinthians, Juventude, Paraná e América-RN;

2008 – Figueirense, Vasco, Portuguesa e Ipatinga;

2009 – Coritiba, Santo André, Náutico e Sport-PE;

2010 – Vitória, Guarani, Goiás e Grêmio Prudente;

2011 – Atlético-PR, Ceará, América-MG e Avaí;

2012 – Sport-PE, Palmeiras, Atlético-GO e Figueirense.

 

Esse período de tranquilidade somente foi quebrado em 2013 com o Caso Héverton.

 

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2013: o Caso Héverton, Portuguesa, Flamengo e Fluminense

Tudo indicava que o campeonato de 2013 terminaria de forma tranquila. O Cruzeiro chegou a última rodada com o título conquistado. Na parte de baixo da tabela, Ponte Preta e Náutico já estavam rebaixados. Faltava definir os outros dois clubes que se juntariam a eles. Tentando escapar do rebaixamento estavam Criciúma (46 pontos), Coritiba (45), Vasco (44) e Fluminense (43), campeão do ano anterior.

 

Flamengo (49 pontos) e Portuguesa (48) não corriam qualquer risco de rebaixamento.

 

07/12/2013

A trigésima oitava rodada começou a ser disputada no dia 07/12/2013 com os jogos Flamengo x Cruzeiro (1×1) e Náutico x Corinthians (1×0). O problema é que o Flamengo escalou um jogador que estava suspenso: André Santos.

Em conformidade com o regulamento do campeonato, esse tipo de irregularidade seria punida com a perda de três pontos e dos pontos conquistados na partida em que ocorreu a infração. Ou seja, se o Flamengo fosse punido, ele perderia 4 pontos, o que faria com que o clube terminasse com 45 pontos, e correndo seríssimo risco de rebaixamento. O clube somente não seria rebaixado se dois clubes entre Vasco, Fluminense e Coritiba não vencessem seus jogos.

 

08/12/2013

Iniciados os últimos jogos do dia 08/12/2013, o Vasco já começou a partida contra o Atlético-PR perdendo com um gol de Paulo Baier aos 4 minutos. O Vasco chegou a empatar no final do primeiro tempo, mas o Atlético marcou seu segundo gol logo em seguida, e outros três no decorrer do segundo tempo. Com a derrota por 5×1, o Vasco era o terceiro clube a ser rebaixado.

 

O Fluminense estava empatando com o Bahia quando tomou um gol no final do primeiro tempo. Mantido esse resultado, ele seria o quarto rebaixado. O problema é que aos 10 minutos do segundo tempo, o clube empatou a partida. Ao contrário do jogo do Vasco, que já estava decidido, o jogo do Fluminense seguia indefinido.

 

O Coritiba estava vencendo o São Paulo por 1×0 com um gol marcado aos 27 minutos do primeiro tempo.

 

Enquanto isso, Portuguesa e Grêmio estavam empatando em 0x0 numa típica partida insossa de final de campeonato, resultado mantido até o final.

 

O Vasco já era passado. O Coritiba estava vencendo seu jogo. E se o Fluminense, que estava empatando, vencesse seu jogo?

 

Os horários

Há um detalhe por detrás desses números. Enquanto o segundo tempo do jogo da Portuguesa começou às 18:01, o segundo tempo do jogo do Fluminense começou às 18:12. Ou seja, quando a partida da Portuguesa terminasse, o jogo do Fluminense ainda estaria em andamento.

 

O gol de empate do Fluminense foi marcado às 18:22. Seu segundo gol foi marcado aos 37 minutos do segundo tempo, às 18:49. O problema é que depois do gol de empate do Fluminense, marcado às 18:22, o jogador Héverton da Portuguesa, que estava suspenso, entrou em campo aos 32 minutos do segundo tempo, às 18:33.

 

Vasco, Fluminense e Coritiba

Ao ser derrotado por 5×1 pelo Atlético-PR, o Vasco totalizou 44 pontos e era o terceiro clube rebaixado. Após vencer o Bahia por 2×1, o Fluminense totalizou 46 pontos e terminou empatado com o Criciúma, que havia perdido para o Botafogo por 3×0. O Fluminense seria rebaixado no critério de desempate pois tinha 12 vitórias contra 13 do Criciúma. Essa seria a primeira vez na história dos campeonatos por pontos corridos com 20 participantes que um clube seria rebaixado com 46 pontos. O Coritiba venceu o São Paulo por 1×0 e foi a 48 pontos.

 

Flamengo e Portuguesa

Se fosse confirmada a punição do Flamengo, o clube perderia 4 pontos e terminaria com 45 pontos, um ponto atrás do Fluminense. Dessa forma, por causa de um erro estúpido, o Flamengo, que havia ganho a Copa do Brasil no final de Nov/13,  seria o quarto clube rebaixado, permanecendo o Fluminense na primeira divisão.

 

O problema é que a Portuguesa cometeu no domingo o mesmo erro que o Flamengo havia cometido no sábado, e caso fosse punida, perderia 4 pontos e terminaria com 44 pontos, um ponto atrás do Flamengo. Confirmadas as punições, o Flamengo seria rebaixado no lugar do Fluminense. Com o erro da Portuguesa, a Lusa seria rebaixada no lugar do Flamengo.

 

As punições de fato ocorreram. Flamengo e Portuguesa perderam quatro pontos e terminaram com 45 e 44 pontos cada. O Flamengo ainda tentou alegar que a partida contra o Cruzeiro, apesar de ser oficial, era um amistoso pois os dois clubes não almejavam mais nada no campeonato. A Portuguesa, em desespero, tentou alegar que o clube não havia sido comunicado da suspensão de Héverton.

 

A Portuguesa foi a quarta rebaixada no campeonato de 2013.

 

Um preço alto demais para a Portuguesa e sua torcida

Depois de muitas bravatas, o Caso Héverton foi caindo no esquecimento. Nem mesmo o Ministério Público de São Paulo, depois de ter falado horrores, investigou o caso até o final. Provou-se que a Portuguesa sabia que Héverton não poderia ser escalado, mas não se apurou as responsabilidades por fazê-lo entrar em campo.

 

A Portuguesa, que havia regressado à primeira divisão em 2011, voltava à segunda divisão. Para piorar, o clube foi rebaixado para a terceira divisão em 2014, campeonato que disputou em 2015 e 2016, quando foi rebaixada para a quarta divisão. Em 2018, 5 anos após o Caso Héverton, a Portuguesa não disputará nenhuma das divisões do campeonato brasileiro.

 

“Ao longo de dez anos defendendo o nosso Flamengo nos tribunais desportivos, acredito que adquiri experiência para opinar sobre o assunto. Não podemos nos esquecer que se não fosse o descuido da Portuguesa, éramos nós na Série B.”

Michel Asseff Filho, advogado do Flamengo

 

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De 2014 em diante

Passado o campeonato de 2013, os rebaixamentos voltaram a seguir seu curso normal:

 

2014 – Vitória, Bahia, Botafogo e Criciúma;

2015 – Avaí, Vasco, Goiás e Joinville;

2016 – Internacional-RS, Figueirense, Santa Cruz e América-MG;

2017 – Coritiba, Avaí, Ponte Preta e Atlético-GO.

 

 

Agradecimento: João Cláudio Boltshauser.

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.

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