Altair bate em Mané Garrincha para ir à Copa do Mundo de 1962

Em julho de 2002, na social do estádio de Álvaro Chaves, cenário familiar para Altair Gomes de Figueiredo, momentos inesquecíveis vieram à lembrança desse extraordinário jogador que sempre defendeu com amor a camisa do Fluminense.

Altair nos falou sobre sua convocação para a seleção brasileira que se tornaria bicampeã mundial em 1962, no Chile:

 

“Olha, eu acredito que o maior objetivo de um jogador é disputar uma Copa do Mundo. Em 58, eu não esperava ser convocado, mas em 62 eu estava certo da minha convocação pelas minhas atuações no Fluminense. Em 62 foi difícil. Eram quatro em cada posição. Eu disputava com três laterais do Botafogo: Nilton Santos, Rildo e Ivan que jogou no América.

Havia um esquema para o Garrincha dar mole contra eles nos treinos. Contra o Altair forçar os dribles. Fomos para Friburgo e nos treinos Nilton Santos no time A, eu no B e o Rildo no C.

O Garrincha me disse que iria correr mais um pouco. Respondi que estava tudo bem, vamos pra luta. Naquele dia não deu prá pegá-lo. Depois entrou o time C com o Rildo. Aconteceu que o Garrincha não passou uma bola pelo Rildo.

De Friburgo fomos para Campos de Jordão. No dia seguinte, os jornais publicam às atuações dos jogadores. Nilton Santos, a Enciclopédia, treinou muito bem; Altair levou um baile do Garrincha; e o Rildo anulou completamente o Garrincha.

No primeiro treino, em Campos de Jordão, eu fiz o que normalmente não fazia. Falei com o Jurandir que iria colar mais no Mané, porque do contrário iria me complicar. Didi começou a meter aquelas bolas de curva para o Garrincha. Numa delas, quando a bola chegava eu dei uma pancada no Garrincha, que ele voou por cima de uma cerca de mais ou menos um a um metro e meio e foi cair lá dentro do mato, num barranco de uns cinco a seis metros.

Quando eu olhei, ele estava paradão. Eu disse para mim mesmo, matei o Garrincha. Nisso aproximaram-se o Aimoré Moreira, Dr. Hilton Gosling, Mário Américo e o Dr. João Havelange. Viraram-se para mim e perguntaram se eu estava maluco. Pensei, então, vão me cortar agora.

Quando trouxeram o Garrincha todo sujo de mato, vi que ele estava bem. O Aimoré virou-se para mim e disse: “Você não pode fazer uma coisa dessa”. Respondi que daquele momento em diante, iria meter a pancada em qualquer um que aparecesse na ponta direita. Nos treinos seguintes, Garrincha não passou mais por mim. Fui para o Chile e os outros dois do Botafogo ficaram. Com aquela pancada assinei meu passaporte”.

 

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Almir, Pelé, Altair e Mazzola no período de preparação para a Copa de 1958. Altair foi cortado devido a uma torção no joelho
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Altair ampara Zagalo, que chora de emoção após a vitória por 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia, na final da Copa de 1962

 

José Rezende é jornalista, torcedor do Fluminense, responsável pelo Blog Álbum dos Esportes e autor dos livros “Hei de Torcer até Morrer”, sobre o America-RJ, “Eternamente Bangu”, e co-autor, juntamente com o historiador Raymundo Quadros, do livro “Vai dar Zebra”, sobre a história dos clubes pequenos do Rio de Janeiro.

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