Evaristo de Macedo: porque não fui campeão da Copa do Mundo de 1958

Evaristo de Macedo Filho nos recebeu em Ipanema, bairro onde mora no Rio de Janeiro. Evaristo começou sua carreira no Madureira. Contratado pelo Flamengo, em 1952, conquistou com a camisa rubro-negra o tricampeonato carioca de 1953, 54 e 55. Seu excelente futebol o levou em várias oportunidades a defender a seleção brasileira.

No sul-americano de 57, em Lima, Evaristo fez 5 gols pela seleção brasileira contra a Colômbia, recorde até hoje não superado. Na capital peruana ele, praticamente, acertou sua ida para a Espanha, não integrando a seleção brasileira campeã, na Suécia:

 

“Na realidade, o time que foi a Copa era o time em que eu jogava. Surgiram alguns nomes novos. Surgiu Pelé que eu não conhecia; Vavá passou a ir para a seleção; o próprio Zagalo nunca tinha ido para a seleção.

O Carlos Nascimento foi a Barcelona uns 4 meses antes da Copa e solicitou que o Barcelona me dispensasse dois meses antes do mundial. Naquele tempo a seleção se reunia muito tempo antes. Aconteceu que a Espanha não tinha se classificado e a federação espanhola não quis antecipar o seu calendário. Então, os dirigentes do Barcelona disseram que eu só poderia ser dispensado se o clube fosse eliminado da Copa da Espanha que seria disputada. Do contrário, ele vai ficando por aqui. Por sorte minha e azar da seleção nós acabamos ganhando a Copa da Espanha. Quando a copa espanhola terminou faltavam dez dias para começar o campeonato mundial. Eu liguei para o Nascimento e comuniquei que o Barcelona estava me liberando. Ele me respondeu que o grupo já estava definido e o Feola não mexeria em ninguém. Ficaria para uma próxima oportunidade. Não fui à Copa.”

 

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Evaristo integrou a seleção brasileira nos jogos eliminatória para a Copa de 1958, na Suécia. Vemos o time brasileiro antes da partida diante do Peru, no Maracanã: Djalma Santos, Belini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto Belangero; Garrincha, Evaristo, Índio, Didi, Zagalo e Mário Américo. O Brasil venceu por 1 a 0 com o famoso gol de “folha de seca” de Didi.

 

José Rezende é jornalista, torcedor do Fluminense, responsável pelo Blog Álbum dos Esportes e autor dos livros “Hei de Torcer até Morrer”, sobre o America-RJ, “Eternamente Bangu”, e co-autor, juntamente com o historiador Raymundo Quadros, do livro “Vai dar Zebra”, sobre a história dos clubes pequenos do Rio de Janeiro.

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